Sobre a liberdade de escolher o nosso próprio caminho — mesmo quando ele não é o mais rápido, nem o mais desejado por todos.
Há quem saiba desde cedo o que quer ser quando for grande. E, depois, há os outros: os que começaram um curso e mudaram para outro, os que largaram tudo aos 30, os que aos 40 ainda estão à procura, e os que descobrem a sua vocação depois da reforma — sim, acontece. E está tudo certo.
Vivemos tempos em que as carreiras deixaram de ser uma linha reta com paragens bem definidas. Hoje, há desvios, rotundas, GPS com mau sinal e até caminhadas fora do mapa. Ainda assim, continuamos a olhar para o lado, a medir o nosso caminho pelo dos outros, como se a vida fosse uma corrida em pista de atletismo.
Mas não é. A vida parece-se mais com um trilho de montanha: cada um avança ao seu ritmo, com o calçado que tem e as forças que carrega. E comparar o nosso percurso com o do vizinho só nos tira energia — e paciência.
Há quem se realize num emprego das nove às cinco, e quem encontre sentido num projeto próprio que dá mais dores de cabeça do que férias. Há quem queira subir na carreira, e quem só queira trabalhar o suficiente para pagar as contas e viver em paz. Nenhuma dessas opções é inferior à outra. O importante é que faça sentido para nós.
É verdade que às vezes parece que estamos atrasados. As redes sociais (essas grandes fomentadoras de ansiedade comparativa) mostram vidas profissionais de sucesso com filtros e frases motivacionais. Mas, por trás de cada “carreira de sonho”, há sacrifícios que não se veem, dúvidas que se escondem e, muitas vezes, cansaços que se disfarçam.
Encontrar um caminho profissional que se alinhe com as nossas necessidades, os nossos valores e, sim, as nossas limitações, é um ato de coragem — e de autoconhecimento. Porque não se trata apenas de trabalhar. Trata-se de viver com alguma leveza, com espaço para respirar, e com tempo para ser pessoa fora do expediente.
No fim, o que conta não é quem chegou primeiro, nem quem subiu mais alto. É quem, ao olhar para trás, reconhece o percurso com orgulho — mesmo que tenha havido curvas apertadas e alguns tropeções pelo meio.
Portanto, da próxima vez que sentirem que estão “atrasados” na vida, lembrem-se: isto não é uma maratona com meta definida. É uma caminhada pessoal. E o importante não é onde os outros estão — é se nós estamos onde precisamos de (e queríamos) estar.






