Nova geração de narcotraficantes instruída para matar polícias, magistrados e jornalistas

O clima começa a ser de guerra, agora definitivamente instalada, após as autoridades policiais constatarem que a crescente violência não foi por uma acção isolada, mas antes por um conjunto de sequências em vários países, Portugal incluído onde os envolvidos neste combate sem tréguas em que o ambiente é de enorme apreensão e medo, não só pelos pelos elevados riscos, como por terem a percepção de que a nossa Justiça não consegue acompanhar com severidade contundente esta escalada de criminalidade transcontinental.

E se o ‘ajuste de contas’ por aqueles que de uma forma ou outra se envolvem nestas actividades são há anos muito habituais, ou mesmo disputa de territórios entre redes rivais, a realidade é que os narcotraficantes passaram de ‘recados’ por ameaças subliminares a métodos que não deixam dúvidas até onde estão dispostos a ir. Policias, magistrados e jornalistas, são agora as suas principais prioridades.

Os Países Baixos ainda têm memória do horrível atentado mortal contra Peter De Vries, um jornalista de investigação que perseguiu e denunciou as actividades de narcotráfico centradas nos portos de Amsterdão e Roterdão.

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Como mais à frente avançamos, também um magistrado belga tem sido ameaçado e, por isso, sob anonimato, um seu colega denunciou, no site oficial do Ministério da Justiça, que o seu país estava a assemelhar-se a um narcoestado, comparando-o com a Colômbia.

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Manso Preto

E em Portugal?#

As autoridades sabem que no nosso território há membros muito activos de nacionalidade brasileira que estão conotados com o PCC (Primeiro Comando da Capital)) e o CV (Comando Vermelho) que organizam o envio (às toneladas) de cocaína com destino a Portugal. Para isso, contam também com as facilidades de uma língua em comum e razões históricas e culturais. Tal como em Espanha isso acontece com sul-americanos ali residentes.
Aliás, há cerca de 3 meses, a Póvoa de Varzim foi cenário do brutal homicídio de um brasileiro que foi baleado por membros do PCC que reclamava em vão o pagamento de uma descarga de cocaína.

Em Vila Real de Santo António (Algarve), também há 3 meses e em pleno dia, máfias marroquinas faziam uma descarga à vista de toda a gente. Só faltaram as palmas por parte da população, como há anos acontece no sul de Espanha e onde nem faltam os «olés» quando as lanchas dos traficantes conseguem escapar à perseguição das autoridades…

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Veja as imagens clicando em:

https://www.facebook.com/100091948518836/videos/1512526986826863/?fs=e&mibextid=wwXIfr&rdid=1P0UGqHaW1fV3AhE#

Em finais deste mês, numa operação espectacular na margem sul de Lisboa, a PSP apreendeu 6 toneladas de haxixe! Seis portugueses e um marroquino foram detidos e apreendidas 10 viaturas de luxo, 6 embarcações de alta velocidade, 21 motores de elevada cavalagem, 15 mil litros de gasolina, 1 drone, 580 mil euros, telemóveis via satélite para impossibilitar eventuais escutas e sofisticados inibidores de comunicações. No entanto, a atenção dos agentes focou-se numa aparente surpresa: no mesmo armazém do Seixal, eram encontradas 2 metralhadoras, 6 armas de calibre de guerra, uma caçadeira de canos serrados, 3 tasers e 500 munições.

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Pouco mais de uma semana, um militar da Unidade de Controlo Costeiro e Fronteiras (UCCF) da GNR morreu e outros três ficaram feridos, durante a perseguição a uma lancha de narcotráfico, em Alcoutim, no Algarve.

Os militares estavam a bordo de uma embarcação e procuravam uma lancha-rápida, idêntica às que habitualmente transportam haxixe procedente de Marrocos e que tinha sido detectada a entrar em águas portuguesas. Quando os dois barcos se cruzaram, por volta das 23 horas, perto do cais de Alcoutim, a dos traficantes abalroou a da UCCF, o que demonstra uma escalada de violência verificada nos últimos meses. Após a colisão, os quatro traficantes abandonaram a embarcação numa margem do rio, do lado português, e fugiram. A lancha acabou por ser incendiada pelos traficantes. A GNR e a Polícia Judiciária, entretanto alertada, de imediato procederam a buscas apeadas nas duas margens do rio – portuguesa e espanhola – com o auxílio da Guardia Civil, que empenhou um helicóptero.

Nos dias imediatos, a GNR deteve dois suspeitos na posse de 50 mil euros, de nacionalidade espanhola e com antecedentes por narcotráfico, quando aqueles se preparavam para sair do país em direcção a Espanha. Presentes a tribunal, a autoridade judicial libertou-os perante termos de identidade e residência – medida que, quando se tratam de estrangeiros, normalmente fogem…

Lancha da GNR que foi abalroada pelos narcotraficantes

 

PORTUGAL «ESTÁ PREPARADO» PARA COMBATER O AUMENTO DO NARCOTRÁFICO

Em declarações â à Rádio Renascença, o ex-presidente do Observatório de Segurança Interna relaciona a subida do tráfico por via marítima com a posição central de Portugal no mundo.

