Regresso da colaboração poética de José Verde Pardo, um galego que ‘morre de amores’ pelo nosso Minho.“SEM VIVER”
Não sei se quero estar contigo,
ou estar sem Ti.
Quando estou contigo,
tudo se move dentro de mim,
como uma revolução dos sentidos,
fico zangado comigo mesmo,
e fugindo de mim, transporto-me
para outro mundo imaginário,
e lá me reconcilio.
E sem ti,
PUBsinto-me como um mar imenso sem maré,
como uma pátria sem súbditos nem bandeira,
como uma revolução civil,
tentando perdoar-me,
à minha maneira e do meu jeito.
E quando estou novamente contigo,
os demónios dos meus desejos me dominam,
a certeza de me afastar de ti,
e esconder-me atrás das sombras de um deslize.
Mas sinto novamente saudades
da tua fragrância,
e fecho-me, sem remédio,
lembrando o toque dos teus seios,
quando aliviam docemente,
a minha dor crónica nas costas.
Sem ti,
afastado do teu mundo fútil.
Sem respirar
o teu aroma permanente a «patchouli»,
e afastado do teu modo tão estranho de viver.
Não sei o que fazer com
este eterno
e indomável «sem viver».
Se não te tenho, sinto a tua falta,
e quando estou contigo,
estou a pensar
em como fugir de ti.
José Verde Pardo – 14 de dezembro de 2025.



