Novas poesias do nosso estimado Colaborador Eugénio de Sá.QUE EU MORRA SEM TE LEMBRAR
Se eu morrer a soluçar
É a saudade a apertar
Por te não ter a meu lado
Peço a Deus pra sossegar
E que eu morra sem lembrar
Que amar-te foi o meu fado
Mas amar a vida inteira
Só dura se essa lareira
Tiver lenha para arder
E a nossa está apagada
PUBSó mostra cinza queimada
Como eu, está a morrer!
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SONETO FRUSTRADO
Ah, quem me dera amar sem sofrimento
Amar a vida inteira, o tempo todo
Recebendo o que dou em pagamento
Ao tudo o que consagro em meu arroubo.
Mas se a cada suspiro corresponde
Um exalar de pranto num lamento
Canso de procurar o que se esconde
Nas dobras do meu triste desalento.
Quisera serenar-me na poesia
Aceitar de bom grado a condição
Da frustração que marca cada dia.
Mas versos que são traços de união
Ao ser dispersos pla contradição
Não configuram mais que fantasia!
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( sextilhas )
PEÇO PERDÃO
Peço perdão aos versos meus, exaustos
palavras que hoje brotam dos socalcos
de degrau em degrau, desiludidos.
Versos que outrora me surgiam breves
nas dobras das venturas que eram leves
que me foram pesando nos gemidos.
Peço perdão aqueles que me vão lendo
e que aos poucos se vão apercebendo
que esta alma que escreve está doente.
Os que comigo vão sentindo as dores
que lêem nos sofridos dissabores
entrelinhas ocultas, mas latentes.
Peço perdão ao Deus que me criou
e, tal como eu, não sabe aonde vou
no desbocado arfar de mil andanças.
Vou – talvez desvairado – por caminhos
que me fazem tombar em desalinhos
perdido de destinos e paranças.
Peço perdão aos ventos do destino
que me fadaram calhado pro atino
mas que eu traí, omisso da razão.
Retorna a mim, poesia redentora
invade-me de ti, que és sonhadora
e apazigua-me esta inquietação.
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Inês Vieira – Eugénio de Sá
https://www.youtube.com/watch?v=Y4brqoAvVSU
Colácio J. – Eugénio de Sá
https://www.youtube.com/results?search_query=eug%C3%A9nio+de+s%C3%A1+col%C3%A1cio+J
Dioni Virtuoso – Eugénio de Sá
https://www.youtube.com/results?search_query=dioni+virtuoso+e+eug%C3%A9nio+de+s%C3%A1





1 comentário
Li os três poemas.
Senti-me, neles.
Estou a entender o que transmitiu.
Amor, Realidade e Vida.
Amor incerto.
Realidade incerta.
Vida incerta.
Continuo a ler, o que escrever.