De A a Z, os candidatos às Autárquicas Arcuenses responderam

Paços de Concelhp

Desde respostas curtas e inteligentes até respostas longas e elaboradas, os candidatos às Autárquicas de Arcos de Valdevez , João Braga Simões do PS, Luís Rocha do Chega e Augusto Pinto Coelho do CDS, responderam com a tranquilidade que os dias de campanha pelo distrito permitiram. Mas houve também o silêncio absoluto do candidato da CDU, Ricardo Coelho.

Já o actual Presidente da Câmera, Olegário Gonçalves, justificou-se dizendo que “Não consigo. Agora é só campanha”.

Responder, não responder, ficar em silêncio ou falar  abertamente, tudo isto é, afinal, a Democracia a funcionar na sua plenitude.

Leia com atenção, faça as suas reflexões e vote com conhecimento e consciência.

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O voto, esse direito que nos é dado apenas de quatro em quatro anos, é secreto.

                                                                                                  

GOSTA DESTE CONTEÚDO?
Manso Preto

                               João Braga Simões (PS)

 

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 Augusto Pinto Osório (CDS/PP)

 Luís Rocha (CHEGA)

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 A de AnalfabetismoSendo Arcos de Valdevez um dos concelhos do Alto Minho com mais elevada taxa de analfabetismo, que planos tem para o combater?João Braga Simões:

Tratando-se de um efeito de arrasto de tempos do Estado Novo em que a escolaridade não era uma prioridade, ainda temos uma franja da população sénior que não teve oportunidade de fazer escola. Mais do que lhes ensinar o ABC, nesta fase da vida, a Câmara Municipal deve garantir-lhes o acesso sem barreiras de alfabetização aos serviços públicos, mantê-los informados sobre os seus direitos e com a segurança de que ninguém se possa aproveitar dessa fragilidade.

Luís Rocha:

É um facto que o combate ao analfabetismo, e à baixa qualificação em geral, é uma prioridade em concelhos como

Arcos de Valdevez, no Alto Minho. Para o combater, as estratégias passam essencialmente pela Educação e Formação de Adultos.

Embora os municípios não detenham a competência exclusiva sobre o ensino, trabalham em estreita articulação com

entidades como o Ministério da Educação (através dos Agrupamentos de Escolas), o Instituto do Emprego e Formação

Profissional (IEFP) e associações locais, nomeadamente Centros Qualifica e Escolas Profissionais.

Os planos para combater o analfabetismo e aumentar as qualificações incluem:

Programas de Educação e Formação de Adultos (EFA) e Centros Qualifica

  • Cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA): Estes cursos são fundamentais para permitir a adultos

sem o ensino básico ou secundário que o adquiram, muitas vezes com componente de formação profissional.

o Entidades como a ACIAB (Associação Comercial e Industrial de Arcos de Valdevez e Ponte da Barca) e a Epralima (Escola Profissional do Alto Lima) promovem e ministram estes cursos em Arcos de Valdevez.

  • Programa Qualifica: Este é um programa nacional vocacionado para a qualificação de adultos, com o objetivo

de melhorar os níveis de educação e formação e, consequentemente, a empregabilidade.

Os Centros Qualifica locais (existentes ou em articulação) são os pontos de contacto para o reconhecimento de competências e o encaminhamento para a formação adequada.

  • Português Língua de Acolhimento (PLA): Existem também ofertas formativas específicas para quem precisa de adquirir ou melhorar o domínio da língua portuguesa.

Ações Complementares

Para além da formação mais estrutural, as estratégias podem incluir:

  • Sensibilização e Divulgação: Campanhas locais para informar a população adulta sobre a importância da educação e a existência destas oportunidades de formação.
  • Apoio Logístico: Em alguns casos, o município pode facilitar o acesso à formação, por exemplo, através da articulação de transportes ou cedência de espaços.
  • Parcerias Locais: Articulação com a rede social e empresarial local para adequar a oferta formativa às necessidades do mercado de trabalho e incentivar a frequência.

O objetivo final é criar uma rede de intervenção que permita a qualquer adulto no concelho ter acesso a percursos de aprendizagem que o retirem do analfabetismo e o qualifiquem.

Augusto Pinto Osório:

Ter uma equipa que trabalhe em parceria com as escolas, no sentido de perceber as razões do abandono escolar e no caso de haver dificuldades financeiras, comprovadas, haver um apoio por parte da Autarquia.

 

B de Baralho

Nestas eleições autárquicas, se for o rei, que rainha e que valete vão ser convidados a entrar na sua equipa?

João Braga Simões:

O Baralho de cartas está constituído e a hierarquia está bem definida na lista que encabeço para a Câmara Municipal. Invariavelmente, num executivo com poder maioritário, o presidente e os primeiros 3 vereadores são cruciais. Por isso, ordeno a Flávia Afonso, o Luís Ponte e o Rui Rocha como cavaleiros desta cruzada. Acima de tudo, não me julgo um rei de coisa nenhuma, não acredito em sistemas de poder que passam de pais para filhos.

Luís Rocha:

A equipa já está escolhida, tenho imenso orgulho nela, e é do conhecimento público, a equipa e o orgulho com que me apresento a eleição.

As rainhas, os reis e as valetes são os arcuenses que irei servir e representar, nos Arcos ou em qualquer parte do mundo, porque como num jogo de cartas, ou na vida politica, precisamos ter bons trunfos!

Augusto Pinto Osório:

Maior diálogo com a oposição e maior atenção às carências de todo o Conselho, sobretudo na habitação.

 

C de Cultura

Dado que estamos integrados na União Europeia,  o que pretende fazer para que a cultura europeia chegue às aldeias de Arcos de Valdevez?

João Braga Simões:

Se as aldeias tiverem gente, de forma espontânea, o ser-humano procurará preencher o vazio com cultura. É-nos inato. A Câmara tem de garantir a existência de pessoas. Depois, a liberdade criativa fará o resto.

Luís Rocha:

A promoção da cultura europeia não deve ficar confinada aos grandes centros urbanos. Em Arcos de Valdevez, com uma riqueza cultural e patrimonial nas suas aldeias (como Sistelo, classificada como Paisagem Cultural e uma das 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias Rurais), o desafio é ligar o património local à dimensão europeia.

Para que a cultura europeia chegue às aldeias de Arcos de Valdevez, as principais linhas de ação centram-se na mobilidade, na valorização do património e na captação de financiamento europeu.

  1. Captação de Financiamento Europeu para a Cultura

A porta de entrada principal para a cultura europeia é o financiamento, permitindo que os projetos locais ganhem uma dimensão transaccional.

  • Programa Europa Criativa: O Município deve apoiar ativamente as associações, grupos culturais e criadores locais (e candidatar-se diretamente) à vertente Cultura deste programa. O foco deve ser em projetos de cooperação europeia que envolvam as comunidades das aldeias, como residências artísticas, co-produções e festivais em rede.
  • Erasmus+: Embora conhecido pela educação, o Erasmus+ financia projetos de mobilidade e intercâmbio no setor cultural. Promover intercâmbios de jovens (e até de adultos) das aldeias com congéneres europeus, focados em práticas culturais ou preservação de património, traz a Europa para o local e leva o local para a Europa.
  • Fundos Estruturais (FEDER/Fundo de Coesão): Utilizar estes fundos, como já tem sido feito no projeto “Touring Cultural – Aldeias de Portugal (Minho)”, para requalificar e modernizar espaços culturais nas aldeias e criar percursos turísticos/culturais que liguem o património local a grandes rotas europeias (ex.: Caminhos de Santiago, Rotas das Linhas de Defesa).
  1. Inclusão das Aldeias em Redes e Rotas Europeias

Não basta ter o património, é preciso ligá-lo a uma rede maior para que os fluxos culturais e turísticos cheguem às aldeias.

  • Marca do Património Europeu (European Heritage Label): Embora seja um processo exigente, a identificação e candidatura de elementos do património local com um forte valor simbólico europeu (como aspetos ligados ao Recontro de Valdevez ou ao património da transumância em Sistelo) pode dar-lhes uma visibilidade única a nível continental.
  • Redes de Aldeias Históricas Europeias: Promover a adesão de aldeias como Sistelo ou Soajo a redes europeias de aldeias (ex.: Redes de Montanha ou de Paisagem Cultural), fomentando a troca de boas práticas em gestão de património e turismo.
  • Região Europeia da Gastronomia e Vinho: Aproveitar a participação do Vale do Lima nesta iniciativa (que Arcos de Valdevez integra) para promover a cultura gastronómica local das aldeias como parte do património cultural europeu, através de eventos, feiras e showcooking com chefes de outros países.
  1. Descentralização e Envolvimento Comunitário

A cultura europeia deve ser levada até aos habitantes, e não apenas esperar que se desloquem à sede do concelho.

  • “Caravana Cultural Europeia”: Criar um projeto municipal ou em parceria que leve exposições, workshops e atuações de artistas europeus (ou que abordem temas europeus) diretamente aos centros das freguesias e aldeias, usando os seus centros cívicos, associações ou antigas escolas.
  • Encontros Interculturais: Replicar e expandir iniciativas como o Encontro Intercultural (já promovido pelo Município) nas aldeias, convidando residentes estrangeiros (incluindo cidadãos da UE) a partilhar as suas tradições e cultura com os locais, promovendo o diálogo e a integraçã
  • Bibliotecas e Pontos de Leitura Itinerantes: Utilizar as bibliotecas e pontos de leitura para divulgar literatura, cinema e música de outros países europeus, tornando-os acessíveis a quem vive mais isolado.

Em suma, o plano passa por usar o financiamento europeu para estruturar a oferta cultural, integrar o património das aldeias em redes continentais e descentralizar a ação cultural, levando a diversidade da Europa a cada freguesia.

Na dimensão da cultura musical e na sua chegada às aldeias de Arcos de Valdevez, o plano baseia-se num equilíbrio entre a música europeia erudita e moderna e a preservação e valorização da música tradicional local, que é a verdadeira identidade do Alto Minho.

O desafio é usar a música como um veículo de coesão, levando a qualidade e diversidade europeia para o interior e projetando a tradição local.

  1. Descentralização dos Grandes Eventos e Festivais

Embora Arcos de Valdevez já seja reconhecida por eventos como o Festival Sons de Vez (dedicado à música portuguesa moderna), é fundamental levar a experiência musical para fora da sede do concelho.

