Memória colectiva de um povo

Portugal tem uma fatia significativa de jovens, nacionais e emigrantes de segunda geração, defensores das suas tradições e cultura. 

Dentro desta simbologia popular, temos o folclore, a música, os cantares ao desafio e os sons incomparáveis da concertina, entre outros.

São cada vez mais numerosos os jovens nacionais e os filhos de emigrantes, a aderirem a esta forma de celebrar e conhecer Portugal.

O folclore representa de facto, a essência cultural de um povo.

Observamos as tradições, lendas, danças, crenças, costumes, que se  transmitem de geração em geração.

Fala-se da etnografia e história de uma comunidade.

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Manso Preto

Conceitos que embora diferentes, coincidem.

A etnografia ao observar, analisar as práticas, crenças e modo de vida anterior à sua geração, está de alguma forma a abordar factos, que podem já pertencer à história comum desse povo.

Uma vez que a História se concentra, no estudo do passado, através de fontes documentais e não só.

A etnografia é considerada uma disciplina Antropológica.

Mas através desta identidade cultural, da forma como se manifesta, obviamente está também a falar da história desse mesmo povo.

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Muito do conhecimento partilhado, chega até nós, desta forma vibrante e festiva.

Inclusive a gastronomia, a arte do ouro, dos bordados, da azulejaria e finalmente das danças e cantares.

Cantares ao Desafio, quase impossível de praticar para alguns, parecendo extremamente fácil para outros.

Mais uma vez o “Festival Internacional Âncora Folk” celebrou as culturas do mundo, nos dias 8 e 9 de Agosto em Vila Praia de Âncora.

Iniciativa promovida pelo Grupo Etnográfico de Vila Praia de Âncora.

Celebração intercultural com a participação de grupos de folclore, convidados de Itália, Polónia e México.

E é num palco repleto de gente jovem, que é feita a partilha do “património imaterial” dos seus países.

Todos os turistas e nacionais que assistem a esta apresentação, ficam encantados com a quantidade e a qualidade, dos jovens que dançam nos grupos apresentados.

Todos os que assistem, falam e repetem até à exaustão, a agradável surpresa, de verem o número significativo de jovens nacionais e estrangeiros que optaram por dançar folclore.

É de facto uma “mais valia”, para o Alto Minho. São estas trocas culturais, que mais nos enriquecem.

Parabéns ao Grupo Etnográfico de Vila Praia de Âncora, pela iniciativa.

São incontáveis as festas em honra de Nossa Senhora.

A Festa da Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, tem origem na fé e devoção dos pescadores. Pedem à Sra da Agonia, “proteção contra os perigos do mar, especialmente tempestades.”

Foi assim que nasceu, a romaria religiosa da Nossa Senhora da Agonia.

Esta Romaria de caráter religioso era celebrada, na capela do Bom Jesus do Santo Sepulcro, onde a imagem de Nossa Senhora da Agonia foi colocada em 1751.

Com o passar dos anos, a romaria foi para além das celebrações religiosas. Surgiram os arraiais, danças, desfile da Mordomia, desfiles etnográficos, a festa do Traje e até touradas.

A data de 20 de agosto, dia da procissão de Nossa Senhora ao mar, tornou-se um dia de feriado municipal em 1783.

A Sagrada Congregação dos Ritos, “tinha concedido permissão, para a celebração de uma missa solene na capela.”

Era então mais uma festa religiosa, onde a imagem da Senhora, era e ainda é “levada em procissão por entre um cortejo de barcos engalanados, até ao “mar alto”.”

Mais tarde houve uma junção da festa religiosa à festa da cidade, onde se podia observar a devoção religiosa e tradições populares.Tudo isto aconteceu até ao século XVIII.

Mais tarde séculos XIX e XX na romaria começaram a aparecer os Gigantones e Cabeçudos de influência espanhola.

Na Galiza, aqui ao lado, estas figuras gigantescas, também desfilavam ao som de bombos, como os nossos. Regra geral os Cabeçudos surgem ao som dos bombos e abrem alas para o Cortejo Histórico e Etnográfico, que retrata a história e cultura de um povo. Os desfiles de trajes, máquinas e peças tradicionais, os espetáculos de fogo de artifício e os variados ranchos folclóricos.

Depois existe a confeção dos tapetes, pelas ruas da ribeira.

Únicos e exclusivamente elaborados, com motivos do mar, religiosos e monumentos da cidade.

Estas maravilhas coloridas, têm o seu destaque, o seu cunho irrepetível e marcante dos valores da cidade de Viana.  São confeccionados com flores, serrim e sal colorido, feitos durante a noite, do dia dezanove para  o dia vinte de Agosto de cada ano.

No dia vinte, quando a Senhora regressa da procissão ao mar, A Senhora d’Agonia, vai passar por todas as ruas da Ribeira Lima, pisando os tapetes feitos com tanto carinho e devoção.

Para mim é, sem dúvida alguma, a manifestação mais bonita da Romaria da Senhora da Agonia.

O Cortejo obedece a um grande rigor, faz menção às gerações passadas elevando-as com uma grande perfeição, quer na sua componente Histórica como na Etnográfica, é digno de ser apreciado e valorizado.

Uma representação da história e cultura local, com trajes tradicionais, e figurantes que retratam a vida na região.

O uso de trajes tradicionais, como o traje de mordoma, carregada de ouro, sobre o colete ou jaqueta bordada.

São uma extraordinária forma de captar os “flashes” de todos os presentes.

As Festas d’Agonia também, celebram a fé, a tradição e a identidade cultural de Viana do Castelo, proporcionando uma experiência rica e marcante para todos os que participam.

Os vários festivais de Fogo-de-Artifício, são um espetáculo de pirotecnia fabuloso.

Culminam com a célebre  “cachoeira” na ponte Eiffel, sobre o rio Lima. Uma ponte centenária.

A cachoeira na ponte centenária sobre o rio Lima, marca o encerramento da festa.

As Festas da Senhora da Agonia são, portanto, uma celebração rica em história, tradição e fé.

 

Festas dedicadas a Nossa Senhora em Portugal:

Festa da Nossa Senhora da Agonia (Viana do Castelo)

Festa da Nossa Senhora da Boa Viagem (Constância)

Festa da Nossa Senhora do Rosário (Arga de Cima)

Festa da Nossa Senhora da Piedade (Argela)

Festa de Nossa Senhora da Saúde (Vila Chã)

Festa de Nossa Senhora da Conceição (Vila Viçosa)

Festa da Nossa Senhora da Guia (Belinho)

Festa de Nossa Senhora da Nazaré (Nazaré)

Festa de Nossa Senhora do Monte (Funchal)

Festa da Nossa Senhora dos Milagres (Aveiro)

Festa de Nossa Senhora de La Salette (Aveiro)

Festa da Nossa Senhora do Cabo (Sesimbra)

Festa da Nossa Senhora dos Remédios (Lamego)

Festa da Mãe Soberana (Loulé)

Festa de Nossa Senhora da Boa Morte (Viana do Castelo)

 

Esta lista não é exaustiva, pois muitas outras localidades celebram a sua padroeira com festas e romarias, por vezes com características únicas e tradições locais.

* O autor não segue o acordo ortográfico de 1990

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