Oficinas na selva criam submergíveis de 1,5 milhão de euros que transportam 200 milhões em cocaína, dificilmente detectáveis.
Submarinos do crime revelam a engenharia clandestina que movimenta milhões e transforma o narcotráfico em potência naval invisível.
Convém lembrar que a selva Amazónica entra em 6 países (Colômbia. Venezuela, Peru, Bolívia, Equador e Brasil), em fronteiras de cerca de 15 mil quilómetros de extensão.
PUBOs submarinos tornaram-se no mais recente símbolo extremo da capacidade de adaptação do tráfico internacional.
Em armazéns cobertos por lonas, no interior da selva colombiana, surgiram verdadeiras linhas de montagem navais clandestinas, onde engenheiros projectam embarcações de alta eficiência, movidas a diesel ou mais recentemente a electricidade, capazes de cruzar oceanos inteiros sem deixar rastros. Uma margem de lucro fabulosa sustenta a escalada tecnológica dessas operações.
Com cascos de fibra de vidro reforçada, tanques de combustível amplos e sistemas de ventilação sofisticados, os submarinos do crime operam quase totalmente submersos, invisíveis a radares e satélites. Em duas décadas, evoluíram de simples barcos de baixo perfil para modelos eléctricos com motores silenciosos e autonomia de dias. A selva transformou-se num estaleiro, e o mar, o palco de uma guerra invisível que desafia fronteiras e orçamentos militares.

A ORIGEM DOS SUBMARINOS#
Nos anos 2000, os antigos barcos de recreio, vulgarmente conhecidos como ‘voadoras’, começaram a perder vantagem face a legislações internacionais, adaptadas à realidade. Seguidamente apareceram os zebros de borracha com cerca de 20 metros de comprimento e, no mínimo, 6 motores fora de borda. Mas também há cerca de duas semanas, seguindo o exemplo de Espanha, Portugal legislou no sentido de impedir a construção e posse destas embarcações. https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/lei/63-2025-943647413
O aumento da vigilância aérea forçou os cartéis a procurar uma alternativa submersa. Surgiram então os primeiros submarinos do crime, embarcações sem assinatura oficial e projectadas para o anonimato.
PUBA estrutura era leve, construída com materiais locais e motores reaproveitados, mas o desempenho surpreendia.
Capazes de cruzar o Pacífico, transportavam toneladas de carga em silêncio absoluto.
Cada oficina clandestina funcionava sob isolamento total, com trabalhadores confinados por semanas e vigiados por homens armados.
A meta era simples: entregar o submergível pronto antes que as Forças Armadas chegassem.
As técnicas transmitiam-se também de boca a boca, embora supervisionadas por autênticos engenheiros, criando uma geração de construtores que dominava soldaduras, curvas e equilíbrio de casco com precisão artesanal.

DA SELVA SUL-AMERICANA AO ATLÂNTICO: O SALTO TRANSCONTINENTAL#
A sofisticação dos submarinos do crime cresceu junto com o lucro. Modelos maiores e mais robustos começaram a operar em rotas transatlânticas, saindo da Amazónia e chegando à Europa. Nos últimos meses já foram detectados e apreendidos, no mínimo, uns 6 submarinos, fruto da troca de informação das principais Polícias do continente americano e europeu.
Um caso emblemático envolveu um que foi construído no interior do Brasil e que cruzou o oceano até à Galiza, enfrentando tempestades e correntes adversas.
Dentro dele, havia três tripulantes e três toneladas de cocaína, avaliadas em cerca de 100 milhões de euros.
A travessia provou que a engenharia clandestina já dominava conceitos de estabilidade, lastro e consumo energético.
A improvisação deu lugar à precisão, e os novos projectos passaram a incluir sensores, câmaras e válvulas automáticas de autodestruição.
Cada interceptação gerava um alerta técnico e, na selva, o próximo protótipo surgia ainda mais eficiente.

A ERA DOS MODELOS ELÉCTRICOS E INVISÍVEIS#
A descoberta de um submarino eléctrico em 2020 marcou o ponto mais avançado dessa evolução.
Com 12 metros de comprimento e 10 toneladas de baterias, ele dispensava motores a combustão e navegava sem ruído térmico o que dificulta a localização por sensores das autoridades. A sua autonomia era limitada, mas suficiente para a entrega da droga no sul da Península Ibérica e escapar da detecção.
O modelo representou a chegada da engenharia limpa ao submundo do narcotráfico, uma ironia tecnológica envolta da ilegalidade.
Esses avanços tornaram o combate ainda mais difícil. As autoridades admitem que apenas 14% dos submarinos do crime são interceptados.
O restante completa a missão e é afundado em seguida, sem rastros, sem provas, sem chance de rastrear o financiamento.

A GUERRA SILENCIOSA SOB O MAR#
Enquanto os submarinos do crime evoluem, as forças de segurança correm atrás de um inimigo que nunca reaparece duas vezes com o mesmo formato.
Satélites, drones e sensores térmicos tentam detectar pequenas anomalias nas rotas marítimas, mas os construtores já trabalham em versões autónomas, sem tripulação, programadas para se autodestruir após a entrega.
A selva e o oceano tornaram-se aliados logísticos de um sistema global invisível, onde cada embarcação é descartável e cada viagem, um risco calculado.
O futuro dessa guerra depende menos da tecnologia e mais da troca de informações e cooperação policial intercontinental.
Enquanto um submarino custar pouco, tendo em atenção o rendimento de centenas de milhões de euros ou dólares, novos estaleiros clandestinos continuarão a surgir, movidos pela matemática implacável do tráfico marítimo.
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