  • “Sons nas Aldeias”: Criar uma extensão ou um ciclo paralelo ao “Sons de Vez” e ao “Música na Margem”, levando pequenos concertos de qualidade (sejam de música clássica, jazz, ou world music europeia) para palcos não convencionais nas aldeias, como largos, igrejas ou centros cívicos.
    • Isto incluiria a promoção de música de câmara e de pequenos grupos de jazz e folk europeu em locais como Sistelo, Soajo ou Ermelo.
  • Aproveitamento de Infraestruturas: Usar espaços requalificados nas aldeias (como antigas escolas, centros interpretativos ou, no futuro, o Centro Interpretativo e Etnográfico de Soajo) para acolher recitais e workshops com músicos e professores europeus, financiados, se possível, pelo programa Europa Criativa ou Erasmus+.
  1. Mobilidade e Intercâmbio Musical Europeu

O programa de intercâmbio permite que os jovens e músicos locais conheçam a cultura musical europeia em primeira mão.

  • Redes de Escolas de Música e Bandas: Promover a geminação e intercâmbio de grupos musicais (bandas filarmónicas, ranchos folclóricos, grupos corais) com congéneres europeus. Este intercâmbio, suportado pelo Erasmus+, permite às bandas de Arcos de Valdevez atuar no estrangeiro e receber bandas europeias nas suas aldeias.
    • Isto é vital para que as tradições musicais locais sejam também valorizadas como património europeu.
  • Residências Artísticas Europeias: Atrair jovens compositores ou músicos europeus para residências de curta duração nas aldeias (ex.: na área do Parque Nacional Peneda-Gerês). O resultado destas residências seria a criação de peças inspiradas na paisagem e na cultura local, que seriam apresentadas em concerto público na aldeia de acolhimento, ligando a arte contemporânea europeia ao ambiente rural.
  1. Valorização da Música Tradicional Arcuense

A cultura musical europeia engloba a diversidade. A música tradicional de Arcos de Valdevez é um ativo europeu que deve ser protegido e projetado.

  • Festivais de Música Tradicional: Dar continuidade e expandir a componente musical das festas e romarias anuais (como a Romaria da Senhora da Peneda), integrando grupos de folclore ou música tradicional de outras regiões da Europa (ex.: celta, balcânica, mediterrânica) para fomentar a partilha e o reconhecimento mú
  • Impulsionar a criação de um festival de cariz celta, com abrangência trans-fronteiriça, elevando a gaita de foles do minho e da Galiza.
  • Concertinas e Cantares ao Desafio: Promover a música de concerto e canto ao desafio não apenas como manifestação folclórica, mas como um género performativo a ser estudado e divulgado a nível europeu. Realizar masterclasses e encontros internacionais sobre instrumentos tradicionais (concertina) ou formas de canto popular, convidando especialistas da UE.

O objetivo é que a música em Arcos de Valdevez seja um ponto de encontro onde o que é local (o folclore, a concertina) se cruza com o que é europeu, enriquecendo a vida cultural nas aldeias.

 Augusto Pinto Osório:

Convites permanentes a todos os Euro deputados, nacionais e Estrangeiros para tomarem consciência das dificuldades e potencialidades do nosso Concelho e assim promover o dialogo com as populações, para estas perceberem os benefícios de pertencermos à UE.

 

D de Democracia

A Democracia portuguesa é jovem e requer por isso constante atenção. Como se propõe a proteger esta conquista de Abril tendo em conta que o mesmo partido detém o poder à cinquenta anos?

João Braga Simões:

Levando a Assembleia Municipal às freguesias. Colocando o público a falar em primeiro lugar nas reuniões de Câmara e Assembleia Municipal.

Luís Rocha:

Esta é uma questão pertinente e complexa, que toca no cerne da saúde democrática e da alternância de poder. A longa permanência do mesmo partido no poder em Arcos de Valdevez, embora legítima pelos votos, exige uma atenção redobrada para garantir que o sistema não se esclerosa.

Proteger a conquista de Abril e a vitalidade da democracia local implica não apenas respeitar as regras, mas ativamente promover os mecanismos de fiscalização, transparência e participação cívica.

  1. Reforço da Transparência e Fiscalização

Uma democracia saudável exige que o poder seja escrutinável, independentemente de quem o detém.

  • Acesso Aberto a Documentos e Dados: Garantir que todos os processos de decisão, contratação e execução orçamental (incluindo em projetos cofinanciados pela UE) são tornados públicos e de fácil acesso para todos os cidadãos, em linguagem simples, e não apenas em boletins oficiais.
  • Fortalecimento da Oposição: O partido no poder deve ir além da mera legalidade e respeitar ativamente a oposição (mesmo minoritária), garantindo-lhe condições plenas de trabalho, acesso a informação e espaços de intervenção para que possa cumprir a sua função fiscalizadora.
  • Auditorias e Controlo Externo: Instituir (ou apoiar as existentes) auditorias independentes e regulares às contas e à gestão municipal, cujos resultados devem ser prontamente divulgados ao pú
  1. Incentivo à Participação Cívica e à Alternância

A participação ativa dos cidadãos é o melhor antídoto contra a estagnação e o abuso de poder.

  • Orçamento Participativo (OP) com Maior Impacto: Valorizar e aumentar o peso do Orçamento Participativo (já existente no concelho), delegando aos cidadãos a decisão sobre uma fatia significativa do orçamento municipal.
    • Isto descentraliza o poder de decisão e permite que a população defina prioridades em áreas como a cultura nas aldeias ou o combate ao analfabetismo.
  • Educação Cívica Ativa: Promover programas de educação cívica nas escolas e junto da população adulta, explicando os mecanismos democráticos, os direitos de participação e a importância da alternância.
  • Diálogo com a Sociedade Civil: Criar e manter plataformas de diálogo permanente com as associações, coletividades, juntas de freguesia e grupos informais, garantindo que as suas preocupações e propostas são ouvidas antes da tomada de decisões.
  1. Despartidarização da Administração Pública Local

A longevidade do poder não deve significar a apropriação do aparelho administrativo.

  • Meritocracia na Contratação: Assegurar que os critérios de recrutamento e progressão de carreira na administração pública municipal são estritamente baseados no mérito, competência e isenção, e não em critérios político-partidários.
  • Rotação de Cargos de Confiança: Promover a rotatividade (e não o enraizamento) nos cargos de direção e chefia da Câmara Municipal, para evitar a criação de redes de influência inquestionáveis e garantir novas perspetivas na gestã

O facto de um partido deter o poder há 50 anos não é, por si só, antidemocrático, desde que o seja por via eleitoral legítima. No entanto, é um sinal de alerta que exige que o poder local demonstre constantemente uma humildade institucional e um compromisso com os princípios democráticos, promovendo um ambiente onde a mudança e a crítica sejam não apenas toleradas, mas ativamente encorajadas.

Augusto Pinto Osório:

Creio que os Arcos de Valdevez, tem algum défice de ambiente democrático, e vesse no tratamento que a Autarquia trata toda a oposição. Não entendo o medo que as pessoas do  Concelho têm em assinar as listas concorrentes ao partido dominante, Represálias? Não sei, talvez fosse um assunto a ser tratado pela comunicação social.

 

E de Economia

Desde que a água foi privatizada, as facturas mensais são alvo de crítica constante de residentes em Arcos de Valdevez. O que vai fazer para acalmar a indignação?

João Braga Simões:

Pugnar para que a qualidade do serviço corresponda ao preço da factura, investindo no tanto que falta fazer em Saneamento Básico, para nos tirar da cauda do distrito no que toca a cobertura de saneamento, nem 50%.

Luís Rocha:

A gestão dos serviços de água e saneamento por parte da empresa intermunicipal Águas do Alto Minho (AdAM) é, de facto, um ponto de grande tensão e crítica constante em Arcos de Valdevez, especialmente no que diz respeito ao valor das faturas.

Para acalmar a indignação dos residentes, a estratégia deve focar-se em três pilares: a transparência da faturação, a revisão e aplicação social do tarifário, e a fiscalização rigorosa da concessionária.

  1. Exigir Transparência e Qualidade na Faturação

A primeira fonte de indignação reside frequentemente na confusão e nas variações inexplicáveis das faturas.

  • Leituras Reais e Fim das Estimativas Abusivas: O Município deve usar a sua posição na estrutura acionista da AdAM para exigir a calendarização rigorosa das leituras por parte da empresa, minimizando ao máximo as estimativas. A fatura deve refletir o consumo real.
  • Comunicação Clara da Fatura: Promover ações de comunicação (online e presenciais nas freguesias) para explicar o detalhe da fatura, desmistificando os vários custos (tarifa fixa, variável, resíduos, IVA e taxas). Muitos utentes desconhecem a estrutura tarifária e o peso das diferentes componentes.
  • Reforço do Atendimento Local: A Câmara Municipal deve pressionar a AdAM para reforçar o atendimento presencial e telefónico em Arcos de Valdevez, reduzindo o tempo de espera e aumentando a capacidade de resposta a reclamações e pedidos de esclarecimento.
  1. Revisão e Aplicação Rigorosa dos Tarifários Sociais

O valor final da fatura tem um impacto desproporcional nas famílias com menores recursos, o que gera grande indignação social.

  • Implementação Ampla do Tarifário Social: Assegurar que o tarifário social e o tarifário para famílias numerosas são devidamente divulgados e aplicados a todos os agregados familiares elegíveis, sem entraves burocráticos desnecessários. A identificação dos beneficiários deve ser simplificada, aproveitando os dados existentes na Segurança Social.
  • Intervenção no Município para Redução de Taxas: Embora a tarifa-base seja da responsabilidade da AdAM e da Entidade Reguladora (ERSAR), o Município tem margem de manobra sobre algumas taxas e impostos locais aplicáveis aos serviços. Explorar todas as possibilidades legais para reduzir as taxas municipais que agravam o custo final da fatura.
  • Apoio em Casos de Rotura (Faturas Elevadas): Assegurar a aplicação efetiva da possibilidade de acertos de faturação em caso de rotura na rede predial de abastecimento de água, para que o volume de água perdido não seja integralmente considerado na fatura.
  1. Fiscalização Municipal Intensa e Contínua

Sendo acionista, o Município tem o dever de ser o principal defensor dos interesses dos munícipes junto da AdAM.

