A existir Deus, um só haverá, penso eu, mas não dou garantias.
O deus muçulmano será diferente do deus cristão ou do deus judeu, apesar de todos eles terem sido anunciados pelo chamado Antigo Testamento? Os velhos profetas não são comuns às três religiões? Não apareceram as chamadas três religiões proféticas todas na mesma região terrestre?
As religiões místicas orientais, nomeadamente o Hinduísmo, o Budismo e o Taoísmo chinês, centram-se mais no Homem e na sua permanente busca por algo que lhe é superior e nesse algo se pretende amalgamar, digamos, daí o uso da designação de «formas sapienciais de viver» utilizado nas liturgias, se assim se lhe pode chamar, destas religiões.
A estes dois grandes grupos religiosos citados, junto tudo quanto é ateu e agnóstico, numa preocupação comum: donde viemos, que fazemos aqui e, sobretudo, para onde vamos, e este é que é o busílis.
Religio perennis, uma citação em latim traz sempre estatuto ao escrevente, mas esperem aí que há mais e não abram a boca de espanto (A prosa estava a tornar-se enfadonha, «uma seca», na versão da neta de uma amiga minha),e sanátana dharma, em sânscrito, querem mais ou menos dizer a mesma coisa, «ordem eterna», «símbolo de uma verdade que transcende os limites do tempo e do espaço», o que este narrador sabe, ao que acrescento, a Net é uma grande coisa, e aconselho, leiam dois curtos textos de José Matoso e João Carlos Correia inseridos em AS TRÊS RELIGIÕES DO LIVRO, COLÓQUIO INTERNACIONAL – 18 DE NOVEMBRO DE 2010, promovido pela Universidade de Coimbra.
Afinal então, a busca pela tal religio perennis, pelo que é estrutural, que não muda com os ventos, que é perene, é comum a todas as crenças, a diferença está na maneira como elas com os seus códigos, as suas liturgias, etc., abordam a questão suprema do transcendente, a tal ponto que assistimos hoje em dia a estas guerras religiosas, se bem que o termo mais certo seria «político-religiosas», com uma grande tónica no «político». Mas é este querer saber de onde viemos, querer saber quem nos dá proteção, segurança, conforto, luz, colinho é que é a questão, o busílis, como acima se afirmou ou não tenham as pessoas um buraco ao fundo das costas, isto de ter que esticar o pernil e depois ser atirado para um buracão escuro e… «that’s it», não é fácil de aceitar, «Não há mais que viver e morrer», diziam os hereges do século XVI, e depois vinham-se queixar do Santo Ofício, vulgo Inquisição, também ela santa, que os mandava para a fogueira.Afinal, as religiões não são mais do que invenções dos homens para mediar, ritualizar e contabilizar, digo eu pelo que vou vendo, essa relação com Deus, que lhes faça muito proveito que pessoalmente dispenso essa mediatização e não me venham dizer que a minha religião é melhor do que a tua!





