O Rodrigo, o senhor João Dias e o 112 estão de parabéns.
O Rodrigo, de apenas 9 anos, estava dentro do carro com a mãe inconsciente e dois irmãos gémeos mais novos no banco de trás quando ligou para o 112 e conseguiu salvar a mãe.
Com 9 anos e com a ajuda preciosa do senhor João Dias, técnico de emergência pré-hospitalar do INEM, manteve a calma, evitou que os irmãos entrassem em pânico e colaborou de forma exemplar com o profissional de emergência.
Do 112, o senhor João Dias fez-lhe várias perguntas pertinentes, com o intuito de manter o Rodrigo em segurança, ajudar a mãe e chegar o mais rapidamente possível ao local onde se encontravam.
Mas houve coisas que o Rodrigo não precisou de dizer ao 112 para salvar a mãe.
Não precisou de dizer se era rico ou pobre.
Não precisou de dizer a cor da sua pele.
Não precisou de dizer em quem votam os pais.
Não precisou de dizer a religião da família.
Não precisou de dizer se era bom ou mau aluno.
Não precisou de dizer o apelido.
PUBPrecisou apenas de dizer que a mãe estava inconsciente.
Precisou de dizer onde estava.
Precisou de ouvir.
Precisou de confiar.
E do outro lado da linha estava um sistema que não pergunta o que somos ou quem somos — pergunta apenas o que se passa e o que é preciso para ajudar.
O 112 é isso mesmo: três números.
Três números que não distinguem estatutos académicos.
Três números que não fazem triagens sociais.
Três números que não consultam extratos bancários.
Três números que não pedem credenciais ideológicas.
Quando alguém liga para o 112, o que existe é uma vida que pode estar em risco — e profissionais treinados para agir, independentemente de tudo aquilo que essa vida carrega consigo.
Nesse dia, celebrado como o Dia Europeu do 112 – data em que o episódio foi divulgado – a democracia dos direitos humanos e da cidadania, não foi um conceito abstrato.
Foi um gesto concreto.
Foi uma chamada atendida.
Foi uma ambulância enviada.
Foi uma mãe socorrida.
Foi uma família serenada.
O Rodrigo está de parabéns pela coragem.
O senhor João Dias está de parabéns pelo profissionalismo.
O 112, esses três números que são iguais para todos, está de parabéns por existir.
Porque há coisas que não têm preço.
E uma sociedade que responde quando alguém pede ajuda é, simplesmente, impagável.