  • Vigilância da Eficiência: Fiscalizar de perto os investimentos e a gestão da AdAM (incluindo o combate às perdas de água na rede), pois a eficiência da gestão e a redução de custos operacionais devem refletir-se na fatura do consumidor a médio e longo prazo.
  • Uso da Voz Municipal: Atuar de forma firme e pública na Comunidade Intermunicipal (CIM) e nos órgãos sociais da AdAM. O Município deve atuar como advogado dos munícipes, criticando o desempenho sempre que se verifiquem falhas ou cobranças excessivas, como já ocorreu por parte dos municípios acionistas.

A indignação só acalmará com medidas concretas que se reflitam na carteira dos arcuenses e com a garantia de que a autarquia está do seu lado na defesa de um serviço essencial de qualidade e a um preço justo.

Augusto Pinto Osório:

Gerir com determinação a relação à empresa privada, os valores que são cobrados. Sou favorável que sejam os privados a ter esse papel, mas a Câmara Municipal tem de saber ter um papel de fiscalização para que não haja usura.

 

F de Floresta

A nossa floresta ardeu mais uma vez este ano! Os meios usados para combater os incêndios são cada vez mais e os resultados são dramáticos. De quem é afinal a culpa?

João Braga Simões:

A Câmara Municipal e o seu executivo PSD tende a apontar o dedo à mão criminosa e à piromania. Não creio que os arcuenses sejam afectados por alguma especial patologia que nos torne particularmente incendiários. O problema está no desornamento da Floresta, na incapacidade de utilizar o fogo tradicional de Inverno, para diminuir carga combustível no Verão.

Luís Rocha:

Esta é uma pergunta que ecoa a profunda frustração de todos os portugueses e, em particular, dos residentes em Arcos de Valdevez, uma zona que tem sofrido gravemente com os incêndios rurais.

Não existe uma única “culpa” que possa ser atribuída a um só interveniente. A tragédia dos incêndios rurais é um problema estrutural e multifatorial em Portugal, onde a responsabilidade se divide entre o ordenamento do território, a gestão florestal, a ação humana e, por vezes, a coordenação dos meios de combate.

As principais áreas de responsabilidade a considerar são:

  1. A Responsabilidade do Estado e da Gestão Florestal

O Estado central e os organismos responsáveis pelo ordenamento do território têm a responsabilidade primária pela prevenção estrutural.

  • Inação no Ordenamento do Território: A falta de aplicação efetiva de políticas que promovam o mosaico de paisagem (mistura de floresta, agricultura e matos), em vez de vastas monoculturas de espécies de fácil combustão como o eucalipto. Esta uniformidade, especialmente nas áreas limítrofes ao Parque Nacional da Peneda-Gerês, transforma pequenos focos em grandes incêndios incontroláveis.
  • Insuficiência no Cadastro e Gestão de Propriedades: O problema da propriedade não identificada (baldios e terrenos sem dono conhecido) dificulta a aplicação das regras de limpeza e gestão de combustíveis (matos), impedindo a criação de faixas de gestão de combustível eficazes em torno das aldeias.
  • Burocracia na Prevenção: A lentidão na aprovação e financiamento de projetos de prevenção e de valorização da biomassa (que permitiria a limpeza rentável do mato).
  1. A Responsabilidade dos Municípios e Juntas de Freguesia

O poder local tem o dever de ser o primeiro nível de fiscalização e de proximidade com as populações.

  • Fiscalização Deficiente: A falha na fiscalização rigorosa das faixas de segurança em torno das habitações (a chamada gestão de combustível obrigatória). O Município é o principal responsável por garantir que os proprietários cumprem a lei.
  • Abandono do Interior: A desvalorização da economia rural e o abandono da atividade agrícola e pastoril — atividades que historicamente mantinham os terrenos limpos e atuavam como “corta-fogos naturais”. A desertificação rural de Arcos de Valdevez aumenta a massa florestal não gerida.
  • Coordenação Local: Embora os meios de combate sejam vastos, a coordenação no terreno (entre bombeiros, GNR, Força Especial de Bombeiros e Proteção Civil) tem sido, em momentos críticos, apontada como um ponto fraco.
  1. A Responsabilidade dos Cidadãos e dos Proprietários

A origem da maioria dos incêndios é humana, seja por negligência ou, por vezes, por ação criminosa.

  • Negligência e Queimadas: Muitos fogos resultam de negligência na realização de queimas e queimadas sem as devidas precauções ou autorizações, especialmente fora da época adequada.
  • Incumprimento da Limpeza: A recusa ou incapacidade de muitos proprietários em limpar os seus terrenos (devido ao custo, idade ou desconhecimento) agrava a situação, permitindo a acumulação de combustível.
  • Ação Criminosa: Embora represente uma minoria dos casos, a ação deliberada de fogo posto, muitas vezes por motivos fúteis ou distúrbios, é um fator inaceitável.

Conclusão: De quem é a Culpa, afinal?

A culpa primária é do modelo de gestão do território que permitiu o crescimento de uma floresta pouco rentável, não gerida e altamente inflamável.

No entanto, a responsabilidade de mudar a situação é partilhada. Para que a floresta de Arcos de Valdevez deixe de arder, é preciso:

  1. O Estado garantir mais recursos e fiscalização para a gestão de combustível.
  2. O Município ser inflexível na fiscalização da limpeza e investir na valorização da economia rural.
  3. Os Cidadãos cumprirem rigorosamente as regras de queimas e limpeza das suas propriedades.

Mais meios de combate não resolvem o problema se o problema estrutural da floresta-combustível não for resolvido na origem. A solução está na prevenção durante o inverno, não apenas no combate durante o verão.

Augusto Pinto Osório:

Creio que a melhor solução para as Florestas e o drama dos incêndios, era haver um protocolo da Câmara e os Bombeiros, para financias nos primeiros meses do ano, queimadas programadas com o acompanhamento e aconselhamento, dos Bombeiros.

 

G de Gato

“Aqui há gato!” Dizem muitos arcuenses perante o enriquecimento de alguns. Como vai combater a corrupção?

João Braga Simões:

Cabe à Câmara cumprir os seus deveres de transparência e lisura na contratação pública. O combate à corrupção começa, antes de mais, em cada um de nós. E cabe à Justiça, com os seus meios próprios, identificá-la e combatê-la.

Luís Rocha:

É natural que, face à persistência de um partido no poder por um longo período e a sinais visíveis de enriquecimento inesperado de alguns, surja no seio da comunidade arcuense o sentimento de que “Aqui há gato!”. A perceção de corrupção ou de favorecimento mina a confiança na Câmara e é um veneno para a democracia.

O combate à corrupção, ou à perceção de que ela existe, é uma prioridade que exige tolerância zero, transparência total e a criação de mecanismos de controlo que inibam as práticas ilícitas.

  1. Transparência Total e Abertura de Dados

A luz é o melhor desinfetante contra a corrupção. A Câmara deve ser uma “casa de vidro”.

  • Portal da Transparência Renovado: Criar um Portal de Transparência onde todos os dados financeiros e de gestão sejam divulgados de forma clara, acessível e em formato aberto (fácil de analisar), para lá do que a lei exige. Isto inclui:
    • Listagem detalhada de todos os contratos públicos, ajustes diretos e aquisições de bens e serviços, com identificação da empresa e do valor.
    • Declarações de rendimentos e património dos eleitos e dos principais cargos de direção municipal (para lá do Tribunal Constitucional), com o consentimento dos pró
  • Explicação do Enriquecimento: Perante o enriquecimento notório de indivíduos com ligações ao poder, o Município deve ter a iniciativa de solicitar esclarecimentos públicos e, em caso de dúvida, encaminhar a informação para as autoridades competentes (Ministério Público). Não se trata de investigar, mas de dar o exemplo de que não se toleram sombras.
  1. Fortalecimento da Fiscalização Interna e Externa

É fundamental criar mecanismos independentes que fiscalizem as decisões e o património dos eleitos.

  • Auditorias Anuais e Independentes: Determinar a realização de auditorias externas independentes (e não apenas as legais) à gestão municipal, sobretudo às áreas mais sensíveis (urbanismo, obras públicas e contratação). Os resultados devem ser divulgados publicamente.
  • Criação do Gabinete do Cidadão-Denunciante: Estabelecer um canal seguro e totalmente anónimo para denúncias de alegados casos de corrupção ou favorecimento. Este gabinete deve ser gerido por uma personalidade ou entidade independente do executivo municipal (ex.: um Provedor do Munícipe, se for criado).
  • Conselho Consultivo Anti-Corrupção: Criar um pequeno conselho, com membros da oposição, associações cívicas e personalidades idóneas, com poder consultivo e de escrutínio sobre os grandes processos de decisã
  1. Rigor nos Processos de Decisão (Urbanismo e Obras)

As áreas do urbanismo e das obras são historicamente as mais suscetíveis à corrupção e ao favorecimento em qualquer autarquia.

  • “Tolerância Zero” no Urbanismo: Garantir que todos os processos de licenciamento urbanístico cumprem a lei de forma estrita e são geridos com a máxima celeridade, isenção e transparência. Qualquer atraso deve ser justificado publicamente.
  • Comissões de Júris Independentes: Nas grandes obras e concursos, garantir que os júris de avaliação são constituídos por técnicos externos ao Município, de reconhecida competência e independência, reduzindo o risco de decisões políticas ou favoráveis a amigos.

O combate à corrupção não é apenas uma questão legal, é uma questão de cultura e ética de serviço público. O compromisso é ser o primeiro a exigir e a garantir que, em Arcos de Valdevez, a única coisa que enriquece é a confiança dos cidadãos na sua Câmara.

 Augusto Pinto Osório:

É um tema difícil, mas creio que tem de ser a própria população, que tendo conhecimento de alguma ilegalidade, a denunciasse ás Autoridades, sem receio de ter represálias futuras.

 

H de Honestidade

Na sua opinião tem existido honestidade no debate político para as eleições camarárias? Seja factual na sua resposta.

