Gerações de jovens portugueses entre 1961 e 1974 foram mobilizados e obrigados a irem para as três frentes da Guerra do Ultramar em Angola, Guiné e Moçambique, sem especial preparação, nomeadamente, quanto ao cenário em que iam ser colocados em zonas de grande penosidade, isolamento e perigo, que marcaram as suas vidas, levando-os a forjar laços de camaradagem que ainda hoje se perpetuam.
Anualmente são inúmeros os encontros de confraternização que os unem, para que a memória e a amizade não esmoreçam, nomeadamente relembrando vivências que os marcaram e evocando os camaradas que já partiram.
Um desses encontros realizou-se no passado dia 26 de abril em Viana do Castelo e juntou os Antigos Combatentes da Companhia de Caçadores 2622 (Batalhão de Caçadores 2894), que seguiram para o Norte de Moçambique no Navio “Vera Cruz” em 30 de outubro de 1969, chegando ao seu objetivo a Nangade no Cabo Delgado a 28 de novembro, tendo regressado à metrópole a 9 de janeiro de 1972.
A área de ação que lhe foi distribuída era uma zona de grande intervenção de guerrilha que precisava daquele corredor entre Nangade e Palma para se abastecer diretamente da Tanzânia, do outro lado do Rio Rovuma.
As colunas de reabastecimento das nossas forças militares de Nangade a a Palma, um percurso de cerca de 100 kms. era sempre um perigo e uma dor de cabeça para os Antigos Combatentes, devido às minas implantadas nas picadas pela guerrilha, obrigando a um grande esforço de picagem com meios rudimentares, que muitas vezes, infelizmente, não tinha sucesso.
Por isso, o Encontro 2025 voltou a rever esses momentos, mostrando que as memórias do tempo vivido em campanha jamais esquecem.
Desta vez o Encontro juntou cerca de 50 Antigos Combatentes e Famílias, com organização do 1.º cabo enfermeiro Manuel de Passos Cambão, tendo como ponto de encontro a Igreja de Senhora da Agonia em Viana do Castelo, onde foi rezada missa de ação de graças pelo Reverendo Padre Armando Dias, que, na homilia, teve palavras de muito apreço e simpatia para com os Antigos Combatentes.
Na missa foram evocados os dezanove Combatentes já falecidos.
Seguiu-se o tradicional convívio onde o período político da campanha eleitoral para as Legislativas que se vive, mereceu a natural atenção dos Antigos Combatentes ligada à pensão anual que lhes é atribuída no mês de outubro e que ronda em média 100 euros sujeito a IRS, o que consideram uma esmola e um gesto de humilhação a merecer alteração.
Pelo que se tem visto da campanha dos vários partidos e coligações ainda não vai ser desta vez que os partidos políticos se vão reconciliar com os Antigos Combatentes, demonstrando uma miopia política incompreensível e uma falta de justiça e de reconhecimento pelo sacrifício que eles deram à Pátria.
A idade dos Antigos Combatentes, a rodar os oitenta anos, merece urgência nesse reconhecimento que lhes é devido, atendendo à sua natural fragilidade física, atribuindo-lhes uma pensão mensal e não anual em montante justo e adequado.
A organização do próximo Encontro 2026 vai manter-se no Alto Minho com nova organização do Soldado Atirador de Infantaria João Enes Outeiro, de Viana do Castelo.
PUB

PUB













3 comentários
Guerra do Ultramar!
Gostaria que me explicassem o que “Era” o ultramar!
Portugal tem 18 distritos que em “tempos idos” eram províncias !
A maior era e é Lisboa!
A província ultramarina de Angola era na época “catorze vezes e meia ” maior que Portugal Continental!
Podem também me “explicar” porque razão os “políticos e democratas” iam para o Tarrafal, para, Timor, e para o Lobito, cumprir pena, pelo crime de ser democrata, e como não era permitida “outra religião” Como para o ditador e seus seguidores, monárquico era sinónimo de comunista!
Nos soldados rasos, alguns, sem conhecimentos do, a i o u não admira que “ainda” cultivem a Lei do ditador!
Mas meus senhores Jornalistas, e doutores de papel passado, tenham só “um pouquinho, e muito pequenino ” de pudor, e doravante, chamem pelo nome às coisas! COLONIAS !
Este senhor “comentador”, deve ter problemas de cataratas/políticas. ULTRAMAR ou COLÓNIAS, são coisas completamente diferentes. Tarrafal, Timor, Lobito! Sim, foi mau, foi a “Lei do ditador”. Que me diz este senhor “comentador”, dos democratas da Rússia, Israel, China, Cuba, Laos, Coreia do Norte, Vietnam e outros mais? Sim, sempre na vida é preciso ter sempre “um pouquinho de pudor”. Sempre e não às vezes, né?
(Artur Silva)
Não entendeu ! Já é tarde, vá ver os “monumentos” das câmaras municipais todas aos “combatentes do Ultramar” ! E aí “talvez” entenda!