Gratidão

Estou extremamente grato à vida pela família que tenho, pelos amigos, e até pelos inimigos, que não tenho, nem cultivo esse sentimento. Mas cultivo o da gratidão.

O sentimento de gratidão é algo que sempre me tem acompanhado ao longo da vida. Depressa esqueço aqueles que, de alguma forma, foram ingratos comigo, mas não esqueço, jamais, aqueles, e foram muitos, que de alguma forma, me ajudaram sempre que precisei.

Não os descartei nem descarto, depois de estar servido, pelo contrário, valorizo-os sempre. Eles ocupam e ocuparão um lugar especial na minha vida.

Mentalmente, faço um exercício de memória; e essas pessoas desfilam um a um – vivos ou mortos- o que faz com que recorde os momentos em que deles precisei, a importância que tiveram em dado momento, ou circunstância, e actualize, por assim dizer, a gratidão que sinto por cada um.

Sei, sabemos, que esse sentimento de gratidão está a cair a pique por parte de muitos. Que uma vez servidos depressa esquecem aqueles que os ajudaram a troco de nada. Porém, não devemos incorrer no erro de confundir a árvore podre com a floresta saudável.

Generalizar é o mais fácil.  Mas, além de não ser correcto é injusto, é o pior erro que podemos cometer, seja no que for. Infelizmente generaliza-se em demasia, nivelamos tudo pela bitola mais baixa e rasteira, sem nos apercebermos que nos estão a incluir na mesma. Metemos tudo no mesmo saco e, com isso, alimentamos extremismos, populismos e radicalismos.

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Manso Preto

E todos nós sabemos o quão terríveis são os “ismos”.

Ora, não há pessoas iguais. De cada cabeça sua sentença e de cada instituição ou empresa, modelos diferentes de estar e agir e de liderar.

A má conduta de algumas pessoas, instituições ou empresas ou a falência de algumas, não nos deve permitir generalizar, mas pensar caso a caso e remover a tal árvore podre, para não contaminar a floresta.

O que devemos salientar é que, esse sentimento de gratidão, ainda, existe e não deve ser efémero, como demasiadas vezes acontece. E, sobretudo, cultivá-lo, para que possa ser ampliado.

Mercê de várias condições, que aqui não abordarei, o individualismo tem-se agigantado sobrepondo-se ao colectivismo como se todos, e cada um de nós, não precisassemos uns dos outros.

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Outros, tantos, uma vez servidos e montados na sua ingratidão, esquecem este elementar pormenor que é a gratidão de que beneficiaram, no entanto a vida dá muitos trambolhões e, muitas vezes, devolve-os à realidade ou seja, à estaca zero.

Há um provérbio popular que acho que se ajusta muito bem a esta realidade, e que diz o seguinte: “Ninguém é tão pobre que não possa ajudar, nem tão rico que não venha a precisar”!

Sobre a Gratidão, Cícero disse: “A gratidão não é apenas a maior das virtudes, mas a mãe de todas as outras.”

(José Venade não segue o actual acordo ortográfico em vigor)

* O autor não segue o acordo ortográfico de 1990

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