 João Braga Simões:

Da nossa parte, sim, toda a honestidade. Do outro lado vejo muita política baixa, ataques sobre supostas credenciais e acessos indevidos a documentos. Não vejo provas de nada. Vejo uma campanha desesperada do PSD e do seu candidato, incapaz de vir a debate, a usar futricas que nada dignificam a cadeira que quer ocupar. Nós seguimos o nosso caminho. Enquanto forem apenas os ataques pessoais e maledicência a estarem na boca do nosso opositor sobre nós, fico mais certo que temos a proposta mais segura para os arcuenses.

Luís Rocha:

Não!! Desde já os meios de comunicação social são os verdadeiros responsáveis por tal facto, uma vez que num conjunto de 5 candidaturas ao município apenas dão cobertura a uma ou duas. Recordo que muito recentemente o nosso partido não foi convidado a debater, num determinado debate televisivo, com os restantes partidos porque, para nos silenciarem, convidaram apenas os partidos com representação na assembleia municipal, e desta forma fomos logo excluídos, algo premeditado.

Efetivamente debate político desta forma não pode existir e dificilmente poderemos falar de honestidade.

Parabenizo aqui o jornal Minho Digital pelo facto de ter levado a cabo a iniciativa de intenção de voto online, com todos os partidos que concorrem ao município.

Com respeito á honestidade entre candidatos, sabemos todos que os maiores partidos locais não comungam desse principio.

Augusto Pinto Osório:

Em relação a este tema, tenho infelizmente de dizer que a população tem mais culpa que os Políticos, pois não se importam de votar em quem prevarica, mesmo que isso aconteça nos próprios órgão da Autarquia. No fim de quem é a culpa? Quem é eleito, ou de quem o elegeu?

 

I de Igualdade

A igualdade de género é um cliché ou uma realidade? O que se propõe a fazer para que ela exista no trabalho, em casa, na sociedade?

João Braga Simões:

Somos a única candidatura que apresenta uma mulher a um dos órgãos máximos da Autarquia: a Madalena Alves Pereira para a Assembleia Municipal. Acho que tem aqui um excelente exemplo do nosso compromisso com a igualdade, que não se esgota no género. Preocupa-me essencialmente a igualdade de oportunidades, para todos, isso sim.

Luís Rocha:

A sua questão toca num ponto crucial: se a igualdade de género é apenas uma intenção bonita (“cliché”) ou algo que se concretiza (“realidade”).

Em Arcos de Valdevez, tal como na maioria de Portugal e da Europa, a igualdade de género é uma realidade legal, mas ainda um cliché na prática diária.

  • É realidade, porque as leis garantem os mesmos direitos a homens e mulheres.
  • É cliché, porque persistem desigualdades salariais, a sub-representação feminina em cargos de topo e a desigualdade na partilha de tarefas em casa.

A mudança exige uma ação deliberada e transversal em três grandes pilares: a economia/trabalho, a vida familiar/privada, e o espaço cívico/sociedade.

  1. No Trabalho e na Economia

Combater as disparidades salariais e de acesso a cargos de decisão.

  • Incentivo ao Empreendedorismo Feminino: Criar programas de apoio técnico e financeiro preferencial a projetos empresariais liderados por mulheres, nomeadamente em áreas de inovação ou com grande potencial de crescimento local (ex: turismo de natureza, produtos locais de valor acrescentado).
  • “Selo de Igualdade Arcuense”: Criar um selo ou um programa de reconhecimento municipal para as empresas de Arcos de Valdevez que demonstrem ativamente o cumprimento da igualdade salarial, que promovam a partilha de licenças de parentalidade e que tenham uma representação equilibrada nos seus órgãos de gestão e direçã
  • Formação para Liderança: Promover workshops e ações de capacitação para mulheres em áreas de liderança, negociação e gestão, em parceria com o tecido empresarial local e instituições de ensino, para combater o “teto de vidro” nos cargos de topo.
  1. Na Família e em Casa

Reconhecer e partilhar o trabalho não remunerado do cuidado.

  • Clubes de Cidadania e Parentalidade Positiva: Lançar programas educativos e informativos para pais e mães, em parceria com as Juntas de Freguesia e associações, focados na importância da co-parentalidade, na partilha de tarefas domésticas e no desmantelamento de estereótipos de género (ex: “trabalho de homem” vs. “trabalho de mulher”).
  • Reforço das Respostas de Cuidado: Garantir o acesso universal e de qualidade a estruturas de apoio à família e à infância (creches, jardins-de-infância e apoios a idosos) em todo o concelho. Quando o Estado garante o cuidado, as mulheres (que são maioritariamente as cuidadoras) ganham liberdade para o trabalho e a participação cívica.
  1. Na Sociedade e na Representação Cívica

Garantir que as mulheres são ouvidas e vistas no espaço público.

  • Paridade nas Comissões e Juntas: Usar o peso institucional da Câmara para incentivar e exigir a paridade nas listas de candidaturas às Juntas de Freguesia e nas direções das coletividades, associações e IPSS do concelho.
  • “Mulheres da História de Valdevez”: Promover a história e o papel de mulheres arcuenses que se destacaram na cultura, ciência, economia e política, através de eventos, exposições e atribuição de nomes a espaços públicos, dando-lhes visibilidade e transformando-as em modelos de referência para as novas gerações.
  • Combate à Violência de Género: Reforçar a rede local de apoio às vítimas de violência doméstica (e de género), que é a manifestação mais extrema da desigualdade, garantindo o devido sigilo e seguranç

A igualdade só se torna uma realidade quando a Câmara age como um motor de mudança cultural, obrigando a que os princípios legais se apliquem no quotidiano de Arcos de Valdevez.

Augusto Pinto Osório:

Duas coisas que o CDS PP tem lutado e é premente lutar no Arcos, é na questão dos direitos da Maternidade de trabalhadoras e operárias e na questão da igualdade de vencimentos.

 

J de Juntas de Freguesia

As Juntas de freguesia são um espaço de excelência para levar o progresso às aldeias. Que projectos tem para as revitalizar?

Luís Rocha:

Esta é uma perspetiva fundamental. As Juntas de Freguesia são, de facto, a espinha dorsal da democracia de proximidade e o motor essencial para a vitalidade das aldeias e para combater a desertificação em Arcos de Valdevez.

Os projetos de revitalização devem ir além da mera delegação de competências (como a limpeza de caminhos) e focar-se em devolver às Juntas capacidade de decisão, autonomia financeira e torná-las centros de inovação social e digital.

A revitalização das Juntas de Freguesia assenta em quatro pilares estratégicos:

  1. Autonomia Financeira e Decisória

As Juntas não podem ser apenas “delegacias” da Câmara; precisam de recursos para agirem como parceiras.

  • Aumento do Fundo de Delegação de Competências: Rever e aumentar significativamente o montante transferido para as Juntas de Freguesia (Fundo de Delegação de Competências), garantindo que os valores são justos, transparentes e que o aumento acompanha a inflação e os custos operacionais.
  • Orçamento Participativo (OP) Descentralizado: Criar um Orçamento Participativo específico para cada União ou Junta de Freguesia, permitindo que os residentes de cada aldeia decidam de forma autónoma sobre um projeto de pequena escala (ex: recuperação de fontanários, melhoria de acessos).
  • Gestão de Pequenos Espaços (Micropatrimónio): Delegar formalmente nas Juntas a gestão e manutenção de pequenos bens patrimoniais da aldeia (ex: lavadouros, antigos postos de correio, capelas, edifícios devolutos da Câmara), dando-lhes margem para os rentabilizar ou transformar em centros sociais/culturais.
  1. Inclusão Digital e Serviços de Proximidade

Combater o isolamento e a falta de serviços nas aldeias.

  • “Juntas Digitais” e Balcões Itinerantes: Em parceria com as Juntas, montar balcões de atendimento digital que ajudem os cidadãos mais idosos ou com menos iliteracia digital a aceder a serviços da Segurança Social, Finanças ou da própria Câmara, evitando deslocações desnecessárias à sede do concelho.
    • Isto pode ser feito através de um balcão itinerante ou de um serviço online assistido na própria Junta.
  • Espaços de Coworking Rural (Teletrabalho): Transformar um espaço não utilizado da Junta (ou um edifício devoluto da freguesia) num pequeno centro de coworking com Internet de alta velocidade. Isto ajuda a fixar jovens e freelancers na aldeia, injetando nova vida na economia local.
  • Rede de Transportes Flexível: Coordenar com as Juntas a criação de uma rede de transportes a pedido (on-demand), que ligue as aldeias mais isoladas aos centros de saúde, mercado e serviços da sede do concelho em dias pré-definidos, combatendo o isolamento.
  1. Revitalização Social e Cultural

Utilizar as Juntas para reanimar a vida coletiva e cultural.

  • “Bolsa de Talentos Locais”: Criar um registo de artesãos, músicos, contadores de histórias e talentos locais da freguesia. As Juntas devem receber apoio para organizar, anualmente, eventos culturais e mostras de artesanato e produtos locais que valorizem estes talentos, transformando a aldeia num ponto de interesse cultural.
  • Parceria com Escolas (Memória Local): Promover projetos que liguem as Juntas (e os seus arquivos/memória viva) às escolas, para que os mais novos recolham as histórias, tradições e o património material e imaterial da aldeia, garantindo que a identidade cultural é preservada e transmitida.
  • Incentivo ao Associativismo: Apoiar as Juntas na criação de um registo de voluntários para pequenas ações (ex: apoio a idosos isolados, manutenção de trilhos) e na dinamização de núcleos de convívio para a população sé

A Câmara Municipal deve encarar as Juntas de Freguesia como parceiros iguais, dando-lhes os instrumentos para que a vontade de progredir nas aldeias se concretize, em vez de ficar à espera da decisão da sede do concelho.

Augusto Pinto Osório:

Só num grande diálogo com cada freguesia é possível encontrar as necessidades mais prementes e nos Arcos, creio que seja um olhar mais atento para os idosos (mais lares de terceira idade) e para os transportes das freguesias mais longínquas.

 

L de Livrarias, L de leitura

As livrarias de Arcos de Valdevez desapareceram! O que é necessário para que os residentes tenham onde comprar livros?

João Braga Simões:

Renascer a Feira do Livro, e juntar à oferta livreira um certame de produtos locais como o vinho verde, com apresentação de livros e espetáculos de teatro: “Livros e Vinhos”.

Luís Rocha:

A observação sobre o desaparecimento das livrarias em Arcos de Valdevez é um sintoma preocupante da desertificação cultural e comercial do centro da vila. Uma comunidade que não tem acesso fácil ao livro empobrece.

