E que a política continue

Depois de anos e anos a votar para nada, esta arquitetura político-partidária vigente nunca me deu hipóteses de o meu voto valer para qualquer coisa, nem para eleger o presidente da junta. Cansei-me, afinal ir votar para quê, se houvesse, ao menos, um círculo nacional em que todos os votos contassem, ainda me dava ao trabalho de ir às urnas; agora assim não!

Também, pelos vistos, não faço falta nenhuma e depois é assim: se esta democracia me exclui, porque não hei-de eu excluí-la também da minha cidadania?!

Não lhe faço falta, também ela não me faz falta nenhuma a mim, estamos pagos, a Reforma vai-me chegando sem preocupações até ao fim do mês.

Quando o SNS não me responde, vou ao privado, isto dói-me, mas é assim mesmo, podem acenar-me com a solidariedade para com os mais desprotegidos, é um facto, mas individualmente vou calando a minha consciência e não tenho que passar cartão a ninguém, agora não me peçam é para que publicamente dê o meu apoio a esta democracia miserável.

Jjá chega, e não é o meu voto que vai impedir o que quer que seja  na sua evolução, nem para melhor nem para pior, pois, como acima afirmei, ele não conta para nada, vejo com preocupação a subida eleitoral e a maior  influência social dos partidos da extrema direita, mas não é com menor preocupação que vejo a pungente ineficácia da actuação dos partidos de esquerda, o meu natural espaço ideológico, e mesmo dos chamados partidos do arco da governação, o que eles inventam!!!

Depois de reafirmar e refrescar as minhas convicções sociais, nomeadamente que o Socialismo é o caminho e de que este não chegará sem a luta popular, é para mim dado adquirido, a forma como essa luta se expressará não sei, sei que não lhe vejo os contornos, mas quem sabe, tenho que talvez através de pequenos passos, pequenas vitórias, não esquecendo o preceito marxista de que a quantidade irá produzir a qualidade.

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Manso Preto
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