Menina, case-se com o Estado!

Num mundo em que a liberdade feminina é sinónimo de independência face aos homens, ouvimos declarações que, à primeira vista, parecem corajosas. Uma feminista disse-me recentemente: “Prefiro depender financeiramente do Estado do que de um marido.”

Eu lamento muito que ela pense desta forma. Quantos milhares de horas de terapia seriam precisos para curar a ferida que foi revelada ali?

Depender do Estado é, na prática, depender de um sistema impessoal, burocrático, massificado e ideologizado. O Estado não ama, não educa, não protege emocionalmente. O Estado não é pai, nem marido, nem sequer vizinho. A mulher que prefere depender do Estado está a substituir uma relação pessoal, orgânica e humana — que pode, sim, ser imperfeita — por uma relação vazia com uma entidade fria, distante e sem rosto.

Esta escolha não liberta: condiciona. Benefícios, subsídios e apoios vêm sempre com contrapartidas ideológicas e com uma crescente vigilância. Ao depender dele, a mulher submete-se à ideologia do momento, ao tecnocrata da vez, ao plano de cinco anos da nova elite global. O Estado substitui o marido, mas exige, em troca, os filhos, a lealdade política e, aos poucos, até a alma.

Ao romper com o modelo familiar, a sociedade contemporânea cava a sua própria sepultura. A mulher que prefere o Estado ao marido participa na desconstrução das estruturas primárias de pertença: o lar, a família, o casal. Isto conduz inevitavelmente a uma sociedade atomizada, em que cada indivíduo vive desligado dos outros, cada vez mais dependente de soluções institucionais para resolver problemas que antes eram resolvidos em casa, na mesa de jantar, com o apoio de um esposo, de pais, de irmãos.

O resultado é uma geração de órfãos com pais vivos. Crianças entregues ao ecrã, mulheres exaustas e solitárias, homens desmotivados e infantilizados, e um Estado cada vez mais hipertrofiado a preencher o vazio que a desintegração da família deixou.

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Manso Preto

A escolha entre “dependência do marido” e “dependência do Estado” é uma armadilha criada pela ideologia feminista, que vê qualquer relação de interdependência como uma relação de poder e, portanto, de opressão. Mas a verdadeira liberdade não é a ausência de vínculos, é a escolha consciente dos vínculos certos. Num casamento saudável, marido e mulher não vivem em regime de domínio, mas de aliança. Ambos dependem um do outro, sim — porque amar também é precisar do outro e confiar-lhe parte do próprio destino.

Depender emocional e economicamente de alguém com quem se partilha a vida não é fraqueza. É humanidade. É o reconhecimento de que a nossa realização está ligada ao outro, e que não nascemos para a solidão nem para a tutela do Leviatã moderno.

Ao trocar o marido pelo Estado, a mulher moderna julga-se livre, mas em nome da autonomia entrega-se à vigilância, à padronização, à solidão.

É tempo de questionar este modelo. De recuperar o valor da interdependência voluntária, do lar como célula viva da sociedade, do amor como base de segurança. Só assim reconstruiremos uma sociedade conectada, orgânica e verdadeiramente livre.

 

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