Momentos de Poesia

Momentos de Poesia por Eugénio de Sá.AMAR É TUDO

Não há sentir maior que nos preencha
Nem há na vida nada que se iguale
A esta sensação de bem querença
De só de amor viver logo se instale

 

E se sabemos que ao contentamento
Corresponde outro tanto em desencanto
Cremos também ser do amor sustento
Depois de um beijo ver brotar um pranto

 

É pois feito de grandes controvérsias
Este amar tão declarado humano
Vencedor de procelas e inércias

GOSTA DESTE CONTEÚDO?
Manso Preto

 

E se este sentimento for de engano
E transformar em mágoa o que era festa
Nunca é irreparável esse dano

Poesia

BAÇAS VIRTUDES

São baças as virtudes desta era
Como baças as gentes que a dirigem
Varrem-se os dogmas, nada é mais virgem
Lavra a indiferença nas máscaras de cera

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Vê-se coroar de glória a arrogância
O que antes foi expressão hoje é mordaça
E a verdade tornou-se cousa baça
Nas bocas dos fautores da ganância;

 

Aqueles cujos meios ultrapassam
As lógicas mais pródigas da ética
São a demonstração da má genética
Que, orgulhosos, cultuam e abraçam

 

E assim, de retrocesso em retrocesso,
A sociedade vê gorar-se a esperança
De ver nos olhos (baços) de cada criança
A afirmação de um homem de sucesso

Poesia

AS DOBRAS DO TEMPO

 

Verga-se-nos a vontade, a energia
A alguns momentos que o tempo suspende
O amor e a morte exercem tal magia
Que o tempo pára, e a eles se rende.

 

Somos obra de Deus e a Ele se deve
– Como o exemplo que nos deu Jesus –
Que o nosso tempo seja intenso e breve
Feliz às vezes, outras uma cruz.

 

É o destino que todos carregamos
Neste deambular por que passamos
Qual asserção a que há que aquiescer;

 

Experimentando venturas, se amamos
Ou sofrendo atrozmente, se matamos
As mil razões que temos pra viver.

Poesia

(…)
Bárbaro tempo, abominosa idade,
Às outras eras pelos fados presa
Para labéu, e horror da humanidade!

 

Flagelos da virtude, e da grandeza,
Réus do infame e sacrílego atentado
De que treme a razão e a natureza!
(…)

(M. M. Barbosa du Bocage in: “Elegias”)

 

BÁRBARO TEMPO

 

Espanta-se a sociedade segregada
Perante o fausto elogio contra natura
Falsa doutrina, podre, malfadada
Parto maldito de uma causa impura

 

Abrem-se as salas dos notariados
E em breve as naves dos templos de Deus
Incensarão iguais apaixonados
Escárnicos pares que o fado inverteu

 

Que pais darão estas aberrações
Que a lei uniu e as bênçãos dotaram
Que poderá esperar-se dessas adopções?

 

Que será das crianças que privaram
No dia-a-dia c’o as contradições
Que lhes fará aquilo com que lidaram?

Poesia

Vídeos:

https://www.youtube.com/watch?v=z4LtkTEfHNc

 

https://www.youtube.com/watch?v=REbr3KoNI7o

 

https://www.youtube.com/watch?v=EWP6deQLI6E

 

A sua página n’O Secular Soneto:

https://osecularsoneto.blogspot.com/p/eugenio-de-sa.html

 

A sua página na revista Aristos Internacional (Espanha):

https://aristosinternacional.com/eugenio-de-sa/

 

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