Dizem que o feminismo é a luta pela igualdade.
Acontece que essa tal igualdade parece ter um GPS um pouco desorientado. Nunca chega às minas, aos esgotos ou aos andaimes. Curioso. Quando se trata de cargos em conselhos de administração, aí sim, a igualdade corre, salta e exige quotas, mas quando se trata de morrer em guerras, recolher lixo ou reparar linhas de alta tensão, a igualdade, coitadinha, fica em casa a descansar.
Depois temos a narrativa da opressão. Segundo algumas iluminadas, vivemos num sistema patriarcal opressor que, estranhamente, permite que elas digam isso em público, em conferências, nas redes sociais, com microfone, patrocínio, financiamento e aplausos. Um patriarcado deveras incompetente, diga-se. Outros regimes opressores eliminavam os dissidentes. O nosso, em vez disso, oferece bolsas de estudo.
E há ainda o mistério fascinante da “libertação sexual”. Dizem que agora a mulher é livre. Livre para se expor, para se usar, para se deixar usar. Livre para abdicar da família, dos filhos e do sentido, tudo em nome de um tal de empoderamento. Libertou-se, de facto. Mas não se sabe bem de quê, nem para quê.
O feminismo diz querer igualdade, mas não a suporta quando ela implica responsabilidade, dever ou sacrifício. Quer os privilégios da tradição e os confortos da revolução, tudo embrulhado num discurso de vitimização crónica.
Talvez esteja na hora de perceber que defender a dignidade da mulher não é a mesma coisa que entrar no delírio feminista moderno. E talvez a verdadeira valorização da mulher esteja precise de mais realidade, natureza e verdade do que de uma “justiça social” fabricada em gabinetes soviéticos.







1 comentário
Excelente artigo, parabéns