A permanente necessidade de encontrar uma organização social mais eficaz e justa é uma característica inerente à humanidade.
Essa pesquisa, que pode ser definida como a maturidade política, é um processo de aprendizagem coletiva que se estende por milénios, desde os primórdios da civilização até os complexos cenários contemporâneos. A maturidade política não é um estado final, mas sim a capacidade de uma sociedade de encontrar mecanismos para resolver conflitos, tomar decisões e distribuir poder de forma mais equilibrada.
A influência da pré-história nesse processo é inegável, mesmo sem o conceito formal de política. As primeiras formas de organização social, como clãs e tribos, já demonstravam a necessidade de liderança e regras para a sobrevivência do grupo. A escolha de um líder para a caça, a distribuição de alimentos e a defesa contra predadores eram decisões coletivas que exigiam um senso rudimentar de ordem. Com o desenvolvimento da agricultura e o surgimento de comunidades sedentárias, a necessidade de regras intensificou-se, dando origem a hierarquias mais complexas e ao que se pode chamar de embriões de sistemas de poder.
A história subsequente é um testemunho dessa evolução. A democracia grega, com seus ideais de cidadania e participação, foi um salto gigantesco, apesar de suas limitações. A República Romana, com seus sistemas de leis e governança, pavimentou o caminho para o direito moderno. E os movimentos iluministas, com sua ênfase na razão e nos direitos individuais, deram o impulso decisivo para as democracias liberais que conhecemos hoje. Cada era, com seus erros e acertos, contribuiu para o amadurecimento das estruturas políticas.
A Situação Atual: Desafios e Oportunidades
No século XXI, a maturidade política manifesta – se de forma complexa e multifacetada. Por um lado, temos avanços significativos: a globalização ligou nações, o acesso à informação empodera cidadãos e a defesa dos direitos humanos tornou – se uma pauta internacional. A participação cívica, impulsionada pelas redes sociais, ganhou novas formas e escalas, permitindo que vozes antes silenciadas se façam ouvir.
No entanto, a caminhada está longe de terminar e os desafios são imensos. A polarização política é um fenômeno global que dificulta o diálogo e o consenso. A desinformação e as fake news, disseminadas em velocidade sem precedentes, corroem a confiança nas instituições e minam o debate público. Além disso, a desigualdade social e a crise climática exigem soluções políticas urgentes e complexas que desafiam a capacidade dos governos.
A maturidade política, hoje, exige mais do que apenas a existência de eleições e instituições democráticas. Ela depende da capacidade da sociedade de:
* Promover o diálogo e o respeito: Superar a polarização e procurar o entendimento mútuo, mesmo diante de divergências profundas.
* Valorizar a educação e o pensamento crítico: Combater a desinformação com fatos e análise, capacitando os cidadãos a tomar decisões informadas.
* Combater a corrupção e fortalecer as instituições: Garantir que o poder seja exercido de forma transparente e responsável.
PUB* Encarar desafios globais com cooperação: Reconhecer que problemas como o aquecimento global e as pandemias exigem soluções que transcendem as fronteiras nacionais.
Em resumo, a maturidade política é um processo contínuo de adaptação e aprendizagem. Ela manifesta -se na nossa capacidade de evoluir nossas estruturas sociais e encontrar soluções para os desafios de cada época. A herança da pré-história lembra-nos que a organização social é fundamental para a sobrevivência, enquanto a complexidade do mundo atual nos desafia a ser mais justos, cooperativos e inteligentes do que nunca.
Antonieta Dias
Médica Doutorada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto;
Especialista de Medicina Geral e Familiar e Medicina Desportiva;
Perita em Medicina Legal com Competência na Avaliação do Dano na Pessoa -Medicina Legal e Peritagem Médica da Segurança Social, atribuída pela Ordem dos Médicos;
Auditora de Defesa Nacional.





