Carta para o meu Irmão ausente

Estou quase a chegar, Zé, mas onde é que irei encontrar-te?

Até há algum tempo esta era uma não questão para mim porque não acreditava que estivesses noutra qualquer dimensão fosse ela qual fosse.

Agora que tu e o meu filho saíram tenho uma esperança, pequena, é certo, de vos encontrar…

Filosofias tabernais como os mais íntimos dizem quando me assaltam estas angústias existenciais. E nem toco no teu Alvarinho nem na ginginha do Nelo Correia…

Como Homem vertical deves ter a energia num lugar limpinho de maus pensamentos e aí não devo ter entrada. Continuo péssima nesta luta de ismos e achos que não me levam a lado nenhum.
Zé, todas estas zitices só para camuflar a saudade que tenho de ti.
Só para me dar força para suspeitar que vocês estarão nalgum espaço ã minha espera.

Só para , quem sabe, seja possível darmos “aquele abraço” que tanto nos unia.

GOSTA DESTE CONTEÚDO?
Manso Preto

 

N.R. – A autora refere-se ao irmão, o Prof. José Leal, uma referência no panorama desportivo de Caminha, falecido há 5 anos, precisamente a 1 de Setembro.

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