O cérebro não é um computador

O nosso cérebro não é um computador, apesar de desempenhar funções de computação, mas a sua organização e o seu funcionamento nada têm a ver com a ideia comum de um computador.

Os nossos sentimentos são “homeostáticos”, funcionam de acordo com a nossa existência, expondo o nosso interior de forma direta e indireta.
Os nossos sentimentos representam as nossas qualidades, as nossas vivencias interativas, as nossas mensagens, as nossas perceções visuais, as nossas decisões convencionais, as nossas ações e suas consequências.
Somos seres criadores cuja simbiose entre a química desenvolvida no nosso corpo e os componentes bioelétricos dos nossos neurónios conduzem as nossas reações emotivas em parceria com cérebro-corpo, corpo cérebro.
Quando falamos da afetividade, estamos a desenvolver e a clarificar a amplitude dos nossos relacionamentos, dos pilares de sustentabilidade da nossa sobrevivência, do conjunto de ações involuntárias que traduzem as nossas emoções e sentimentos.
A nossa mente representa a paisagem das nossas ideias, do que aprendemos, do que vivemos, do que recordamos, do que inventamos, dos prazeres e angústias que vivemos e dos afetos e ligações que desenvolvemos.
Devemos obediência à nossa mente, celebramos a beleza do que percecionamos, consciencializamo-nos das alegrias vivenciadas e das tristezas inesperadas.
Sem consciência os nossos pontos de partida seriam caminhos movediços, as nossas imagens complexas, os nossos mapas sensoriais não teriam sucesso, as atividades bioelétricas dos nossos neurónios determinariam processos afetivos inadequados e passaríamos a ter um diálogo de surdos.
A trajetória desenvolvida pelos nossos sentimentos, o sentir de forma clara as nossas interrogações, a nossa essência, o nosso equilíbrio e bem-estar emocional, representam a pureza das nossas emoções, e eliminam as nossas agressões, minimizam os conflitos sociais e geram dentro de nós um enorme bem-estar.
As nossas funções neuronais são complexas, os mecanismos biológicos da consciência representam um aliciante desafio para a ciência.
Se nos basearmos nas ciências informáticas, e na representação da nossa mente como se funcionasse como um computador portátil, não seria certamente possível explanar as nossas ideias, escrever as nossas frases, manifestar o nosso Amor, gerar laços afetivos da fraternidade e humanidade.
Sentimos, vivemos, escrevemos, transmitimos a partir de elementos neuronais os conteúdos do nosso ser tornando os nossos diálogos ricos pelas descrições que fazemos, pelo retorno que recebemos e pelo substrato que edificamos.
As nossas experiências mentais, as peripécias descritas através da nossa história de Vida, as representações dos personagens que se cruzam connosco, a seleção que fazemos das pessoas que incluímos no nosso circuito.
A nossa consciência não pode ficar comprometida com vícios como o álcool, drogas, analgésicos que apesar de serem usados há seculos funcionam como narcóticos indutores da destruição neuronal.

 

Antonieta Dias

Médica Doutorada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Especialista de Medicina Geral e Familiar e Medicina Desportiva

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Perita em Medicina Legal com Competência na Avaliação do Dano na Pessoa -Medicina Legal e  Peritagem Médica da Segurança Social, atribuída pela Ordem dos Médicos 

Auditora de Defesa Nacional 

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