Desliguemo-nos do acto de perdoar da parte religiosa. Isto para não me meter por caminhos estreitos que não são destino desta crónica.
Nasce connosco o acto de retaliar de exercer a máxima de “olho por olho, dente por dente”, aqui com uma boa dose de exagero. É algo instintivo e primário.
É isso que vejo, e condeno, por parte de Israel, em relação à Faixa de Gaza. E por aqui me fico.
Mas também somos portadores do nobre acto de perdoar, entre outros adjectivos.
Desde crianças que reagimos a quem nos faz mal, ou nos prejudica, de forma instintiva e sob formas que evoluem com a idade. Consoante estas vão subindo, com elas elevamos a educação e o sentido de justiça e ficamos mais sofisticados no modo como exercermos a vingança, e o perdão, ou não.
Pelo caminho, deixamos cair umas boas doses de vinganças que achamos insignificantes e pueris – e até, ridículas -, mas adquirimos outras bem piores. Mais refinadas, radicais e perigosas.
Vivem-se uns anos de mais radicalismo.
Uma vez maduros. os caminhos e as atitudes a tomar são dispares. A vingança pode ser exercida de inúmeras maneiras, como bem sabemos. Isto é admitido por muitos que sentem prazer em exercê-la, de forma subtil, bem disfarçada, atirando a pedra e escondendo a mão, mas infligindo o acto.
Enquanto outros o fazem de forma descarada. E também há quem não enverede por esse caminho que, a meu ver, é o mais correcto. A vida é demasiado curta para se viver a cultivar a vingança pela vingança.
Outros, parecem jogar uma partida de bilhar às três tabelas. Há sempre um pedido a alguém amigo, que, por sua vez, pede a outro mais poderoso, no sentido de exercer a vingança solicitada pelo primeiro. Muitas, surgem em cargos políticos, ligadas ao poder local, principalmente, que não as vencendo, ou convencendo determinada pessoa, porque podem, exercem sobre ela, ou elas, vinganças inconcebíveis.
Creio que, todos nós, conhecemos como e quem exerce esta forma punitiva de fazer vingança e vergar pela arbitrariedade, a liberdade de alguém, para impor a sua vontade?
PUBInfelizmente, os exemplos são muitos e bem conhecidos e públicos.
Não foi assim há tantos anos que aconteceu um acto como este, no concelho de Vila Nova de Cerveira que, na altura, espoletou um abaixo-assinado bem nutrido, por parte da lesada. E outros, semelhantes, se sucederam.
O certo é que, entre a teoria e a prática, há um mar de falsidade, de abuso do poder e de falsos democratas.
Paralelamente há o acto nobre de aceitar a diferença e de não retaliar aos que pensam de maneira diferente porque, supostamente, a democracia e a liberdade consagram-nos esse direito de ter liberdade de pensamento.
Supostamente.
E perdoar àqueles que, de alguma forma, nos magoaram, ou prejudicaram, às vezes sem intenção.
As diferenças de opinião, que tão salutares podem ser, nascem no seio de conversas intermináveis, mais ou menos acaloradas, e cada um leva a sua verdade.
Para casos diversos, fora deste âmbito, devem ser dirimidos e resolvidos nos tribunais, ou estâncias similares, se o assunto assim o exigir, e a vida continua, sem mais vinganças.
Se devia ser sempre assim?
Claro que devia.
(José Venade não segue o actual acordo ortográfico em vigor).


