Este ano de 2025 realizou-se no dia 18 de Junho. Como é habitual, na véspera do dia do corpo de Deus.
Diz a história e as lendas que esta prática teve origem no século XV.
Mas só se encontram relatos, a partir do ano de 1646, onde aparece uma descrição semelhante à actual.
Uma das lendas refere que a Igreja Matriz, foi em tempos, um templo pagão dedicado a uma deusa cuja representação era uma fêmea bovina.
Mais tarde, o mesmo templo foi usado, como templo cristão, após a conversão ao cristianismo. Foi então retirada do templo a dita imagem.
Esta deusa simbólica foi presa por duas cordas, arrastada pelas ruas da vila, num ritual que implicava dar três voltas ao templo. Finalmente seguia pelas ruas acompanhada pelos habitantes.
Nos nossos dias, continua a tradição, só que com um touro, também puxado por duas cordas, que percorre as ruas da vila.
Sendo um dia feriado, o dia do Corpo de Deus, reúne uma vasta multidão que celebra a festa religiosa. E a festa da ” Vaca das Cordas”, seguindo o touro pelas ruas.
Este acontecimento atrai muitos visitantes e curiosos a Ponte de Lima, de tal modo que, o Instituto do Património Cultural já iniciou, uma consulta pública sobre a possibilidade de inscrever a tradição da “Vaca das Cordas”, em Ponte de Lima, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Foi publicado em Diário da República (DR).
Neste momento cumprindo-se os prazos legais aguarda-se a decisão.
Esta festa/tradição é coordenada pela Associação dos Amigos da Vaca das Cordas e com o apoio do Município de Ponte de Lima.
PUBNo século XXI a “Vaca das Cordas”, que por acaso é um touro, é largado na rua do Arrabalde às 18h, e corre pelas ruas desta vila minhota, conduzido por cerca de 15 pessoas e sempre preso por duas cordas.
O touro é levado ate à Igreja Matriz e preso à janela de ferro da Torre dos sinos. Onde lhe dão um banho com vinho tinto da região. Não sei é se o touro aprecia, mas os locais dizem que é para ganhar mais força.
Depois o touro dá três voltas à Igreja, sempre com muitos imprevistos dos presentes, trambolhões, encontrões e afins.
Só depois deste ritual é que é levado para o extenso areal da vila.
Neste local o touro chega a ir até à água do rio, corre, salta e investe sobre os mais afoitos. Seguem-se trambolhões, corridas, “pegas de caras e de cernelha “.
Neste confronto meio louco de alguns ditos “corajosos” há sempre braços ou pernas partidas e idas ao hospital.
Depois a verdadeira festa entra pela noite dentro, é sobretudo o convívio, animação, música e os bares abertos noite dentro.
Entretanto nas ruas do centro histórico, cumpre-se a confecção dos tapetes floridos, onde no dia seguinte, irá passar a procissão do corpo de Deus.
Depois daquele ritual, e da festa religiosa, o animal é abatido no matadouro e a carne vendida num talho de Ponte de Lima.
Conforme os tempos e as vontades, há tradições, que são interrompidas temporariamente, neste caso pela vereação em 1881 e que durou até 1922.
A partir desse ano de 1992 reapareceu a “Vaca das Cordas”, mantendo-se até hoje com estas características. Para além da festa religiosa, penso que é sobretudo uma festa de rua, com muito convívio, música, alegria e alguns excessos no consumo de álcool.
Pelo que percebo, e tenho visto ao longo dos anos. A festa é mesmo nas ruas, muitas concertinas, cantigas e sempre boa disposição.
Só se magoa quem tenta “brincar” com o touro, sem o agredir, mas fazendo com que o animal invista, contra toda a população que foge dele.
Curiosamente este ano na Ilha Terceira nos Açores, uma zona que em tempos, foi povoada por muitos Limianos, descobri que também têm a “Vaca das Cordas” .
Mas atenção, porque é muito diferente da de Ponte de Lima.
Um guia açoreano bem disposto, afirmou a certa altura que nos Açores existem oito ilhas, e um parque de diversões, que neste caso seria a ilha Terceira.
Uma brincadeira curiosa, porque esta ilha inicia a festa da ” Vaca das Cordas” em Maio e só termina em Outubro. Então há festa, vacas e touros em arenas fechadas, onde são escolhidos, durante todos estes meses.
As actividades comuns com Ponte de Lima, são a alegria, o convívio e o excesso de bebida. As pessoas na frente dos touros aos trambolhões e pegas espectaculares, também são habituais.
Só que nos Açores, na ilha Terceira, em lugar de durar um dia, dura vários meses seguidos.
Quem diria…..