Para reverter esta situação e garantir que os residentes tenham onde comprar livros, é necessária uma intervenção que combine apoio municipal, inovação no modelo de negócio e valorização do livro como bem essencial.

  1. Apoio Estrutural e Incentivos ao Investimento

O setor livreiro tem margens reduzidas. O Município deve criar um ecossistema que incentive o investimento privado.

  • “Lojas de Livros com Sabor” – Fundo de Instalação: Criar um programa de incentivo para a abertura de novas livrarias. Este incentivo deve cobrir parte dos custos de instalação e obras, ou prever a isenção de taxas e impostos municipais (como o IMI ou taxas de publicidade) nos primeiros anos de atividade.
  • Modelo Híbrido e Multi-sectorial: Reconhecer que, na realidade de um concelho de média dimensão, as livrarias puras raramente sobrevivem. O Município deve apoiar modelos de negócio híbridos que combinem o livro com outros serviços:
  • Livraria-Café/Chá: Espaços que vendem livros e oferecem um ambiente de leitura e consumo.
  • Livraria-Produtos Locais/Artesanato: Associar a venda de livros à promoção de produtos do concelho (ex: artesanato, doces, vinhos verdes), transformando-a num ponto de paragem turística e cultural.
  • Espaços Municipais a Preços Acessíveis: Identificar imóveis municipais devolutos na zona central (que outrora foram comércio) e disponibilizá-los a novos empresários do setor livreiro através de rendas bonificadas, assegurando uma localização central e custos operacionais reduzidos no arranque.
  1. A Biblioteca Municipal como Centro de Distribuição e Dinamização

Enquanto uma livraria privada não se estabelece ou consolida, a Biblioteca Municipal deve assumir um papel mais ativo.

  • “Ponto de Encomenda Valdevez”: Criar um serviço de “click and collect” na Biblioteca Municipal. O residente encomenda o livro online (em parceria com editoras ou distribuidoras nacionais) e levanta-o e paga-o na Biblioteca, com uma pequena taxa de serviço que cubra os custos de logística, mas que garanta a chegada do livro à vila.
  • Feiras do Livro com Frequência: Transformar a Feira do Livro (se existente) num evento mais frequente e descentralizado. Realizar “Mercados do Livro” mensais ou trimestrais na Praça Municipal e nas aldeias principais (como Sistelo ou Soajo), convidando alfarrabistas e editores independentes, criando hábito e visibilidade.
  • Valorização e Dinamização da Cultura do Livro
  • O livro só se vende onde há quem leia e o valorize.
  • Clubes de Leitura Itinerantes: Em parceria com a Biblioteca e as Juntas de Freguesia, organizar clubes de leitura regulares nas aldeias, onde os participantes leem e debatem obras. Isto cria comunidade, gera procura por livros e ajuda a combater o isolamento cultural do interior.
  • Promoção de Autores Arcuenses: As futuras livrarias devem ser incentivadas a ter um espaço de destaque para os autores e temas de Arcos de Valdevez e do Alto Minho, aproveitando o forte sentimento de identidade local para gerar vendas e leitores.

O objetivo é claro: trazer de volta um espaço físico onde o livro seja acessível e valorizado, assumindo que este novo espaço terá de ser híbrido e altamente apoiado pelo poder local no seu período de afirmação.

Augusto Pinto Osório:

Esse é um problema global com a vulgarização da internet, os jovens não têm hábitos de pegar num livro, mas têm outros meios alternativo, mas estamos na era da informação acessível a grande parte da população.

 

M de Mais ou M de Melhor

Fazer mais ou fazer melhor? Diga de sua justiça!

João Braga Simões:

Fazer o que está certo. Manter o que está bem, por exemplo, a programação cultural. Mais e Melhor não são mutuamente exclusivas. Ambas fazem falta.

Luís Rocha:

Esta é a pergunta essencial na gestão pública e, perante os desafios de Arcos de Valdevez (desde a água, à cultura, à floresta e à corrupção), a minha justiça diz:

É preciso fazer melhor para que se possa fazer mais

A urgência não está na quantidade de inaugurações ou na multiplicação de projetos, mas sim na qualidade, na sustentabilidade e no impacto real das ações da Câmara na vida dos arcuenses.

Fazer Melhor: O Foco na Qualidade e no Combate Estrutural

Fazer melhor significa resolver os problemas na sua origem e garantir que os recursos são aplicados com o máximo rigor. Isto aplica-se a temas críticos:

  • Na Água: Não basta ligar mais casas à rede (fazer mais); é preciso fazer melhor, fiscalizando a fundo a estrutura tarifária e a eficiência da concessionária (AdAM) para que a fatura desç
  • Na Floresta: Não basta ter mais carros de combate no verão (fazer mais); é preciso fazer melhor no ordenamento do território durante o inverno, aplicando rigorosamente as faixas de gestão de combustível e valorizando a economia rural para que a floresta deixe de ser um combustível incontrolável.
  • Na Corrupção: Não basta ter mais reuniões de executivo (fazer mais); é preciso fazer melhor, instituindo transparência total, auditorias externas e mecanismos de denúncia independentes para restaurar a confiança pública.
  • Na Cultura: Não é só organizar mais eventos na sede do concelho (fazer mais); é preciso fazer melhor, descentralizando os fundos e a programação para as Juntas de Freguesia e as aldeias.

Fazer Mais: A Consequência de Fazer Melhor

Quando o Município atinge a excelência na qualidade, na transparência e na eficiência, consegue desbloquear a capacidade de fazer mais em áreas vitais:

  1. Mais Investimento Social: A fiscalização rigorosa dos contratos e o combate ao desperdício e à corrupção (o fazer melhor) liberta recursos para fazer mais em apoio às famílias, no tarifário social da água e no combate ao analfabetismo funcional.
  2. Mais Participação Cívica: A transparência e o diálogo (fazer melhor) geram confiança, resultando em mais jovens a quererem regressar ou fixar-se e em mais cidadãos a participarem ativamente na vida das suas aldeias.

Em Arcos de Valdevez, após 50 anos de um mesmo modelo, o imperativo é fazer melhor na gestão e na ética. Só assim se justifica a confiança dos arcuenses para que se possa, no futuro, fazer mais em progresso sustentável.

Augusto Pinto Osório:

Creio que os Arcos têm de ter a ambição de ter mais e melhor. Basta vermos os vários parâmetros em que os Arcos tem um atraso brutal em comparação com as outras Autarquias do Distrito.

 

N de Natureza

O Rio Vez é um Património Natural que é constantemente mal-tratado, seja por descargas de óleo, seja por lixo dos feirantes e dos veraneantes. Que medidas precisam de ser adoptadas para o proteger?

João Braga Simões:

Rever toda a rede de saneamento e de águas pluviais que drenam para o rio, fiscalizar as margens em busca de pontos de descarga ilegais. Garantir a colocação de ecopontos na Feira Quinzenal junto às bancas, para que o lixo seja colocado imediatamente no caixote, em vez de aguardar pela recolha de fim de feira.

Luís Rocha:

O Rio Vez, sendo a alma de Arcos de Valdevez e parte integrante da Reserva da Biosfera do Gerês-Xurés, é um Património Natural inegável cuja degradação é uma ofensa à identidade do concelho. A sua proteção exige uma abordagem de Tolerância Zero que combine fiscalização, infraestruturas e educação.

Para proteger o Rio Vez de descargas poluentes, lixo de feirantes e do mau uso pelos veraneantes, propõem-se três eixos de intervenção:

  1. Fiscalização e Penalização Rigorosa de Poluidores

O laxismo na fiscalização encoraja a impunidade. É necessário atuar com firmeza.

  • Brigada de Fiscalização do Vez (BFV): Criar uma equipa municipal, em articulação com a GNR/SEPNA e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), focada exclusivamente na vigilância das margens e afluentes do Rio Vez. Esta brigada deve fazer patrulhamento regular e não anunciado, sobretudo nas zonas industriais e em épocas críticas (verão e épocas de maior produção agrícola/pecuária).
  • “Quem Polui Paga”: Aplicar o princípio do poluidor-pagador com a máxima severidade. As multas por descargas ilegais de óleos, efluentes industriais ou pecuários devem ser elevadas e imediatamente executadas. Os montantes arrecadados devem ser canalizados para um Fundo de Proteção e Requalificação do Vez.
  • Rastreamento de Origem das Descargas: Investir em monitorização da qualidade da água com sensores e análises periódicas que permitam identificar rapidamente a origem e o tipo de poluente. Em caso de descargas de óleo, por exemplo, o Município deve colaborar ativamente com as autoridades para identificar as oficinas ou indústrias responsáveis.
  1. Gestão de Infraestruturas e Lixo em Zonas de Uso Intensivo

A Câmara é responsável por fornecer as condições para a correta deposição de resíduos, especialmente onde há concentração de pessoas.

  • “Lixo de Feirante Zero”: Tornar a concessão de espaço aos feirantes dependente da assinatura de um Termo de Responsabilidade Ambiental que garanta a recolha dos seus próprios resíduos. Criar um sistema de caução de limpeza ou de depósito obrigatório de contentores de grandes dimensões nas imediações da feira, penalizando quem não os utilizar.
  • Equipamento para Veraneantes: Nas zonas balneares de maior afluência (como a Praia Fluvial da Valeta ou outras áreas de lazer do Vez), aumentar a frequência de recolha e instalar contentores seletivos e visíveis em número suficiente. Além disso, a instalação de cinzeiros de grandes dimensões em pontos estratégicos pode combater o flagelo das beatas nas margens.
  • Melhoria do Saneamento Rural: Continuar o investimento na expansão e manutenção da rede de saneamento nas aldeias e zonas rurais, garantindo que os esgotos domésticos não continuam a ser uma fonte de poluição difusa para o rio.
  1. Educação Ambiental e Consciencialização

A proteção do rio é um esforço de toda a comunidade.

  • Campanha “O Nosso Rio, O Nosso Tesouro”: Lançar uma campanha de consciencialização massiva e contínua que utilize outdoors, redes sociais e escolas. O foco deve ser na sensibilização para as consequências dos atos de poluiçã
  • Adoção de Margens: Criar um programa para que escolas, associações locais e empresas “adotem” troços das margens do Vez. Estas entidades ficam responsáveis pela limpeza e monitorização periódica desses troços, em parceria com o Município, criando um sentido de propriedade cívica do rio.

