Bicadas do Meu Aparo: Conselhos a Portugal em 1426

 

 

 

Segundo um Boletim Francês – nova série de 1953 – que estudava documentos Portugueses, o Infante D. Pedro enviou do estrangeiro uma carta a D. Duarte, em 1426, com os seguintes conselhos:

O Governo português deve basear-se nas quatros virtudes cardeais e, sob esse ponto de vista, a situação de Portugal não é satisfatória;

GOSTA DESTE CONTEÚDO?
Manso Preto

A força reside em parte na população. É, pois, preciso evitar o despovoamento, diminuindo os tributos que pesam sobre o povo

É preciso assegurar um salário fixo e decente aos coudéis, a fim de se evitarem os abusos que cometem para assegurar a sua subsistência;

A justiça só parece reinar em Portugal no coração do Rei (D. João I) e de D. Duarte; e dá ideia de que de lá não sai, porque se assim fosse aqueles que têm por encargo administrá-la comportar-se-iam mais honestamente;

A justiça deve dar a cada qual aquilo que lhe é devido, e dar-lho sem delonga. É principalmente deste último ponto de vista que as coisas deixam a desejar: o grande mal está na lentidão da justiça;

Enfim, um dos erros que lesam a prudência é o número exagerado das pessoas que fazem parte da casa do Rei e da dos príncipes, de onde decorrem as despesas exageradas que recaem sobre o povo, sob a forma de impostos e de requisições de animais. Acresce que toda a gente ambiciona viver na Corte, sem outra forma de ofício”.

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Concluindo:

O Leitor, se esteve atento a esta Carta de 1426, verificará que apenas existe uma alteração: desde o fim da Monarquia até à presente República, “requisita-se” desde os primeiros anos do século passado a compra de grandes máquinas/automóveis em vez da “requisição de animais”!

Eis os pecados da Monarquia e das desastradas Repúblicas portuguesas.

Nem democracia naqueles, nem competência e inteligência nestes!

Em nome de “crises” constantes que nunca foram bem explicadas, castigam-nos com dúvidas e com medos, situações que o povo odeia e que servem para a fabricação de injustiças sociais, lucros selvagens para os aventureiros que vivem na sombra e que riem dos mais fragilizados.

Cristo no Seu tempo privilegiou a acção, em vez da locução, e nunca se Lhe conheceu indiferença junto do povo. E este nosso país necessita de obras que afastem o desencanto e a desilusão. São necessárias acções concretas que incomodem a quietude e a frieza de vários governantes, isto é, deviam resolver os problemas fundamentais: como TAP’S, Novo Banco, Salgados (e insossos), Socratismos, saques em Câmaras e Ministérios diversos, Barragens longe do fisco, etc. Resolvem (atacam), isso sim, contra os que trabalham e contra os reformados, em prol de quem já muito tem e gordurosamente vive.

Leão Tolstoi afirmou que “o trabalho é uma condição inevitável da vida humana, a verdadeira fonte do bem-estar humano”. Neste meu Portugal, apenas têm garantido trabalho aqueles que utilizam “cunhas”, que são ou têm “compadres”, que praticam o “engraxar de botas”, que aceitam os assédios ou são efectivos/profissionais do “Yes Man”.

Razão por que ninguém desconhece que após “o vinte e cinco do quatro” a grande parte dos encastelados em partidos políticos e nos lugares políticos, é medíocre e tem um indisfarçável medo da inteligência e/ou competência.

Todavia os medíocres são mais obstinados na conquista de posições importantes. Recorde-se os que já governaram, os que conquistaram lugares/tachos e nas reformas gorduchas decretadas por eles mesmos.

A bagunça, cansa. E os portugueses têm de perceber – e já é tempo disso – que o trigo é cercado por muito joio que abafa as nossas vidas e rapa o que nos pertence. E o joio é fácil de ver e de queimar. E como se lê nos Evangelhos, “em devido tempo queimem-se” tais ervas daninhas para que haja vida e bem-estar humano.

Há cinquenta anos, acautelavam-nos das vermelhas ditaduras: que nacionalizavam casas, poupanças e obrigariam a trabalhar por escassos salários e sem ter voz no sistema. Por ironia do que se tem assistido e sentido na pele, tem-se convertido (mais ou menos) tudo isso em realidade, com o capitalismo selvagem, como a existência da Troyca entre nós.

Segundo Erasmo de Roterdão, “há povos que são abafados por grossas e altas paredes de betão, construídas pela mediocridade”.

O cidadão está no fundo do poço, mas o “intelectual da mediocridade” não lhe dá a escada, o meio pelo qual ele possa galgar os degraus e subir, desde que façam algum esforço. Dá sim a frieza de acção, a indiferença e o medo de viver.

Estas desastradas Repúblicas têm sabido garantir o poder, embora o país se afunde. Pelo que, poder-se acreditar que Portugal é geométrico: é rectangular e tem problemas bicudos, discutidos em messas redondas por bestas quadrados.

 

(O autor não segue o acordo ortográfico de 1990).

 

* O autor não segue o acordo ortográfico de 1990

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