Quando se ouve rádio ou se vê televisão, se grupos, fala um de cada vez. Também acontece por vezes de falarem dois ou três ao mesmo tempo e, quem assiste, pouco apanha do que dizem. O ideal, o normal ou a forma de conversarem com sensatez, com finesse de comportamento, seria saber ouvir.
Tantas vezes, pelo menos em televisão verifica-se que enquanto uma fala, outros tiram apontamentos para depois opinarem, darem a saber o seu ponto de vista. E assim deve ser.
No tempo presente, nesta volátil sociedade, nesta correria louca de informações, de vendas, de compras e de confusões que agitam, parece até que muitos têm medo de não ter tempo de expor os seus pontos de vita, muitos deles questionáveis.
Outros, agitados pelos problemas ou por complexos de inferioridade ou superioridade, não sabem ouvir e tentam abafar os outros. Normalmente estas reacções verificam-se nos que têm medo da verdade, não aguentam ouvi-la ou pior ainda, pretendem esconder culpas ou más águas passadas, face à verdade.
Também no tempo que passa, ainda vão existindo famílias que conseguem tempo para se ouvirem, dialogar, programar vidas e, algumas famílias têm até um dia em que se encontram para fortificar o amor familiar.
Em se estando atento aos perigos existentes por falta de tempo para conversar, ter tempo para a família e saber ouvir em família, hoje, é de grande importância o diálogo, para que os filhos e os pais percebam dificuldades mútuas.
Tantas vezes o diálogo familiar não existe ou pratica-se tardiamente devido a várias situações que a vida vai absorvendo ou que o mudismo reine. E se uns sabem ouvir, se sabem construir o diálogo, se o fazem com seriedade, outros podem existir que, além de pouco interesse, o contestam ou nada dizem, ou o tornam um caos com grande dose de intolerância ou de pouco respeito pelos outros: porque se berra e/ou termina em fuga.
Jesus Cristo era um excelente ouvinte e excelente a responder, sem nunca perder as oportunidades e a devida hora. Perguntaram-lhe um dia: “Declara-nos se Tu és o Messias”. Rapidamente Cristo respondeu: “Se vo-lo disser, não acreditareis e, se vos perguntar, não respondereis”. Logo, saber ouvir é tão importante como saber falar.
De modo que, seja no ambiente que for, necessário se torna ser prudente: saber ouvir, explicar e como, e a quem se deve explicar.
Se se está entre amigos basta falar-se o que é, que se passa e como se deve concretizar o programa em discussão.
Tantas vezes há explicações em demasia, que podem até provocar confusões, como interpretações mal feitas, choques por qualquer palavra, e os amigos, conhecendo-se mutuamente não necessitam de conversas esmiuçadas.
PUBSe se esmiúçam conversas com pessoas de “passagem” ou até com quem desconfia de tudo, esses não aceitam nem acreditam em nada. Logo, dar explicações ou esmiuçar a conversa é rigorosamente uma perda de tempo.
Pelo que se afirma, falar ou explicar deve ter dose eficaz que proporcione prudência e porque não? – inteligência?
Os amigos que se conhecem, usam linguagem certeira, oportuna, nunca esmiuçada e, tal amizade deve ser permanentemente cadeada uns nos outros de forma que nunca corrompa.
O excesso de conversa ou de explicações pode ser cognominada como “língua afiada” e assim sendo, tal língua pode cortar a própria garganta. É que muitos falam muito e conseguem falar meia hora em cinco minutos.
E se quem fala demais nada apresenta na manga do casaco como vida bem vivida ou acção concreta em prol dos outros ou da comunidade, não passa de um faroleiro de ocasião. Também falar de menos pode ser egoísmo, medo, manhosice ou insegurança.
Esta gente, com defeitos que podem ser considerados banais, temporais, resolvíveis ou até fruto de má disposição, de má ocasião ou doença, desde que sejam pessoas de bom coração, provam tantas vezes o receio de poderem “ferir” alguém: amam à sua maneira sem nunca serem tagarelas ou imprudentes.
Nas explicações esmiuçadas que tantos fazem – correndo riscos atrás apontados – pode acontecer que o esmiuçar termine em desagrado, em discussões inúteis ou ainda ter fins nunca previstos.
Ao contrário destes, podem existir os que não discutem, que conversam amenamente, que sorriem de quando em vez e, entre eles pode não haver amizade, amor, mas apenas mera simpatia: por velhos conhecimentos, respeito ou pela força de convivência.
Desse modo, não saber ouvir, explicar em excesso ou ser tagarela, Paulo de Tarso, fez-se ouvir e explicou o suficiente, dizendo: “As pessoas tornar-se-ão soberbas, blasfemas, desrespeitadoras, ingratas, inimigas do bem”.
Assim, há que ouvir sempre e esmiuçar pouco, porque só o necessário interessa.
(O autor não segue o acordo ortográfico de 1990)



