Esta pergunta foi feita por uma humorista, e pode custar-lhe um milhão de Euros de indemnização.
A humorista, que pessoalmente não conheço, é Joana Marques.
Esta pergunta foi feita em um programa de rádio que protagoniza com mais duas mulheres. Os alvos, dois ofendidos, vá-se lá saber porquê, intentaram uma acção judicial. E neste santo país, sempre a lamentar com a lentidão da Justiça, não é que alguém entendeu que este era um assunto sério, importante, e vai de aceitar a queixa e dar ordem para que começassem a ser cobradas as taxas judiciais respectivas, intimando a humorista para um julgamento. Depois admiram-se que apareçam manifestos como aquele que 50 personalidades assinaram, e esta semana o ex-presidente do PSD, mais um laranjinha descartado, viesse publicamente reclamar por uma resposta dos poderes instituídos.
Perseguição do(s) Senhor(es)? Não! Apenas e só colocar o dedo na ferida, e dizer em voz alta, embora a iniciativa tenha apenas merecido noticia de página interior, envergonhada, aquilo que o ‘bom povo diz à boca pequena’. Quem polícia a polícia! Modernização da Justiça não é só apenas actualização de prebendas e salários, é também ‘modernização na Justiça’, que tem de ser igual para todos.
Penso que já atrás disse que estamos em Portugal, no ano de 2025, isto é, 51 anos depois do tal dia 25 de Abril, feito sem sangue. Penso também que a estupidez, sendo em alguns primatas coisa natural, com o passar dos anos, é cultura de rendimento com ganhos exponenciais garantidos extensivo a outras espécies. Se no pós-25 de Abril, a estupidez, a maioria das vezes confundida, ou desculpabilizada como ignorância, foi ‘produto’ cultivado de forma intensiva, com afinco e muito carinho, de uso abundante e largo espectro social, com ganhos para os mais espertos, os oportunistas do costume, travestidos de ‘revolucionários’. Usada então na formula mais comum como desculpabilização, área onde ganhou adeptos e serve que nem uma luva para justificar tudo e mais alguma coisa, modo teve teve reacções inesperadas que amenizaram com o passar do tempo. Todavia regressou, modernizada, por exigência das circunstâncias e de sobrevivência, a estupidez, agora já em velocidade de cruzeiro, ganhou uso e uma nova formulação, mais para o ‘fino’ e envolvente, é o Woke. Tipo banha-da-cobra, o uso do que é apelidado de ‘cultura Woke’, que tanto serve para reclamar contra tudo e contra todos, como para ‘exigir’ o absurdo. ‘Woke’, termo sinónimo de políticas liberais, dizem, tanto pode ser usado para reclamar por uns tantos serem diferentes dos demais, gostarem da cor amarela, quando a maioria prefere o branco sujo, ou outra manigância qualquer. É em inglês, o que lhe dá um ar modernaço, o conceito é de origem afro-americana, e é sobretudo uma ‘percepção’, e como tal… ser woke, pode ser bom ou ruim – depende de com quem se fala, e sobretudo se quer mesmo contribuir com sensatez para ajudar a resolver alguma coisa, que geralmente não é o mais comum. E como até aqueles que não gostam do 25 de Abril, mas gostam de aproveitar a Liberdade que então lhes foi dada, seja, pois, consentida a libertinagem de discutir a ida à Marte, quando ainda não conseguimos ir além de uns tímidos passos, por breves instantes, na Lua, ou simplesmente não conhecemos Freixo de Espada à Cinta.
Eu sei que a pergunta ‘Foi para isto que se fez o 25 de Abril’ incomoda. Incomoda aqueles que não sabendo de onde vieram, não atinam para onde vão. Andam cá, por aí, vivendo, resmungando contra tudo e contra todos, zangados com os ‘outros’, incomodando, porque têm direito, e nunca se recordando que também têm deveres. ‘Exigem’ solidariedade. Mas só quando essa solidariedade é para os proteger. Quando ela é para com os outros, existe sempre um profundo problema ‘que carece de debate’ prévio. Enfim, quando devem questionar o que fizeram, ou não fizeram, pelos tais ‘outros’ seus semelhantes, o egoísmo soma-se à estupidez e, ou dá batucada, ou gritaria. Alguém que resolva, dizem, eles apenas gritam. Não gostam do Socialismo, da Social-Democracia, da Europa, mas todos querem viver sob a asa protectora do Estado, e ao mais pequeno tremor, lá surge o recurso de mão estendida à Câmara Municipal.
Incomoda quando se pergunta, e foi para iss(t)o que se fez o 25 de Abril?
Estamos a poucos dias de mais uma ida às urnas. Todos vão poder, mais uma vez, nas urnas, escolher o que querem, e quem querem que os represente. Porque seja em Democracia, ou Ditadura, são os políticos, ou são políticos aqueles que toma decisões que a todos obriga. Em Democracia, os Portugueses são chamados a decidir um impasse politico/partídário, onde parece que o importante não são as políticas, mas o modo como os políticos se comportam no exercício do poder. É o Woke elevado ao mais alto nível do Estado? Em Democracia, em Liberdade, seja, pois, através do voto que se esclarecem diferendos, impasses.
Foi para isto que se fez o 25 de Abril.