A proteção do Rio Vez exige menos promessas e mais ação disciplinada e contínua por parte do Município para garantir que este património natural é preservado para as futuras gerações.

Augusto Pinto Osório:

O dever do estado é também de vigiar, corrigir e agir para que não exista tantas ameaças ambientais.

 

Ó Arcos de Valdevez

Em Arcos de Valdevez faz-se Ó de admiração ou faz-se ÓÓ de bocejar de aborrecimento?

João Braga Simões:

Acho que os arcuenses não estão a dormir.

Luís Rocha:

As duas! Embora entenda que seria ótimo fazer Ó de admiração no bom sentido. Seria um sinal claro que as decisões políticas estavam coadunadas com a vontade dos arcuenses.

Augusto Pinto Osório:

Arcos só pode ser um Ò de admiração pela sua beleza e ambiente naturais, necessário é sabermos preservar a riqueza que temos.

 

P de Parque Automóvel

Os lugares de estacionamento não respondem às necessidades do crescente parque automóvel  em Arcos de Valdevez. O que propõe para os próximos quatro anos?

João Braga Simões:

A mobilidade a pé deve ser promovida. Porque favorece o comércio local, promove a saúde cardiovascular e diminui as emissões de carbono. A solução de estacionamento com menos impacto no centro urbano seria, sempre, subterrânea. Foi essa a nossa proposta.

Luís Rocha:

A pressão do parque automóvel crescente sobre o estacionamento é um problema clássico de desenvolvimento urbano que afeta o comércio local e a qualidade de vida no centro da vila de Arcos de Valdevez.

A solução não passa apenas por criar mais lugares, mas por uma gestão inteligente do espaço que priorize os residentes, o comércio e a mobilidade suave. A intervenção nos próximos quatro anos deve ser estrutural e equilibrada.

  1. Otimização e Gestão da Oferta Existente

Antes de construir, é preciso usar o que já existe de forma mais eficiente.

  • Implementação de Zonas de Duração Limitada (Zonas Azuis): Expandir e gerir com rigor as zonas de estacionamento no centro da vila (em torno das principais áreas comerciais). O objetivo é promover a rotatividade, evitando que os lugares mais centrais sejam ocupados todo o dia pelos mesmos veículos.
    • Isto beneficia o comércio, pois facilita o acesso dos clientes. A fiscalização deve ser ativa para garantir o cumprimento.
  • Parques de Proximidade (Shuttle): Promover os parques de estacionamento existentes ligeiramente mais afastados do centro (ex: perto da Casa das Artes ou do Transládario) como a opção prioritária para quem trabalha na vila e precisa de estacionamento diário. Estudar a possibilidade de um serviço de shuttle (mini-autocarro) circular em horários de ponta para ligar estes parques à zona central.
  • Estacionamento para Residentes (Adesivos): Criar e demarcar claramente zonas exclusivas ou prioritárias para residentes na área central, através de um sistema de adesivos ou dísticos anuais, garantindo que quem vive no centro não é penalizado pela afluência diária de visitantes e trabalhadores.
  1. Criação de Nova Oferta Estratégica

A intervenção deve ser focada em soluções estruturais, e não apenas na superfície.

  • Estudo de Parque Subterrâneo: Avaliar a viabilidade técnica e financeira da construção de um parque de estacionamento subterrâneo numa localização nevrálgica do centro (ex: sob uma praça existente). Esta solução é mais cara, mas liberta espaço de superfície para zonas pedonais e esplanadas, melhorando a vivência urbana.
  • Aproveitamento de Terrenos Periféricos: Negociar com proprietários privados a cedência ou arrendamento de terrenos não edificados nas zonas limítrofes do centro (a 5-10 minutos a pé) para a criação de bolsas de estacionamento económico/gratuito, desviando o trânsito de longa duração do miolo da vila.
  1. Priorização da Mobilidade Suave

A longo prazo, reduzir a dependência do automóvel particular é a única solução sustentável.

  • Rede de Ciclovias e Percursos Pedonais: Investir na criação de ligações pedonais e cicláveis seguras entre os bairros periféricos, as escolas, as zonas industriais e o centro da vila. Quanto mais fácil for caminhar ou andar de bicicleta, menos pessoas usarão o carro para trajetos curtos.
  • Bicicletas de Uso Público: Implementar um pequeno sistema de bicicletas partilhadas (tradicionais e elétricas, dada a topografia do concelho) para incentivar a mobilidade de proximidade.

Em suma, a proposta é gerir a escassez através da rotatividade e da disciplina nas zonas de comércio, e criar oferta estratégica que, em simultâneo, valorize o espaço público e promova formas de deslocação mais sustentáveis.

Augusto Pinto Osório:

O CDS PP tem desde sempre chamado a atenção para este assunto, mas com estamos numa Autarquia governada por maioria, simplesmente temos falado para as paredes do autoritarismo Camarário.

 

Q de quero, posso e mando

De qual cargo  vai abdicar para ser Presidente da Câmara a tempo inteiro?

João Braga Simões:

Sendo médico e ficando legalmente impossibilitado de acumular funções durante o período em que estiver em missão na Câmara Municipal, terei de abdicar temporariamente da Medicina. No dia seguinte a terminar a minha missão como presidente de Câmara, voltarei satisfeito ao meu consultório para ver doentes. Costumo dizer que ser presidente de Câmara é tratar da saúde do concelho.

Luís Rocha:

Arquiteto.

Augusto Pinto Osório:

Sou reformado da Banca e sou proprietário de um quinta com Turismo e Vinhas.

 

R de resposta

Qual é a capacidade de resposta da sua equipa no combate ao desemprego em Arcos de Valdevez?  

João Braga Simões:

Reprogramar as Zonas industriais para torná-las mais apetecíveis para indústrias de alto valor acrescentado, como a bio-farmacêutica.

Luís Rocha:

A capacidade de resposta da nossa equipa no combate ao desemprego em Arcos de Valdevez não se mede apenas em números, mas na forma como abordamos o problema: não com subsídios, mas com a criação de valor económico sustentável e oportunidades de fixação.

O desemprego aqui é, em grande parte, um problema de desertificação e de falta de correspondência entre a oferta (jovens qualificados) e a procura (empresas com baixos salários e pouca inovação).

A nossa estratégia de combate ao desemprego é de dupla via, atuando simultaneamente na criação de emprego e na qualificação e atração de talento.

  1. Criação de Emprego Focado na Fixação de Valor

O emprego gerado deve ser de qualidade e contribuir para o desenvolvimento sustentável do concelho.

  • Incentivo à Economia da Natureza e do Património: Arcos de Valdevez tem um ativo inigualável no Rio Vez e no Parque Nacional Peneda-Gerês (ex: Sistelo). A nossa prioridade é atrair e apoiar empresas que criem empregos de valor em:
    • Turismo de Natureza Sustentável: Guias, hostels rurais de qualidade, empresas de atividades de ar livre.
    • Valorização da Floresta e da Agricultura: Apoio a projetos de reconversão florestal e de produção agrícola biológica e de nicho (ex: Carne Cachena, Laranja de Ermelo).
  • “Fundo de Ideias Arcuenses”: Criar um fundo de capital semente municipal (ou em parceria com a Comunidade Intermunicipal) para jovens empreendedores que queiram fixar-se e criar o seu próprio emprego em Arcos de Valdevez. O financiamento não é apenas monetário, mas também em mentoria e apoio logístico nos primeiros anos.
  • Apoio Estratégico à Indústria: Manter o diálogo permanente com o tecido industrial e os Polos Empresariais, focando o apoio municipal em empresas que invistam em inovação tecnológica e em I&D, pois estas são as que oferecem salários mais competitivos e empregos mais qualificados.
  1. Qualificação e Atração de Talento

Combater o desequilíbrio entre as competências disponíveis e as necessárias.

  • “Programa Regressar a Valdevez”: Lançar um programa ativo de contacto com jovens arcuenses a estudar ou a trabalhar fora do concelho.
    • Divulgação de Ofertas: Usar as redes sociais e e-mail para divulgar as ofertas de emprego mais qualificadas do concelho.
    • Bolsa de Fixação: Estudar a atribuição de um pequeno incentivo municipal ou apoio à habitação (voucher) para jovens qualificados que aceitem trabalhar ou abrir o seu próprio negócio no concelho por um período mí
  • Ajuste da Formação Profissional: Em parceria com as escolas e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), reorientar a oferta de cursos e workshops para as áreas que o concelho realmente precisa (ex: técnicos de turismo de natureza, gestão florestal, marketing digital para o comércio local), em vez de formações gené
  • Teletrabalho (Coworking Rural): Como mencionado anteriormente, criar espaços de coworking de qualidade nas aldeias e no centro da vila, equipados com Internet rápida. Esta é uma forma de “importar” empregos de alto valor que já existem, fixando famílias e injetando poder de compra na economia local.

A nossa capacidade de resposta é elevada, mas ela exige paciência e uma visão de longo prazo. Só com empregos de qualidade e a valorização dos nossos ativos (natureza e cultura) conseguiremos inverter a espiral do desemprego e da desertificação.

Augusto Pinto Osório:

Trabalhar para haver mais empresários a investir no Arcos, mas tentar que seja emprego qualificado. Uma das propostas há vários anos do CDS PP e a baixa de impostos para as empresas e mesmo para o IRS, no sentido de atrair empresas e pessoas para os Arcos.

 

S de sabores

Os produtos agrícolas de Arcos de Valdevez não conseguem chegar ao Mercado Municipal, ficando muitas vezes a apodrecer na terra de quem os têm.

Que medidas adoptaria para inverter esta situação e competir com as grandes superfícies nos produtos frescos?

João Braga Simões:

Antes de mais, ouvir os produtores. Perceber de que forma a Cooperativa Agrícola pode também ter aqui um papel. Averiguar se outras formas de associação de produtores pode tornar mais ágil a introdução destes produtos noutros mercados, e não apenas em Arcos de Valdevez.

