
Creio que ninguém tem dúvidas sobre a política em Portugal: Democracia nevoeirada, política pálida, morna e com várias infecções em banalidade.
Os portugueses vão ser chamados a escolher o próximo presidente da República no dia 18 deste Janeiro de 2026. Que bom seria se todos os que podem votar, o fizessem. Infelizmente, entre nós, há sempre os abstencionistas, os comodistas e os insensatos.
Mas, convenhamos: há ausentes das mesas das urnas que podem sentir-se justificados. Concretamente, podem ser os abstencionistas. Se um Presidente da República (PR) tem o mais alto cargo da Nação, este líder também tem de ser aquele que agasalha todo o povo que representa: tem sabedoria, filosofia, sociologia, psicologia e disponibilidade: ele conhece o povo e seriamente o serve.
Se é verdade que nestas últimas cinco décadas os portugueses tiveram presidentes da República com as virtudes atrás mencionadas – e tivemos! – no momento que passa quem são os candidatos a PR que agradam aos portugueses? Não haverá nos candidatos próximos a Belém, candidatos que distribuem mais dúvidas aos eleitores do que aceitação, ao povo, que terá de os escolher?
Estou que sim. Há candidatos que somente apresentam “infecções de banalidades”. Logo, os abstencionistas podem estar justificados.
A grande maioria dos candidatos nestas presidenciais de 18/02/2026, são pessoas que só participam para fazer número e/ou visarem interesses de grupos e, nunca, os interesses de Portugal, do povo. Os outros, os melhorzitos, aquele que for eleito, terá de ter da parte do povo, muitas orações, para ver se Deus melhora no escolhido a capacidade do saber, do cumprir e de servir Portugal.
Todos os candidatos nesta eleição, são banais e praticam a normose. Nada de novo, tudo normal, tudo como dantes…, mas sem as virtudes que candidatos anteriormente apresentavam e se conheciam.
PUBTemos um candidato que ao longo da sua vida, lidou com mancebos fardados; temos outro, que conhecendo as artimanhas da política, não deixa de não estar à caça de algo que satisfaça o seu umbigo; temos outro, que, com algum carisma, foi volátil e inseguro; temos outro – e dos restantes nem vale apena mencioná-los – que é actor, aventureiro e que despreza a democracia e o sistema parlamentar, isto é, é anti-sistema.
Mas cuidado: este candidato anti-sistema, nas anteriores presidências (2021) teve 480 mil votos, ficando em terceiro lugar na tabela da classificação! Poderá dizer o leitor que me lê, que a culpa não é de quem se candidata a PR, mas culpa dos portugueses, porque melhor não merecem. Na verdade, os políticos são sempre o que o país fabrica.
Creio bem, que os políticos em Portugal e com carisma, terminaram na pessoa de Marcelo Rebelo de Sousa. Poderão, futuramente, surgir novos e melhores valores, é verdade. Mas a cultura política do povo, tem de aumentar/melhorar, quer nos locais de emprego, nos sindicatos, na vida social e na democracia pluralista a respeitar.
As televisões, os jornais e tudo que é Comunicação Social, tem de lavar e desenferrujar máquinas, comportamentos, como seriedade e verdade. As televisões fazem políticos, que mais não são do que uns franganitos de aviário que, à primeira escaldadela, todos se desfazem: não têm paladar, sumo e espessura carnosa.
Recordemos os debates televisivos entre estes candidatos para 18 de Janeiro: perguntas pobres, assuntos que nem todos eram da competência do PR, respostas dos candidatos escorregadias, estudadas, insinuadas, onde se verificava que, a preocupação de servir o povo, era assunto secundário.
Têm os portugueses uma faca espetada na garganta, porque não vislumbram a devolução de Olivença a Portugal, pois a Espanha teima em não cumprir o que internacionalmente ficou decidido/decretado.
Em 1958, o General Humberto Delgado, tinha como missão a cumprir: “se for eleito, tudo farei para que Olivença seja devolvida – porque foi roubada – a Portugal”. Quem foram as televisões que colocaram aos candidatos a PR, este grandiosíssimo problema nacional? Nenhuma. Logo, desconhece o povo o que pensam estes candidatos à cerca de Olivença – que é Portugal.
Infelizmente, Humberto Delgado perdeu as eleições nos gabinetes fétidos do Estado Novo, Estado que ajudou a nascer, “mas com seriedade e sem subserviência a ninguém, política e militarmente” – declarou-o a Salazar. Teve de fugir porque sentiu a perseguição e finalmente acabou por ser morto – numa cilada – na vizinha Espanha.
Irei votar. Não serei abstencionista, comodista ou insensato. Quando ocupar o espaço destinado a fazer a X, é que decidirei em quem. Quero, porque tenho dúvidas, pertencer aos da “última hora”, para não regressar com pesos na consciência.
Sendo assim, e porque votar é um direito e um dever, tenham a bondade de se candidatarem senhores candidatos!
(O autor não segue o acordo ortográfico de 1990).



