Os velhos desafios do novo Presidente da República

Desejo boa sorte e bom trabalho ao novo Presidente, porque quero o bem de Portugal, independentemente de quem governa. Já sofremos demais com as consequências de más escolhas políticas, principalmente os jovens.

Sem surpresas, António José Seguro venceu a segunda volta das presidenciais. A derrota de André Ventura foi clara, mas podem levantar-se questões relacionadas com o facto de ele ter margem para crescer eleitoralmente, porque afinal foi isso que ele fez entre a primeira e a segunda volta destas eleições.

Para que tal aconteça, não creio que dependa tanto do que o Chega faça, mas sim do que os outros partidos, seus opositores, não façam. A coligação que levou Seguro a Belém foi de circunstância, tendo como principal e, se calhar, único objetivo não eleger Ventura como Presidente. Passado isto, pergunto-me: o que terão mais em comum? A partir daqui, é possível assumir que este novo Presidente terá de fazer um “jogo de cintura” entre diferentes fações que o elegeram, mas que são muito díspares entre si.

Alguns dizem que a melhor forma de derrotar partidos como o Chega é através de melhores políticas que respondam aos anseios das pessoas. Não discordo desta linha de pensamento, mas vejo um problema que se resume a isto: é mais fácil dizer do que fazer. Os problemas do “atraso português” (económico, social e da justiça) são antigos; arrastam-se há anos. A estas dificuldades acrescenta-se um contexto internacional que torna difícil crescer economicamente, principalmente na Europa, onde nos inserimos e cujas instituições vemos como principais parceiras. Não está fácil para quem quer genuinamente mudar o rumo do país.

Aguardo para perceber como irá atuar António Seguro. Parece-me certo — e já vi e ouvi muitos comentadores referirem-no — que não irá demitir o Governo nem convocar novas eleições. Isto não porque seja um apoiante do Governo (claramente não é) mas porque não quer arriscar um reforço da posição do Chega na Assembleia da República. Aliás, se o fizesse estaria a ser extremamente insensato porque o país já não aguenta mais jogos de bastidores e idas constantes a eleições.

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Manso Preto

Desejo boa sorte e bom trabalho ao novo Presidente, porque quero o bem de Portugal, independentemente de quem governa. Já sofremos demais com as consequências de más escolhas políticas, principalmente os jovens.

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