O cheiro da revolta paira no ar de Timor Leste, como um perfume invisível que embriaga a alma dos que habitam aquela terra, ao mesmo tempo abençoada e castigada.
A calma que repousa sobre os campos e montanhas é uma paz enganadora, um véu frágil que encobre um vulcão de frustração e descontentamento, prestes a explodir.
A serenidade que exibem é apenas uma aparência, um engano. Sob o manto da tranquilidade, as memórias de uma história sangrenta permanecem, prontas para emergir das sombras com a força de uma tempestade. O passado violento, que moldou a identidade deste povo, esconde-se subtilmente atrás de um sorriso, esperando o momento certo para agir.
A inércia, o conformismo, são apenas uma pausa temporária. Em cada olhar cansado, em cada gesto de resignação, há um fio de tensão prestes a rebentar. A indignação cresce, alimentada pelo contraste cruel entre as vidas dos mala’e que aqui vivem e a realidade dura dos timorenses que nem se atrevem a sonhar com um futuro melhor. O cheiro da revolta está presente, carregado de sangue e lágrimas.
Quando a paciência se esgotar, quando o grito de dor e revolta finalmente se libertar, a mudança será inevitável. Será um momento de luto, mas também de transformação. O que está adormecido há tanto tempo pode, finalmente, despertar para uma nova era de esperança e justiça. Quando o povo parar de lutar pela sua sobrevivência diária, quando um prato de arroz deixar de ser o seu objetivo principal e as suas energias se voltarem para causas e objetivos maiores, Timor-Leste irá mudar.
Deste caos, talvez surja uma oportunidade para que este povo se reescreva, para que construa um futuro onde o sonho e a dignidade não sejam apenas aspirações impossíveis.
Que Timor-Leste possa, um dia, florescer em toda a sua complexidade, refletindo a beleza da sua diversidade e riqueza natural em uma nova era de prosperidade e justiça.
E que o sol, finalmente, nasça para todos… e que todos possam usufruir das maravilhas deste cantinho encantado que se chama Timor Lorosae.



8 comentários
É um texto que toca fundo, porque revela não só as feridas abertas da história de Timor-Leste, mas também a esperança teimosa de um povo que nunca deixou de resistir. É duro e belo ao mesmo tempo, como o próprio Timor: uma terra marcada pela dor, mas também pela promessa de renascer com justiça e dignidade.
Sonharam ver- se livres dos indonésios.
Portugal e o Mundo uniu- se,e com muito sangue à mistura, Timor voltou a ser uma nação.
Mas na bagagem não vinha a democracia e a igualdade.
O texto esquece a força e as conquistas já alcançadas pelo povo timorense.
Excelente texto, parabéns.
Parabéns pelo texto muito profundo sobre o povo de timor
Muito bem escrito PROFUNDO e advinha-se a vivência que não é visível a quem não viveu na proximidade e com consciência de e DAS DIFERENÇAS
É difícil ler sem sentir o peso da dor e da esperança deste povo, o coração aperta , mas também se enche de vontade de ver este povo florescer.
O texto lê-se quase como uma poesia intensa: fala da dor e da revolta, mas consegue ser belo, desperta tristeza, indignação e, ao mesmo tempo, uma esperança silenciosa que toca a alma.
É preciso viver e sentir Timor para se escrever desta forma.