Lágrimas

Este é um daqueles editoriais que escrevo sob emoção, triste, amargurado, impotente e com o semblante alterado.

Todos os incêndios e as suas consequências, sejam no continente ou nas ilhas, são sempre uma desgraça. Às imagens que passam nas televisões e os relatos dramáticos, ninguém poderá ficar indiferente. Mas quando é aqui à beira da nossa da porta, no caso nestas últimos semanas pelo Alto Minho, é algo que nos ‘toca’ mais.

São zonas que bem conheço e visito volta e meia, à procura de oxigénio para os pulmões, ‘encher os olhos’ com as bonitas paisagens, desfrutar da hospitalidade daquela gente simples e sem maldade que, apesar das dificuldades da vida, é feliz à sua maneira. E que nos transmite carinho, naqueles gestos acolhedores, simples e pequeninos e que, por isso mesmo, nos fazem lembrar que há uma outra vida terrena para além do nosso ego.

É essa gente boa que eu vi por estes dias, nas televisões, a tirar os seus animais/sustentos dos currais, como de filhos se tratassem. Não bastaria já não terem prados onde aqueles outrora se alimentavam saudavelmente, hoje queimados, carbonizados às mãos de autênticos criminosos. Populações em fuga, desesperadas, a fugirem em frente e sem saberem para onde. Muitos idosos renitentes em abandonar as casas onde provavelmente foram gerados, quase que preferindo morrer no meio das chamas do que fugir a olhar para trás… Bombeiros, militares, GNRs e voluntários, muitos voluntários, todos eles exaustos, nos limites das suas forças e com os corações despedaçados.

E muitas, muitas lágrimas a escorrerem por aquelas faces. A elas, com pesar, desfeito e de coração apertado, junto as minhas…

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Manso Preto

Video de Ferreira Marques:

https://www.youtube.com/watch?v=AVXVlDfYwZ4

jornalista.manso.preto@gmail.com
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