Momentos de Poesia

Novos Momentos de Poesia do nosso Colaborador Eugénio de Sá.O TEMPLO DOS AMANTES

A natureza e eu, binómio antigo
Que me não canso de ver renovado
E sempre dou comigo deslumbrado
Plas ternas sensações do seu abrigo

 

É um campo que ondula à suave brisa
Pejado de papoilas escarlates
São as nobrezas do pastel dos mates
Nas belas folhas que o orvalho frisa

 

E se aos sentidos isto não bastasse
Inda os gorjeios de aves esfusiantes
Me faz querer que o tempo ali parasse

GOSTA DESTE CONTEÚDO?
Manso Preto

 

Por isso ali é o templo dos amantes
Como se nela o amor se sublimasse
No respirar dos ares purificantes

Poesia

 

 

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O SILÊNCIO DOS OFENDIDOS

Viver acompanhado, e todavia
Sentir-se só na casa que é de dois
É comum nestes tempos, e depois
De tristeza se vive o dia-a-dia

 

E este sentimento de impotência
Vai macerando a alma, e assim
Cada um se pergunta: que há em mim
Que mais não sou que uma transparência?

 

E eis que chega a vez de responder
Com o silêncio que há nos ofendidos
Deixando ao outro vez de se doer

 

Que ao silêncio não quis dar ouvidos
E um dia escutará a porta, que ao bater
Com o fragor, abafa alguns gemidos!

Poesia

 

 

PALAVRAS SECAS

Secaram-se as palavras nestes dedos
Que outrora as faziam deslizar
Lestas, fluídas, querendo poetar
As ideias, os sonhos, os segredos…

 

Talvez que um dia voltem a brotar
Nestas mãos de poeta, entorpecidas
Plos desencantos desta e d’outras vidas
Que aos poucos as fizeram bloquear…

 

E ao fixar o espaço ora vazio
Que, sem palavras, triste se apresenta
O meu olhar é cada vez mais frio

 

Lembro então a sentença bolorenta
Velha, qual côdea que fede a bafio:
A poesia perdida não mais acalenta!

Poesia

 

 

A NAU QUE NAVEGUEI

Da minha nau restam quilhas na lama
E uns quantos madeiros arqueados
Das côncavas cavernas dos costados
Nada que lembre o que lhe deu a fama.

 

Com ela naveguei tendo a bombordo
Toda a costa africana ocidental
Depois de haver deixado Portugal
Meu adorável reino, que recordo.

 

Fui penejando versos na amurada
No coração; a saudade da amada
No horizonte; o olhar deslumbrado.

 

Todas as tardes, no castelo da popa
Sempre pousava uma branca gaivota
Na espera de escutar de novo um fado.

Poesia

 

 

DE FÉ PERDIDA

Cheiros de ti ficaram na almofada
Que junto à minha, alva, permanece
E enquanto me tarda a alvorada
No frio da noite só ela me aquece

 

As saudades são tantas e a dor
Da tua ausência nos nossos lençóis
Trazem memórias vivas do amor
que tal como a minh’alma tu destróis

 

Surgem alvores do dia e dou comigo
Remoendo as razões deste abandono
Mas mais do que abismar-me não consigo

 

Porque te dei de mim todo o meu sono
Se o que investi em ti estava perdido
Até a fé, que agora não tem dono!

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