O ex-presidente do Observatório de Segurança Interna (OSI), Hugo Costeira, considera, esta terça-feira, que Portugal “está preparado” para combater o aumento do narcotráfico.

O especialista em segurança rejeita que a morte de um militar da Guarda Nacional Republicana no Algarve, na sequência do choque com uma lancha, seja uma demonstração de impreparação das forças de segurança para lidar com o fenómeno.

Um fenómeno que Hugo Costeira relaciona com a posição central de Portugal no mundo, que torna o país uma “porta de entrada” da droga, tanto do continente europeu como o africano.

“Do ponto de vista logístico, somos uma plataforma de entrada muito apetecível”, constata.

O especialista recorda ainda que Portugal possui «uma zona económica exclusiva enorme, que não é patrulhada da maneira que deveria ser» por falta de meios, tanto na Marinha, como na Força Aérea, em alto mar, e da Polícia Marítima e da GNR na zona costeira.

Acrescenta o ex-presidente do OSI que deve existir um esforço de articulação entre as diferentes forças de segurança e Guardia Civil espanhola, defendendo também o fortalecimento das penas para este tipo de crimes.

«Estas pessoas têm que ser condenadas para transmitir a mensagem de que Portugal não pode ser conivente com o tráfico de droga nem com a criminalidade altamente organizada».

 

Relatório RASI

https://www.portugal.gov.pt/download-ficheiros/ficheiro.aspx?v=%3d%3dBQAAAB%2bLCAAAAAAABAAzNDExNwYAs4WfKQUAAAA%3d

 

https://www.portugal.gov.pt/pt/gc24/comunicacao/documento?i=relatorio-anual-de-seguranca-interna-rasi-2024

Cabo Pedro Nuno Marques Manata e Silva que faleceu

 

COMUNICADO DA GNR

Partiu a cumprir o dever, com a coragem e a entrega que definem os que vestem esta farda.

A sua memória viverá em cada militar da Guarda. Continuaremos a enfrentar os desafios da missão, com a mesma bravura e o mesmo sentido de compromisso, de honra e de serviço a Portugal.

Que o seu exemplo permaneça como farol, guiando-nos na defesa da lei, da segurança pública e da vida.

Neste momento de profunda consternação, a Guarda Nacional Republicana presta as mais sentidas condolências aos familiares e amigos do Cabo Pedro Silva, que faleceu na sequência de um abalroamento da embarcação em que seguia, em missão de serviço.

PRESENTE!

GOVERNO DIVULGOU NOTA DE PESAR

Foi com profundo pesar e consternação que a Ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, o Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Paulo Simões Ribeiro, o Secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia, e o Secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, tomaram conhecimento do falecimento de um militar, do Destacamento de Controlo Costeiro de Olhão, da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras da Guarda Nacional Republicana.

O Cabo Pedro Nuno Marques Manata e Silva, de 50 anos, perdeu a vida, enquanto cumpria o seu dever, numa colisão com uma lancha rápida, ligada ao narcotráfico, no rio Guadiana, no concelho de Alcoutim, distrito de Faro, junto à fronteira com Espanha.

Em nome do Governo, o Ministério da Administração Interna dirige, neste momento trágico, uma palavra de solidariedade e sentidas condolências à família, aos amigos, à Guarda Nacional Republicana e, em particular, aos militares da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras.

A Ministra da Administração Interna e os Secretários de Estado da Administração Interna e da Proteção Civil expressam ainda votos de rápida e plena recuperação aos três militares que ficaram feridos neste trágico acidente, que envolveu uma embarcação da GNR, segunda-feira, dia 27 de outubro de 2025.

 

 

PROMULGADA LEGISLAÇÃO APLICADA ÀS LANCHAS

Entretanto, após aprovação na Assembleia da República, sob proposta do Governo, agora foi a vez do presidente Marcelo Rebelo de Sousa promulgar a legislação que condiciona a construção e utilização de lanchas zodíacas (zebros) em Portugal. Está em vigor há anos em Espanha uma lei semelhante e que serviu de modelo para o nosso país, sendo que os narcotraficantes galegos montaram, muitas vezes com o recurso a ‘testas de ferro’,  empresas de embarcações, principalmente no Minho.

 

 

A BÉLGICA É BASICAMENTE UM NARCO-ESTADO, DENUNCIA JUIZ BELGA

Em declarações ao MINHO DIGITAL, uma fonte policial portuguesa reconheceu que parte da droga apreendida fica em Portugal como forma de pagamento pelo transporte, enquanto a restante tem por destino o país vizinho, onde também fica outra parte, seguindo a restante mercadoria para os Países Baixos, referenciado como um «autêntico celeiro de toda a espécie de drogas».

