Os donos do 25 de Abril

Em Outubro de 1974, quando a BBC permitiu que eu cumprisse o compromisso de pré-aviso observado escrupulosamente para me libertar do contrato assinado por ambas as partes, carreguei dois contentores com livros e móveis, agarrei na minha mulher e no meu filho, despedi-me de muita gente por quem ainda hoje tenho amizade, apanhei um avião e vim para Lisboa dirigir a informação da RTP correspondendo assim ao convite que muito me surpreendera e honrara em Londres onde vivia desde Novembro de  1969.Foi assim que desembarquei no 25 de  Abril.

Não estive muito tempo nessas funções e, descontente com a utilização da RTP, depressa saí com um bando de grandes jornalistas, da RTP, RDP, Diário de Notícias e Século, depois dos saneamentos do Diário de Notícias e o escândalo do caso “República” para acabarmos  por fundar o semanário “O Jornal” que foi um grande sucesso na Imprensa Portuguesa com repercussões na Alemanha, no Brasil, Estados Unidos e, principalmente,  em França e Espanha.

Eu, e a minha família viemos para o 25 de Abril, fosse o que isto fosse e vivemos esses período apaixonante com o propósito de cooperarmos, ajudarmos e contribuirmos para a todo o progresso que ainda hoje é inegável, independentemente dos excessos e asneiras cometidos por um lado e por outro mas que duma maneira e de outra viria a fazer Portugal progredir e  abandonar a tristeza e o atraso da ditadura que  ficara para trás.

Uma coisa que sempre achei e na qual ainda hoje acredito é que o 25 de Abril foi e é do povo, depois dos militares, que derrubaram o Estado Novo, terem a grandeza de largarem o poder e o entregarem  ao povo que começava a  organizar-se em partidos para além do PCP que lutara e resistira durante mais de 50 anos. Portanto, para mim e milhões de Portugueses o 25 de Abril é do povo.

E hoje continua a ser do Povo, não tem donos nem promotores de festas e eventos que podem e devem ser de quem queira festejar.

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