Alguns lugares recusam a velocidade do mundo digital e vivem no compasso das pessoas.
Fala-se de inteligência artificial, de carros que se conduzem sozinhos e de compras que chegam à porta sem darmos por isso. Mas depois entramos num café aqui da terra e percebemos que o futuro ainda está a apanhar o autocarro.
O momento clássico ao balcão: pedimos o lanche, tiramos o cartão para pagar… e ouvimos o inevitável “só dinheiro”. Ninguém se indigna: já sabemos ao que vamos. E há sempre aquele pequeno teatro: reviramos a carteira à procura de trocos (pedimos a quem nos acompanha que faça o mesmo porque – quem sabe – a pessoa tem mais sorte na procura) e, no fim, a conta paga-se como sempre: com moedas que tilintam, como se fosse parte do ritual.
E é justamente no balcão que corre a rede social mais antiga do mundo. Sem hashtags nem likes, mas com atualizações em tempo real: quem comprou carro, quem mudou de emprego, quem anda a “namoriscar”. Nem sempre é informação fiável – é certo – mas, convenhamos, o Facebook também não é.
E, enquanto isso, o tempo ali dentro parece correr de outra maneira. Não há espaço para scrolls infinitos, nem para perder minutos a deslizar o polegar no ecrã. A distração é outra: ouvir quem entra, cumprimentar quem sai, comentar o jogo do fim de semana ou o preço dos ovos. É uma espécie de feed ao vivo, sem algoritmo e sem notificações aleatórias.
No fim, percebemos que não se trata de atraso. É apenas outro ritmo. E talvez faça sentido que o futuro não chegue sempre à pressa: dá-nos tempo para um café, uma conversa e, se calhar, até para descobrir que nem tudo precisa de caber num ecrã – nem de estar nas redes sociais.


