Crise de Cidadania

Nos últimos tempos temos assistido a falecimentos numa geração que, desde miúdo, tem sido uma referência para mim.

Eram pessoas que estavam muito por cima das ideologias políticas, cidadãos de corpo inteiro que, nas mais variadas áreas souberam Servir as terras onde nasceram ou onde viveram grandes partes das suas vidas. Pessoas boas, verdadeiramente humanistas e em tudo que se envolveram deixaram rastos de dádivas ao Próximo. Humildes e generosos como normalmente só os Grandes são, foram exemplos de Cidadania. Por tudo em que se envolveram, nunca esperaram proventos materiais ou reconhecimentos políticos.

Vem isto a propósito da geração actual, onde escasseiam – por boas razões – as referências locais. Os Valores e a entrega a Ideais, a Causas, cada vez mais são palavras que parecem não ter correspondência.

O lema do Serviço Público, a tal Entrega de que falo, está bem patente na dificuldade em que algumas dessas referências actuais – que as há! – , não aceitem encabeçar as listas para as eleições.  Podem elas esgrimir as justificações que lhes vêm à mente, mas a realidade é que não estão dispostas aos desafios. E muito menos sujeitarem-se ao escrutínio popular, deixando caminhos abertos aos arrivistas, narcisistas, pessoas com ambições que só os próprios ou os deles dependentes compreendem. É um rodopio na dança de cadeiras, dispostos a tudo.

Que triste região e país são estes em que, tenho que confessar com amargura, já só me impressionam quando ouço o Hino Nacional…

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Manso Preto

* O autor não segue o acordo ortográfico de 1990

jornalista.manso.preto@gmail.com
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