A criança sitiada.
A criança é o reflexo de uma civilização. E hoje, em vez de educá-la para a vida, ela é administrada. A família, antes núcleo de caráter, disciplina e afeto verdadeiro, cede terreno a um sistema que protege para dominar e educa para enfraquecer.
À criança moderna não é permitido crescer: ela é envolvida em telas, regras brandas e discursos de direitos sem deveres. A sua sensibilidade é celebrada enquanto a sua força é sufocada. Ela não aprende a pensar, mas sim a evitar o desconforto. Não é exigido que ela supere dificuldades, mas que não as enfrente. Assim, cria-se uma dependência emocional e intelectual.
A família exausta delega; o Estado sorri e ocupa o trono. Uma criança educada em casa pertence à sua família; uma criança condicionada por instituições pertence ao sistema. O resultado é uma geração mais frágil, dócil, consumidora e obediente, convencida de que o mundo lhe deve algo, sem ter construído nada.
PUBNão é apenas um problema educacional, mas civilizacional. Sem esforço, frustração, profissão, serviço e critério próprio, não há liberdade possível. O objetivo não deve ser proteger a criança do mundo, mas prepará-la para ele: ferramentas, raízes, verdade, responsabilidade, critério e contacto com a realidade, não bolha ou complacência.
Uma criança forte é um cidadão livre. E um poder que deseja controlar o futuro nunca vai promover crianças livres: ele prefere crianças dependentes, gerenciáveis, moldáveis. Por isso, a tarefa hoje é clara: acompanhar sem substituir, fortalecer sem isolar, ensinar a pensar sem programar.
Uma sociedade que entrega seus filhos à tutela constante do Estado deixa de ser comunidade e torna-se uma população administrada. Uma criança sem verdade, sem propósito e sem dever não herda o mundo: ela perde-o!
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