Liberdade e libertinagem

Há uma grande diferença entre a liberdade de expressão escrita e liberdade televisiva, para além daquilo que é óbvio, refiro-me ao papel e à imagem, a expressão escrita é  democrática, porque me dá sempre a alternativa da escolha.

Posso deparar-me com um título sensacionalista, com uma notícia de “faca e alguidar”, mas eu só a leio se quiser, e como o hábito também faz o monge, há jornais que simplesmente rejeito, não leio, e por isso fico imune à intrigalhada, à falta de responsabilidade dos escribas, se o jornalista, o repórter é idóneo.

Eu leio-o, podendo ou não concordar com o que ele diz, ora a televisão tem todas as ferramentas para ser assassina, cobarde entra-nos pelas portas adentro sem avisar e, poderosa, manipula, condena, conforme o seu próprio interesse, não nos dá tempo de rejeitar, quando nos apercebemos da sua maleficência, já é tarde, o vírus já foi inoculado e depois aproveita-se da debilidade crítica dos seus espectadores – debilidade essa que a própria vai fazendo diariamente crescer, vai alimentando, a ponto de, entre muitos exemplos que poderiam ser citados, e a propósito da vaga de incêndios deste verão, tornar as pessoas cruéis, impiedosas, para o bom povo, todos os fogos tiveram origem criminosa e “os gajos que foram apanhados a atear fogo, deviam ser amarrados a um pinheiro e deixá-los arder “, a eles, aos gajos.

Nem toda a televisão é má, cumpre-me deixar claro, também não defendo a censura, mas lá que havia de haver uma maior consciência dos responsáveis por certo tipo de notícias, havia, no tipo de notícias e sobretudo na forma como elas são transmitidas, uma coisa é informar as pessoas, os espectadores, de um determinado crime passional, de um crime de violência doméstica, outra coisa é sub-repticiamente apontar um criminoso em concreto, levantar suspeitas sobre um indivíduo, isto para a novela continuar, a publicidade ser vendida, a estação televisiva alcançar o maior share e a empresa dar lucro.

Já muito se escreveu sobre este assunto, muito foi teorizado, tenho disso consciência, mas a conclusão é quase sempre a mesma, não se pode bulir com a liberdade dos jornalistas, a alternativa é a censura, e assim ficamos condenados a estas merdas, públicos consumidores abúlicos.

Saibamos distinguir liberdade de libertinagem, tenhamos consciência de que o futuro saberá resolver o problema, para mim esse futuro já chegou, certamente também chegará para os outros, a maioria, lastimo dizê-lo.

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Manso Preto

Meto-me em cada uma!

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