Estamos numa época em que a falta de tempo nos obriga permanentemente a adiar a resolução de alguns problemas. Deixamos por vezes, para depois, aquilo que mudaria radicalmente a nossa qualidade de vida.
O dia, a semana, o mês e o ano, passaram rapidamente e de repente encontramo-nos com 70 ou 80 anos sem aproveitarmos corretamente esse tempo.
Como sabemos que o tempo não para, temos que tomar as nossas opções. Ficamos presos assim, a assuntos que deveriam ter sido resolvidos anteriormente. Por isso, naquele momento, vamo-nos desviar dos valores da família ou do lazer além ficarmos em “stress” desnecessário.
Eles, por verificarem o nosso desinteresse, pensaram que não queríamos mais pertencer a esse ciclo de amizades. Quando nos apercebemos, até o amor das nossas vidas nos deixou porque desleixamos a preferência da sua presença. Mas o tempo não recua e aquela mágoa fica para sempre.
Nunca evite fazer aquilo que lhe dá prazer, por falta de tempo. Não deixe de viver a solidão ou partilhar a vida com alguém, só porque não é oportuno.
Mais tarde ou mais cedo, a família ficará reduzida porque os seus filhos também desejaram ter o seu lar. No futuro ficará certamente mais só, logo, deve preocupar-se com o seu próprio tempo sem o deixar para depois.
A palavra “depois” deve ser eliminada. Deriva do latim de + post e do galego/português medieval “depoys”. É um advérbio de tempo ou de lugar. Mas é mais o tempo que nos perturba a vida.
https://dicionario.priberam.org/depois
– Depois telefono-te;
– Depois vou fazer;
PUB– Depois digo-te;
– Depois modifico;
– Depois paro para pensar nisso.
O pior é que depois:
– A prioridade muda;
– Perde-se o encanto;
– É tarde;
– As coisas mudam;
– Os filhos crescem;
– As pessoas envelhecem;
– Esquecem-se as promessas;
– E a vida acaba.
Já agora lembramos:
Fernando Pessoa disse: “Querer não é poder. Quem pôde, quis antes de poder só depois poder. Quem quer nunca há de poder, porque se perde em querer.”
Para Confúcio: “A nossa maior glória não reside no facto de nunca cairmos, mas sim em levantarmo-nos sempre depois de cada queda.”
Será que o grande problema dos nossos governantes é: “deixarem para depois aquilo que já hoje é urgente?”


