Enquanto milhares de famílias trabalham a vida toda para ter uma casa, os governos viram a cara para o problema, protegem vazios legais e desviam recursos públicos para interesses menos urgentes do que garantir um teto digno.
A ocupação ilegal de moradias na Espanha não é um problema isolado ou acidental: é uma consequência direta de decisões políticas equivocadas, lentidão judicial e abandono deliberado da habitação pública. O Estado não só não protege o proprietário, como também cria as condições que permitem que a ocupação prospere e que os danos recaiam sobre os cidadãos que cumprem a lei.
Durante décadas, os governos têm apresentado a habitação como uma “prioridade social”, mas os fatos demonstram o contrário. Em vez de investir de forma estável na construção de um parque público amplo e sólido, cederam o controle total do mercado a interesses privados. Enquanto países europeus destinam entre 15% e 30% de seu parque de habitação a aluguer social, a Espanha mal roça os 2%. O resultado é um mercado inflacionado, inacessível para milhares de pessoas, e um Estado sem ferramentas reais para oferecer alternativas habitacionais.
A este problema estrutural soma-se uma legislação fraca e ambígua. A diferença entre “arrombamento de moradia” e “usurpação” transformou segundas residências, apartamentos vazios ou imóveis herdados em terreno livre para os ocupantes profissionais. Enquanto o proprietário tem que gastar dinheiro com advogados, esperar meses ou anos para recuperar sua habitação e assumir os danos materiais, o ocupante desfruta impunemente de um teto que não é seu, protegido por uma justiça lenta e por um discurso político que evita tocar em interesses sensíveis.
PUBO governo não é responsável direto pelos danos, mas é o responsável político por não garantir procedimentos ágeis, indemnizações ou sanções eficazes. A mensagem transmitida é clara: ocupar é barato, ter uma casa é caro.
Enquanto isso, o dinheiro público é desviado para programas de marketing político, subsídios ideológicos e estruturas administrativas que não resolvem problemas reais. Construir habitação pública não traz manchetes rápidas nem votos imediatos, e por isso não é priorizado, embora seja uma necessidade básica para qualquer sociedade civilizada.
Não construir habitação social não é falta de recursos, é falta de vontade.
Porque investir em habitação pública reduziria os preços, estacaria a especulação e limitaria os lucros dos grandes fundos que controlam o mercado. E isso é algo que nenhum governo quer se envolver.
PUBUm Estado que não garante habitação nem protege a propriedade não está governando: está permitindo que outros governem sobre seus cidadãos.












