O Caso FC Porto–SC Braga e o Jogo das Pressões Fora das Quatro Linhas

Entre comunicados e acusações, o futebol português volta a expor a sua crise de credibilidade.

O jogo entre FC Porto e SC Braga, disputado a 2 de novembro, tornou-se mais um capítulo de tensão no futebol português. A alegada pressão sobre a equipa de arbitragem liderada por Fábio Veríssimo, desencadearam uma onda de comunicados e reações institucionais, que, mais do que esclarecer, revelam o estado de desconfiança permanente em que vive o nosso futebol.

O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol confirmou, no dia 4 de novembro, a abertura de um processo disciplinar à FC Porto SAD, com base nos relatórios do árbitro e do delegado da Liga. O processo segue em fase de instrução, sem publicidade, o que não impediu que o caso se tornasse o principal tema da semana desportiva.

Braga pede respostas, Benfica e Sporting exigem sanções

O SC Braga foi o primeiro a reagir, contactando as entidades responsáveis e exigindo “respostas firmes e imediatas”. No seu comunicado, o clube minhoto, reafirma a confiança na arbitragem, mas pede uma “atuação exemplar da justiça desportiva” para evitar “a escalada previsível se nada for feito”. Para o Braga, a defesa da credibilidade das competições é “um imperativo absoluto e inegociável”.

Pouco depois, o SL Benfica exigiu “uma reação rápida e consequências exemplares”, considerando que as alegadas pressões sobre o árbitro “em nada dignificam o futebol português”. O tom do comunicado é seco e direto, pedindo celeridade e firmeza das autoridades.

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O Sporting CP juntou-se à indignação geral, considerando “absolutamente inaceitável qualquer tentativa de condicionar ou pressionar árbitros”. O clube de Alvalade afirmou que tais práticas “mancham a credibilidade das competições” e anunciou uma participação disciplinar própria ao Conselho de Disciplina, exigindo punições “sem complacência” e recusando o “regresso a um futebol de bastidores e pressões”.

O FC Porto responde e devolve as acusações

O FC Porto, no centro da controvérsia, respondeu com um longo comunicado, que mistura defesa e ataque. O clube, declara ainda, não ter recebido os relatórios oficiais da partida e denuncia a “divulgação prévia de documentação oficial em canais privados”.

Vai mais longe, ao acusar o árbitro Fábio Veríssimo, de “ameaças e comportamentos persecutórios”, prometendo apresentar queixa formal, ao Conselho de Disciplina.

Mas o discurso portista não se fica pela defesa, os dragões falam de “graves problemas na arbitragem portuguesa”, apontam “dualidade de critérios” e denunciam um “condicionamento permanente” alimentado por comentadores e estratégias mediáticas. Em tom provocatório, o clube desafia Benfica e Sporting a deixarem os comunicados e a procurarem “verdadeiras soluções para os problemas estruturais do futebol português”.

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Um futebol que se joga fora do campo

O caso FC Porto–SC Braga é mais do que uma disputa disciplinar: é o espelho de um futebol, que parece ter perdido a confiança nas suas próprias regras.
Cada clube, apresenta-se como defensor da verdade desportiva, mas o somatório das suas intervenções produz o oposto — um ruído ensurdecedor de suspeitas, pressões e vitimização mútua.

A arbitragem, tornou-se o campo de batalha simbólico, onde se joga o poder fora das quatro linhas. O respeito pelas instituições, cede lugar à retórica da suspeita; o debate técnico, à guerra de comunicados. A cada semana, a credibilidade das competições sofre mais um golpe.

Enquanto o processo disciplinar segue o seu curso, impõe-se uma reflexão: quem protege o futebol português da erosão da sua própria imagem?
Se nada mudar, o jogo continuará, mas o espetáculo que ficará para a história não será o jogado dentro de campo, e sim, o das pressões e das narrativas fora dele.

Dignificar o FUTEBOL PORTUGUÊS, deve ser o desígnio de todos os clubes e adeptos.

 

 

 

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