Para as autoridades directamente envolvidas na repressão, estas apreensões nas nossas costas «apenas representam simbólicas, já que aos portos de Antuérpia (Bélgica) e de Amesterdão (Países Baixos) chegam toneladas e toneladas de cocaína em contentores». «Para ter uma ideia, o porto belga tem a extensão de cerca de 70 quilómetros e chegam ali diariamente milhares de contentores, pelo que não há hipótese de fiscalizar todos, sendo a escolha feita aleatoriamente ou, então, quando há uma suspeita com fortes indícios».

«O tráfico de droga está a transformar a Bélgica num narco-Estado, e o Estado de direito está ameaçado», denuncia um juiz de Antuérpia. «Corrupção infiltrou as instituições; ataques à bomba, armas de guerra ou raptos são facilmente encomendados pela internet, diz o magistrado».

Quando pensamos num “narco-Estado”, o primeiro que nos vem à cabeça é a Colômbia, terra de Pablo Escobar e frequentemente associada aos cartéis de droga — ou, mais recentemente, a Venezuela, que Donald Trump acusa de ser um país “narcoterrorista”.

Dificilmente nos viria à mente a Bélgica, até há pouco tempo de brandos costumes, um dos países membros do Benelux, embrião do que seria a União Europeia — e cuja capital, Bruxelas, é a sede de facto da UE.

Segundo denuncia um juiz de Antuérpia, numa carta anónima publicada na segunda-feira, o «tráfico de droga está a transformar a Bélgica num narco-Estado, e o Estado de direito está ameaçado».

Estruturas extensas semelhantes à máfia criaram raízes“, escreve o juiz na carta, que expõe como a criminalidade se infiltra em todas as partes da sociedade belga, e na qual pede ajuda urgente ao governo federal.

«O que está a acontecer hoje no nosso distrito e não só já não é uma questão de criminalidade clássica. Estamos perante uma ameaça organizada que mina as nossas instituições», escreveu o juiz de instrução na chocante missiva, publicada no site oficial do sistema judicial belga.

As estruturas mafiosas “tornaram-se num poder paralelo que desafia não só a polícia mas também o sistema judicial. As consequências são graves: estaremos a evoluir para um narco-Estado? De maneira nenhuma, pensam? Exagerado? Segundo o nosso comissário para a droga, esta evolução já está em curso. Os meus colegas e eu partilhamos essa preocupação”, acrescentou o juiz.

O enorme Porto de Antuérpia funciona como porta de entrada para estupefacientes ilegais na Bélgica e na Europa em geral, nota o Politico. Bruxelas tem sido assolada por uma vaga de tiroteios relacionados com droga, com mais de 60 incidentes só este ano, 20 dos quais ocorreram apenas neste verão.

Em resposta a este banho de sangue, o ministro do Interior belga, Bernard Quintin, afirmou querer destacar militares nas ruas de Bruxelas. No início deste ano, o governo belga aprovou a fusão das seis zonas policiais de Bruxelas numa única unidade, prevista para entrar em vigor no início de 2027, para combater o flagelo da violência.

Na carta anónima, o juiz prossegue observando que um narco-Estado se caracteriza por uma economia ilegal, corrupção e violência — condições que, na opinião do juiz, a Bélgica já preenche.

«Esta corrupção infiltra-se nas nossas instituições. Os processos que conduzi nos últimos anos — e sou apenas um de 17 juízes de instrução em Antuérpia — resultaram em detenções de funcionários em posições-chave no porto, funcionários alfandegários, agentes da polícia, funcionários municipais e, lamentavelmente, até pessoal do sistema judicial, tanto dentro das prisões como aqui mesmo neste edifício», lê-se na carta do juiz.

«O Estado de Direito não é um conceito abstrato. É constituído por pessoas — magistrados, polícias, guardas prisionais — que trabalham com convicção, mas que têm direito a um governo que as apoie», diz o magistrado.

O magistrado nota que as redes de branqueamento de capitais fazem disparar os custos imobiliários, a corrupção penetra nas instituições estatais e podem encomendar-se raptos através do Snapchat.

«Um ataque a uma residência com uma bomba ou armas de guerra, uma invasão domiciliária ou um rapto são facilmente encomendados pela internet. Nem sequer é preciso ir à darkweb; basta uma conta de Snapchat», acrescenta o juiz.

«A questão é: como é que o nosso estado se irá defender?», assim termina o magistrado a sua carta anónima.

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1 comentário

  1. Cada vez entendo menos os nossos juízes.
    Eles que deviam ser duros e implacáveis com este bando de narcotraficantes,deixam- nos em liberdade.

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