Luís Rocha:

Esta é uma questão vital que liga a economia rural, a sustentabilidade e a identidade de Arcos de Valdevez. Se os produtos agrícolas apodrecem na terra, falha toda a cadeia de valor. O desafio é complexo, pois exige não só levar o produto ao mercado, mas também valorizá-lo e torná-lo competitivo face às grandes superfícies.

Para inverter esta situação, é preciso uma estratégia de três pilares: Logística e Proximidade, Valorização da Marca Local, e Digitalização da Distribuição.

  1. Logística e Proximidade (Mercado Municipal + Aldeias)

O problema não é só o Mercado Municipal; é a falta de canais de venda próximos.

  • Mercado Municipal Renovado e Dinamizado: O Mercado deve deixar de ser um espaço está
  • Horário Adaptado: Rever o horário do Mercado Municipal para o tornar mais atrativo (ex: abertura em horários mais tardios ou em dias específicos) para a população trabalhadora e o turismo.
  • “Dia do Produtor Arcuense”: Criar um dia semanal ou quinzenal exclusivo para produtores locais, com regras claras de rastreabilidade, onde o Município faça uma forte campanha de marketing para atrair compradores, garantindo que o produto é fresco do campo.
  • “Cabazes de Proximidade” (Ponto de Recolha): Em parceria com as Juntas de Freguesia, criar “Pontos de Recolha” nas aldeias. Os produtores deixam os seus cabazes nessas Juntas em horários definidos, e os consumidores locais ou da sede do concelho deslocam-se à aldeia para os levantar, descentralizando a distribuição e incentivando a visita ao interior.
  • Apoio Logístico Municipal: Analisar a possibilidade de o Município, ou uma cooperativa criada com o seu apoio, fornecer um serviço logístico simplificado de recolha e transporte dos produtos da aldeia para o Mercado Municipal, eliminando este obstáculo para os pequenos produtores (muitas vezes idosos).
  1. Valorização e Diferenciação da Marca Local

Competir com as grandes superfícies não é por preço, mas por qualidade, origem e identidade.

  • “Selo Km 0 Valdevez”: Criar um selo ou certificação municipal para produtos agrícolas vendidos no Mercado e nos circuitos curtos que atestem a sua origem no concelho e o seu caráter sazonal. Este selo deve ser associado a uma forte campanha de marketing que reforce a confiança do consumidor.
  • Parceria com Restauração Local: Lançar um programa que ligue os produtores agrícolas aos restaurantes e unidades de alojamento de Arcos de Valdevez. Os restaurantes seriam incentivados a usar o selo “Cozinhamos com Produtos Arcuenses”, garantindo escoamento e um preço justo ao produtor.
  • Especialização e Rastreabilidade: Apoiar a especialização em produtos de nicho e de valor acrescentado (ex: laranjas de Ermelo, mel local, batatas de altitude, couves galegas) e garantir a sua rastreabilidade, o que justifica um preço superior nas grandes superfícies e em mercados gourmet.
  1. Digitalização e Venda Direta

Modernizar a forma como o produtor se liga ao consumidor.

  • Plataforma de Venda Online: Criar uma plataforma online (website ou app) simples, gerida pela Câmara ou por uma associação de produtores, onde os agricultores possam listar e vender os seus produtos para entrega em casa (serviço municipal) ou para recolha no Mercado/Juntas de Freguesia.
  • Formação em Marketing Digital: Oferecer formação direcionada aos produtores (muitas vezes com idade avançada) sobre como usar a plataforma online e as redes sociais para promover os seus produtos e fazer gestão de encomendas, ajudando-os a ultrapassar a barreira tecnoló

A inversão da situação exige ver o agricultor não apenas como produtor, mas como empresário. O Município deve atuar como facilitador logístico, promotor de marca e elo de ligação à restauração e ao consumidor final.

Augusto Pinto Osório:

A Câmara incentivar e apoiar o Associativismo para dar resposta à recolha e venda desses produtos nos Arcos e nas cidades que tanta procura têm esses produtos mais biológicos.

 

T de Turismo

O Algarve sucumbiu ao turismo, perdendo a sua identidade. Como vai proteger a identidade do minhoto concelho de Arcos de Valdevez do desenvolvimento turístico dos últimos anos?

João Braga Simões:

Julgo que ainda estamos longe desse cenário. Até ao momento, o Minho continua a atrair turistas, exactamente pela sua autenticidade e cultura. A maior parte das estadias são feitas em turismo de habitação, que preserva toda a identidade da terra, muitas vezes até das famílias anfitriãs. E é assim que se deve manter.

Luís Rocha:

Esta é uma preocupação vital. O exemplo do Algarve, onde o turismo de massas e a construção desordenada diluíram a identidade local, serve de alerta para Arcos de Valdevez. O nosso concelho, com a beleza do Rio Vez e a riqueza do Parque Nacional Peneda-Gerês (incluindo o Património Agrícola Mundial de Sistelo), atrai cada vez mais visitantes.

A chave é garantir um Turismo de Identidade e de Qualidade, que sirva o concelho e não que o concelho sirva o turismo.

A proteção da identidade arcuense face ao desenvolvimento turístico assenta em quatro pilares de sustentabilidade e regulação:

  1. Regulação do Alojamento e da Habitação

Proteger os residentes e o tecido social da especulação imobiliária.

  • “Quota de Alojamento Local” em Zonas Críticas: Estudar a implementação de um limite ou quota ao número de licenças de Alojamento Local (AL) nas áreas mais sensíveis, como o centro da vila e as aldeias históricas (ex: Sistelo e Soajo). O objetivo é garantir que a habitação continua a ser acessível aos residentes e que o comércio de proximidade não é substituído por lojas de souvenirs.
  • Incentivo ao Arrendamento de Longa Duração: Criar mecanismos de benefício fiscal municipal (isenção de IMI ou redução de taxas) para proprietários que retirem imóveis do AL e os coloquem no mercado de arrendamento de longo prazo.
  • Fiscalização da Tipologia Construtiva: Ser inflexível na aplicação do Plano Diretor Municipal (PDM) e dos regulamentos urbanísticos, garantindo que a nova construção e a reabilitação turística mantêm os traços arquitetónicos e os materiais tradicionais do Minho (pedra, madeira), evitando construções dissonantes com a paisagem.
  1. Priorização do Turismo de Natureza e Identidade

Fomentar um modelo de turismo que valorize o que é genuíno.

  • Turismo da Experiência e da Época Baixa: Focar a promoção municipal na atração de um turista que procure a natureza, o bem-estar e a gastronomia – um turista que gasta mais, mas que tem uma menor pegada ecoló
  • Valorização dos Roteiros do Vez e das Aldeias: Investir na sinalização e manutenção dos percursos pedestres e cicláveis (ex: Ecopista do Vez), garantindo que as aldeias e o pequeno comércio local são integrados nos roteiros, descentralizando o fluxo turí
  • Selo “Produtos Arcuenses”: Garantir que a restauração turística é incentivada a consumir os produtos agrícolas locais (como o proposto no ponto anterior), integrando o turismo na economia rural e garantindo que o dinheiro do visitante fica no concelho.
  1. Proteção Ativa do Património Natural

O Rio e a Floresta são a razão de ser do nosso turismo.

  • Capacidade de Carga do Peneda-Gerês: Em articulação com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), monitorizar e, se necessário, limitar a afluência de visitantes a pontos sensíveis do Parque, evitando a degradação e o lixo nos locais mais procurados.
  • “Tolerância Zero” no Vez: Reforçar a fiscalização de descargas e lixo no Rio Vez (como abordado anteriormente) e promover a sensibilização do turista. O Município deve exigir respeito pelo património natural, não apenas promovê-lo.

O desenvolvimento deve ser amigo da identidade. A nossa identidade minhota, rural e natural não pode ser uma mera atração turística; tem de ser a espinha dorsal do nosso modelo de desenvolvimento.

Augusto Pinto Osório:

Tratando que as populações existentes permaneçam nos Arcos, pois é a população residente que mais salvaguarda as tradições e cultura da nossa região. Mas não é isso que tem acontecido nos Arcos, bem pelo contrário, temos perdido população.

 

U de universidade

Para quando um pólo da UM em Arcos de Valdevez? O sonho parece-lhe fazível ou impossível?

João Braga Simões:

A ligação ao ensino superior, num território como este, deve alargar-se a várias instituições e não apenas a uma. Num território de fronteira com a Galiza, com várias universidades e politécnicos, a aposta deve passar pela criação de centros de investigação cooperantes.

Luís Rocha:

Não acredito que o sonho de um campus clássico da UM seja fazível a curto prazo, dada a concentração em Braga e Guimarães.

No entanto, um Pólo de Excelência, Especializado em Sustentabilidade e Gestão de Território, com cursos de pós-graduação e CTeSP, em parceria com a UM, é perfeitamente fazível nos próximos anos, se a Câmara assumir este projeto com a determinação e a estratégia necessárias. Seria um investimento no futuro e na fixação de uma nova geração de arcuenses qualificados.

Augusto Pinto Osório:

Quando temos Universidades do interior que ficaram com muitas vagas por preencher é necessário haver alguma prudência neste assunto. Creio que faltam mais cursos técnicos, aconselhados pelas empresas já existentes, para termos mais emprego e não pessoas com formação académica, mas sem emprego.

 

V de Violência Doméstica

A violência doméstica vai finalmente ser debatida na Assembleia da República. O que se propõe a fazer em Arcos de Valdevez para a combater?

Luís Rocha:

Que a violência doméstica chegue ao debate central da Assembleia da República é um sinal positivo, mas a ação mais crucial deve ser sempre no plano local, junto das vítimas, das famílias e dos agressores. A violência doméstica é a forma mais extrema de desigualdade e de insegurança, e Arcos de Valdevez tem o dever de ser uma rede de segurança para todos os seus munícipes.

O combate a este flagelo em Arcos de Valdevez deve assentar num triângulo de ação: Apoio Imediato e Segurança, Sensibilização Preventiva e Intervenção Coordenada.

  1. Apoio Imediato e Reforço da Segurança

Garantir que as vítimas têm uma resposta rápida, segura e discreta.

