E não foram os militares que nos abriram as portas…?

Quem tem medo dos militares? Sim! Quem teme e treme, sempre que um militar emite a sua opinião, ou publicamente dá um murro na pepineira política nacional.

Ingratos? Os indígenas portugas, na sua maioria, ou melhor, na sua grande e larga maioria, não são ingratos com os militares. Quanto muito, ou são cobardemente indiferentes, ou servilmente respeitosos. A ‘tropa’, as fardas, por cobardia, são para tidas pelo ‘macho’ latino, cá do quintal à beira mar especado, como gente bronca e a quem as armas dão um poder que faz temer. Daí que somando cobardia com inveja, outra das virtudes nacionais, encontrada está a liga que encadeia o coro dos temerosos ingratos que anima os títulos dos noticiários televisivos, ou as parangonas dos jornais. O Almirante que colocou ordem na campanha de vacinação contra o Covid, anunciou que vai mesmo ‘anunciar’ a sua candidatura à Presidência da República.

Que horror. Então não é que o Senhor Almirante Gouveia e Melo, a dois dias de encerrar a campanha eleitoral para uma nova legislatura, sem mais aquela, resolveu, ou entendeu, que devia acabar com mais especulações, ou até as sempre ‘fugas’ para a comunicação social, e ser ele a dizer o que quer e como quer! Meu Deus! O que o ele foi fazer. Não deu contas aos partidos, mandou às malvas certos oráculos, ignorou pura e simplesmente o ‘sistema’ instalado e, vai de dar por finda a campanha sibilina de mal-dizer que o tinha como mote e alvo. Isso não se faz, gritou o coro dos ‘entendidos’ nestas coisas de candidatos e candidaturas a cargos de topo na estrutura do Estado. Que horror!

Não tenho pelo senhor Almirante nem mais nem menos consideração que por um outro qualquer militar de outra qualquer arma. Como cidadão, devo-lhe um agradecimento pelo bom trabalho feito na campanha de vacinação. Como pessoa que acompanha a vida cá do quintal, reconheço o quanto elevou o sentido de responsabilidade no exercício funções militares, como serviço público, para servir a causa pública, e não, servirem-se dela. Modernizou, o possível, e disso deu destaque publico, aquilo que a Marinha pode fazer na área da defesa que lhe cabe. Fez e mostrou, que quando o homem quer, e sabe, a obra acontece. Foi dinâmico? Claro! E porque se atreveu a sê-lo num país de bananas, de treinadores de bancada, de gente mal-disposta, zangada com os outros, porque não têm espelhos em casa, ou se os têm, têm medo de se olharem neles, o Senhor Almirante virou bombo de festa. Num país onde todos têm ‘direitos’, sem ‘deveres’, o Senhor Almirante, agora que está na reserva, parece que não tem o direito de escolher o seu caminho, de querer ser candidato à Presidência da República, sem que primeiro tenha o ‘dever’ de ser sacralizado pelo ‘sistema’ que só existe, porque os militares lhe abriram as portas. Tenham juízo meus senhores! Juízo e cuidado.

 

GOSTA DESTE CONTEÚDO?
Manso Preto

PS: – Este texto foi escrito para sair na edição do Minho Digital anterior à eleição para uma nova legislatura. Penso que não perdeu oportunidade, Pelo menos da minha parte, em dizer, escrever o que penso do que conheço e vejo neste nosso lindo, simpático e sereno Portugal. Contados os votos, vivemos uma nova e diferente realidade na composição representativa na Assembleia da República. A Democracia tem a enorme virtude de se reinventar, de dentro dela congregar até aqueles que a dizem abominar, mas que só dentro dela lhes consentem existirem. Felizmente estamos na Europa, na Comunidade Europeia, onde apesar dos bu(r)rocratas, a Liberdade ainda é um Valor sagrado.

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