Comer é um direito, não um luxo!
Por que se tolera a subida descontrolada dos alimentos enquanto se condena a subida do aluguer (2019-hoje).
De 2019 até hoje, os preços dos alimentos subiram fortemente enquanto o aluguer concentra a pressão política. Esta assimetria explica-se pelo poder da grande distribuição, a visibilidade urbana do aluguer e uma ideologia que deixa a comida nas mãos do “mercado”. Projectando até 2030, se nada mudar, o acesso a uma alimentação saudável será ainda mais desigual.
- Poder da grande distribuição
Um punhado de cadeias controla logística, margens e narrativa. Os governos evitam confrontos diretos e os aumentos são normalizados como “custos”.
PUB- Visibilidade política do aluguer
O aluguer dói nas grandes cidades (votos, mídia, protestos). A cesta de compras dói da mesma forma, mas em milhares de atos dispersos: menos pressão política.
- Ideologia de mercado
A habitação admite regulamentação; os alimentos são deixados ao “preço livre”. Não é lógico: teto e comida são direitos básicos. É uma escolha política.
- Margens intermediárias
O produtor recebe pouco, o consumidor paga muito; a margem é concentrada na distribuição. Controlar os preços implica regular essa cadeia.
- Direito a comer, mal defendido
Há movimentos poderosos pela habitação; pela alimentação, menos músculo cívico. Resultado: comer bem torna-se um privilégio.
PUB- A pergunta desconfortável
Se alguém pode ocupar um apartamento por não poder pagar e isso gera debate nacional, por que alguém que não pode pagar comida não pode “ocupar” um supermercado? A diferença revela quais poderes são protegidos e quais não.
Projecção para 2030 (se não for corrigido o rumo): mais ultraprocessados baratos, saúde pior e maior dependência de poucas cadeias.
Um tecto cobre-te; a comida sustenta-te. Se o Estado protege o alojamento, deve proteger com a mesma força o direito de se alimentar.
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