Mais uns Momentos de Poesia da autoria do nosso Colaborador Eugénio de Sá.EU TE NOMEIO, MÁGOA
Eu te nomeio mágoa, que não sabes
ver neste porto o cais de uma saída
quisera dar-te a ordem de partida
pois tu recusas ver que aqui não cabes
Nesta tristonha nau da minha vida
que tenta enfunar velas e lograr
Ganhar destreza e fazer-se ao mar
Encontrar noutras águas melhor lida
Sigo a ternura nova de uma esperança
que me traga venturas e bonança
Eu te renego mágoa, vai-te embora!
Que os ventos estão hoje de feição
Eu te maldigo mágoa, vai-te agora!
Já se enche de maresia o coração
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FADO MAIOR
É lá, nesse recanto da saudade
Que mora o fado antigo, marinheiro
Aquele fado de sempre, sem idade
Que numa voz maruja foi primeiro
Do Gama as caravelas foram palco
Dessa canção tristonha, perturbada
Que brota das gargantas em socalco
Com em soluços d’alma esfarrapada
Falo de Portugal, emocionado
De lá trouxe o meu fado, alegremente
Numa esperança de vida, engalanado
E inda o escuto ao longe, sobre o mar
Como se os ecos seus fossem presentes
No luso coração nele a vibrar
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EVOCO ESPARTA
Por ver tanta ganância neste mundo
Eu evoco de Esparta os sóbrios usos
Leônidas relembro, rei facundo
Que só esbanjou coragem c’os intrusos.
Conjuro a educação n’essa urbe antiga
Onde o respeito aos velhos era lei
E quem malbaratasse era banido
Como gente mal querida pela grei.
Aos jovens competia a contenção
Como princípio mor a respeitar
E a conduzir na vida a sua acção,
E cedo o seu dever era zelar
Plo sossego das gentes e do chão
D’amada pátria, o seu cimeiro altar.
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INTERIORIZAÇÃO
No que restou de mim busco a verdade
das quimeras marcantes que plantei
Do tudo o que mais quis sinto saudade
na ausência de saudade a quem me dei
Ah, esta frustração que hoje me prostra
numa interiorizada dor sentida
que nenhuma alegria de mim mostra
e no meu rosto a traços marca a vida
Deambulo em pedaços neste mundo
de tropeço em tropeço sem mais jeito
porque todos os males calam bem fundo
e os bens não me merecem qualquer preito
E assim em consciência a culpa assumo
De tantas culpas minhas e de tantos
Pra quê ver dissipado todo o fumo
Se é entre fumos que amamos os santos?