  • Reforço do Gabinete de Apoio à Vítima (GAV): O GAV municipal deve ter recursos humanos e financeiros para operar de forma eficaz. Isso inclui psicólogos, assistentes sociais e juristas especializados em violência doméstica e de gé O atendimento deve ser garantido em total sigilo e com horários alargados e flexíveis, adaptados à realidade da vítima.
  • Protocolo de Encaminhamento Rápido (Abrigo): Criar e publicitar um protocolo de emergência, em parceria com as forças de segurança (GNR), que permita o encaminhamento imediato e discreto de vítimas (e seus filhos) para Casas de Abrigo ou locais seguros, mesmo fora do concelho, se necessário. Este protocolo deve incluir apoio logístico (transporte e fornecimento de bens essenciais).
  • Rede de Proximidade (Juntas de Freguesia): Capacitar e envolver as Juntas de Freguesia para atuarem como pontos de contacto de primeira linha. Os seus funcionários, devidamente formados, devem ser capazes de identificar sinais de alerta e de encaminhar a vítima de forma discreta para o GAV, funcionando como um radar social, sobretudo nas aldeias mais isoladas.
  1. Sensibilização e Prevenção Ativa

A prevenção passa por mudar mentalidades e desconstruir a tolerância social.

  • Programas Escolares de Género e Afetos: Levar programas obrigatórios de educação para a igualdade de género, relações saudáveis e afetividade a todas as escolas do concelho, desde o primeiro ciclo. O objetivo é desmistificar o papel do homem e da mulher e combater o ciclo da violência desde a infância e adolescência.
  • Campanhas de Desmistificação: Promover campanhas municipais de sensibilização pública que visem os mitos da violência doméstica (ex: “é um assunto de família”) e que incentivem os vizinhos e a comunidade a denunciar e não a calar. Utilizar os meios de comunicação locais e redes sociais para chegar a toda a populaçã
  • Intervenção com Agressores (Prevenção Secundária): Embora a responsabilidade primária seja do Estado, o Município deve apoiar (logística ou financeiramente) programas de reabilitação e acompanhamento de agressores que tenham sido sujeitos a medidas de coação. Intervir no agressor é essencial para quebrar o ciclo de violência nas famílias.
  1. Coordenar a Rede Local

O combate só é eficaz se todos os intervenientes trabalharem em conjunto.

  • Criação da Comissão Municipal de Combate à Violência Doméstica: Formalizar a criação desta comissão, reunindo periodicamente o GAV, a GNR, as IPSS, a Saúde e a Educação. Esta comissão deve partilhar dados (respeitando o sigilo) e coordenar as ações de forma a garantir que a vítima não se perde no sistema.

Em Arcos de Valdevez, o combate à violência doméstica tem de ser um compromisso de todos. A Câmara tem de ser o guarda-chuva que coordena e protege, assegurando que ninguém se sente sozinho no meio da tragédia.

Augusto Pinto Osório:

A aprendizagem no secundário deveria investir e promover o respeito mutuo e estar atenta e repreender tudo o que seja atitudes e comportamentos desviantes nessa área.

 

Xeque Mate

Como se faz xeque mate no jogo político? Fê-lo para estas eleições?

João Braga Simões:

O jogo ainda decorre neste Xadrez político. Duma coisa eu estou certo, coloquei as melhores peças em campo. Os arcuenses podem confiar que temos equipa para gerir os destinos desta terra.

Luís Rocha:

Essa é uma metáfora poderosa e muito comum no discurso político, mas é importante adaptá-la à realidade de uma eleição democrática local, onde o objetivo não é “destruir” o adversário, mas ganhar a confiança dos eleitores e mudar o modelo de gestão.

Num jogo de xadrez, o xeque-mate é a jogada final que impossibilita a defesa do Rei. Na política, podemos traduzir isso como o momento em que a proposta alternativa se torna inegavelmente superior e necessária aos olhos da maioria.

Como se Faz Xeque-Mate no Jogo Político (Estratégia)

O “xeque-mate” na política local de Arcos de Valdevez faz-se através de três movimentos cruciais que anulam as vantagens do poder instalado:

  1. O Xeque no Discurso da Estabilidade (Oposição à Estagnação)

O partido no poder há 50 anos usa a estabilidade como argumento principal. O nosso “xeque” é demonstrar que essa estabilidade se transformou em estagnação e acomodação.

  • Ataque ao Problema Estrutural: Focar o debate nos problemas que persistem apesar da estabilidade:
    • Faturas da água elevadas.
    • Florestas que ardem todos os anos.
    • A perceção de enriquecimento e falta de transparência (“Aqui há gato!”).
    • O Movimento: Mostrar que a continuidade só garante a manutenção destes problemas, e que a alternância é a única via para a mudança estrutural.
  1. O Xeque na Ausência de Transparência (Abertura Total)

A desconfiança dos munícipes só se combate com transparência total. Este é o movimento mais forte contra um poder instalado há décadas.

  • Abertura de Dados: Prometer um Portal da Transparência onde todos os contratos, ajustes diretos e faturas sejam acessíveis e compreensíveis por qualquer cidadã
  • Controlo Independente: Comprometer-se com auditorias externas independentes e a criação de um canal seguro para denúncias.
  1. O Xeque nas Aldeias (Descentralização e Proximidade)

O poder centralizado na sede do concelho ignora a riqueza das freguesias e aldeias.

  • Valorização das Juntas: Não prometer apenas obras na vila, mas focar na revitalização das Juntas de Freguesia, dando-lhes mais autonomia e recursos para agir como motor de progresso local (logística para os produtos agrícolas, espaços de coworking). O “xeque” é mostrar que as aldeias estão cansadas de esperar pela sede.

O Xeque-Mate para Estas Eleições

Para estas eleições, não se trata de declarar o “xeque-mate” antes do voto, mas de o preparar com uma campanha que execute estes movimentos:

  1. Denunciar os Pontos Fracos (Água, Incêndios, Corrupção), provando que o modelo falhou.
  2. Apresentar uma Visão Alternativa (Transparência, Valorização Agrícola, Educação), que é inegavelmente melhor.
  3. Mobilizar a Base de Mudança (Jovens, Aldeias e Comerciantes), que exige um novo modelo de gestã

O xeque-mate político só se concretiza no dia da eleição, quando o eleitor, farto da inércia, decide que a proposta de mudança é o único caminho razoável para o futuro de Arcos de Valdevez. O nosso trabalho é garantir que essa escolha é clara e convincente.

Augusto Pinto Osório:

Só com a alteração das mentalidades das pessoas. Deixarem de votar no seu clube (Partido) e verem quem melhor os pode servir e não se servir. Continuo a dizer que as pessoas deveriam ter mais consciência em quem votam e não votarem pois é o seu clube. Como exemplo, nas ultimas legislativas quando estava a fazer campanha, quando pedi a um senhor para não votar no partido Socialista, pois já nos tinha levado três vezes à banca rota e luto politicamente para melhor futura dos meus quatro filhos, me disse “não o PS nunca levou o Pais para a banca rota”.

 

Z

De Z a A, escolha o livro da sua vida e explique a escolha.  

João Braga Simões:

É difícil escolher. Gosto muito de ler. De Saramago a Steinbeck. Tantos outros.

Recordo sempre as Vinhas da Ira, pela descrição dramática das agruras de uma família que procura melhores oportunidades numa viagem rumo a uma espécie de terra prometida, enfrentando a miséria e o preconceito. Um livro que tem um final desconcertante e inesquecível.

Mais actualmente, vivo invadido pelas inquietações que o Triunfo dos Porcos de Orwell me gerou da primeira vez que o li, há uns anos atrás. É estranha esta sensação de que estamos constantemente na iminência de um cenário destes saltar das páginas de um livro para a realidade.

Luís Rocha:

É um desafio enorme escolher apenas um livro para representar “o livro da minha vida”, especialmente no contexto de um projeto político que exige ambição e realismo. No entanto, se tivesse de escolher uma obra que melhor simboliza a minha filosofia de ação e governação para Arcos de Valdevez, seria: O Livro: A Arte da Guerra. Autor: Sun Tzu

A escolha desta obra clássica da estratégia militar chinesa pode parecer inesperada para a política local, mas A Arte da Guerra é, fundamentalmente, um manual sobre gestão de recursos, planeamento e eficiência. É a antítese do desperdício e da improvisação, que são os maiores inimigos da boa governação.

  1. Prioridade à Prevenção, Não ao Combate

“A suprema arte da guerra é subjugar o inimigo sem lutar.”

Na política, isto significa resolver os problemas na origem, antes que se tornem crises.

  • Exemplo na Floresta: O “combate” são os meios aéreos no verão. A “prevenção” é a gestão florestal no inverno. O nosso foco tem de ser a prevenção estrutural, que é mais barata e mais eficaz a longo prazo.
  • Exemplo na Corrupção: O “combate” são os tribunais. A “prevenção” é a transparência total e as auditorias.
  1. Conhecer o Terreno e o Inimigo (Os Problemas)

“Se conheces o inimigo e a ti mesmo, não precisarás de temer o resultado de cem batalhas.”

Não podemos governar Arcos de Valdevez sem um conhecimento profundo e factual dos nossos problemas (o “inimigo”):

  • Saber exatamente onde estão as descargas ilegais no Rio Vez.
  • Conhecer a estrutura de custos exata que faz as faturas da água serem elevadas.
  • Identificar os gargalos logísticos que impedem os produtos agrícolas de chegar ao Mercado.

A nossa governação será baseada em dados e conhecimento técnico, e não em opiniões ou promessas vazias.

  1. Gestão Eficiente de Recursos

“Um general inteligente sabe transformar o alimento do inimigo em seu próprio alimento.”

Arcos de Valdevez, sendo um concelho do interior, tem recursos limitados. A estratégia exige que os aproveitemos ao máximo e os usemos de forma cirúrgica:

  • Transformar o desperdício de água (perdas na rede) em poupança para os munícipes.
  • Transformar a força das Juntas de Freguesia (proximidade) no motor de desenvolvimento das aldeias.
  • Transformar a identidade natural (Peneda-Gerês) numa vantagem competitiva para atrair turismo e investimento de qualidade.

Em suma, A Arte da Guerra é o livro da minha vida política porque defende uma abordagem de estratégia inteligente, eficiência máxima e resolução pacífica e estrutural dos problemas, exatamente o que Arcos de Valdevez necessita para progredir após um longo período de estagnação.

O meu compromisso é com a eficiência e a vitória sobre os problemas do concelho.

 Augusto Pinto Osório:

O único exemplo de HOMEM que sigo na vida. A BIBLIA.

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