Sim! Como foi possível chegarmos aqui?
Aqui, a esta situação de ruptura, de um mal-estar latente e patente, onde todos fazem queixa, têm queixas de tudo e de todos. Os indígenas lusitanos mais parecem elementos activos daqueles jogos de todos contra todos, que antigamente acabavam com uma cerveja e uma bifana, e hoje em dia, tem de meter Polícia ou GNR para tomar conta da ocorrência, e uns tantos hematomas como medalha. O Povo está, anda zangado, e quando nessa zanga o tema é política, porque sim, ou porque não, os graus da temperatura no azedume, com razão ou não, têm sintomas de intervenientes políticos, partidários ou afins, nacionais, locais ou locatários de um singelo e inóspito lugarejo, a ver a ‘febre’ a ganhar contornos que raiam o estado comatoso. E não é que os portugueses têm toda a razão para desconfiarem da política, dos governantes, da justiça, de tudo o que cheire a Estado, ou viva à sombra dele? E nem a Igreja, ou as ‘igrejas’, escapam à pandémica urticária que trás a sociedade portuguesa, além do incomodo com a comichão, com uma azia avinagrada.
Todos desconfiam de todos. E já não é ‘alegadamente’! Os casos são tão evidentes, públicos, publicados, até ‘anunciados oficialmente’, que o uso do ‘alegadamente’ é um daqueles sofismas que uns espertalhuços inventaram para driblar outros espetalhudos, mais dados a brincarem com a lei e quem a aplica. E como a Justiça em Portugal é coisa para lamentar, alegadamente, basta recuar aos noticiários das televisões, ou dos jornais, desde de o início da semana, para se ficar com a ‘mente/estômago’ composto para digerir o ambiente social e político que vivemos. E, se os políticos, ou coisa que o valha, com o seu folclore oratório, e fanfarronice em pose, continuam o espectáculo de ilusionismo e magia, o ‘bom povo’, que os elege, está zangado, se diz insultado e maltratado, a tal maioria que desconfia da enorme maioria dos que vivem de mão estendida à Câmara Municipal ou ao Estado, e que dizem não gostarem do ‘socialismo’, espanto, também querem o mesmo, são membros activos e principais militantes do sistema: – socialismo, não, mas a Câmara e o Estado, têm de ser os primeiros a ajudar. Geniais, não é?!
Nunca nos governamos, nem nos deixamos governar, já o diziam os generais romanos quando por cá andaram. E assim sendo, como isto é uma aldeia onde todos são primos e primas, à falta de espelhos, e de melhor saco para descarregar as ´pequenas grandes sacanices’, que são ‘um direito individual, constitucionalmente consagrado’, vá de apontar um culpado, que tanto pode ser o diabo, como o primo, ou a prima, que subiu na escala económico/social, na terra, ou em Lisboa, esse sim, um alvo capaz por longínquo e que serve para tudo. Na desculpa para a frustração, ou para o pedido, a cunha, a meter.
O Povo está zangado? Aparentemente está. E ninguém avisa os políticos.
O espectáculo já começou. Promete ser coisa digna de se ver. O primeiro acto foi aquela cena triste, na eleição da mesa da Assembleia da República. A rábula que se seguiu para televisões, é coisa que promete. O desastre do PS, a poucochinha vitória do PSD e, o salto eleitoral de André Ventura, a par do incomodo que as intervenções do Almirante Gouveia e Melo provocam no meio vegetativo que vai de Lisboa a Cascais, atrevo-me a sugerir como coisa a não perder. A ‘bolha’ dos ‘comentadores de serviço’ e dos ‘velhos’ jornalistas que são chamados para encher os espaços noticiosos, só por si, já prometem entretenimento que baste. Ah, e ninguém avisa os políticos? Que mais será preciso acontecer?



