Marcelo Rebelo de Sousa, actual Presidente da República, teve esta metáfora que é bem conhecida pela maioria das pessoas, quando lhe foi perguntado sobre o que achava sobre o novo pacote legislativo do governo de Costa para combater a crise na habitação, em 2023, disse o seguinte:
O povo costuma dizer: “só se sabe se o melão é bom depois de o abrir. É preciso abrir o melão”.
Sobre isso, não há nenhuma dúvida.
Há, no entanto, a impossibilidade objectiva de, em muitos casos, o fazer.
Quando compramos um melão, se não reunirmos outros saberes, contam as aparências, o que em qualquer dos casos, não é garantia que o mesmo esteja no ponto certo.
Isto vem a propósito da escolha do candidato presidencial que vai substituir Marcelo Rebelo de Sousa a 9 de Março.
Para mim, esta eleição, afigurou-se-me clara desde o seu início. Não precisei de o fazer por exclusões de partes ou pelo mal menor.
Marques Mendes foi o meu candidato, aquele cujo passado, presente e, eventualmente no futuro, conferia melhores condições para o exercício do cargo.
Marques Mendes, na sua longa carreira política desde os dezassete anos, fez de tudo, incluindo a liderança do seu partido. Pelas aparências almejava ser Presidente da República e eu vi que reunia condições inigualáveis para um bom desempenho do cargo.
Marques Mendes queria fechar o seu ciclo político dessa forma.
Assim não acharam os eleitores e agora, na segunda volta, estamos pior do que no dia 18 de Janeiro.
PUBA propósito, convém avivar a memória.
Recordo as tropelias feitas por Ramalho Eanes, (1976/1986) enquanto Presidente da República, torpedeando o governo minoritário de Cavaco Silva, para dar espaço à criação do seu PRD. Eanes foi eleito aos 41 anos e achou que, o capital político angariado enquanto Presidente, lhe dariam asas para o seu partido, logo que abandonasse o Palácio de Belém.
Há muitos portugueses que não se lembrarão do Partido Renovador Democrático, (PRD), entretanto extinto, nem deste tempo.
Depois dele, veio o imprevisível e inconsequente Presidente Mário Soares (1986/1996) que foi, apesar de tudo o que o seu antecessor fez, quem mais partidarizou o cargo. Extravasou todos os poderes que a Constituição lhe confere para diabolizar declaradamente a governação de Cavaco Silva, em evidente benefício do seu Partido Socialista.
Aqui chegados, pergunto-me: quem é que fiscaliza e impõe limites ao Presidente da República? O passado diz que ninguém – e é assim que tem sido. A ladainha de que obedece à Constituição ou que o Tribunal Constitucional fiscaliza a constitucionalidade das leis, nada impede que ele as extravase nas funções, como se tem visto e se torne um poder paralelo ao governo, seja ele qual for.
Assim, no dia 8 de Fevereiro, e tal como o fiz nos dois actos eleitorais que elegeram Marcelo Rebelo de Sousa, o meu voto iria ser em branco, porém, por motivos de saúde, não poderei ir votar.
Se a Ventura não confiaria as chaves de uma fechadura usada e avariada, a Seguro, por outros motivos, que não cabem todos aqui, também não merece o meu voto nem a minha confiança.
Seguro, em 2008, discordou com o então todo poderoso Sócrates por não ter havido referendo sobre o Tratado de Lisboa. (13/12/2007). E apesar de, por essa altura, ser evidente o descalabro da governação Sócrates, Seguro continuou ao seu lado, evidenciando a sua total conivência.
Depois, nas eleições legislativas de 2011 como candidato a deputado pelo círculo de Braga, Seguro diz o seguinte a Sócrates: “que no partido todos estão juntos e unidos a lutar pela vitória do dia 5 de Junho de 2011”. Que não tiveram!
De PEC em PEC, o governo de Sócrates ajoelhou e pediu a demissão a 23 de março de 2011, seguido do pedido urgente de ajuda financeira a Portugal, a 6 de Abril de 2011, ao FMI, ao BCE e à UE, que ficou conhecida pela Troika.
Portugal estava no limiar da bancarrota!
Quando alguém, como Seguro – que enquanto Secretário geral do PS (2011/2014), foi ultrajado por Costa – se alheia dos destinos da Nação, lhe vira as costas durante 11 anos, quando muito deveria de ter para dizer e mostrar quem era o traidor e o mentiroso, como ele disse que era o Costa e não esconder-se como o fez, Dúvidas enormes subsistem…
Neste caso só mesmo abrindo o melão.
E ser Presidente da República não é ser líder partidário. Será isso que agora vamos (de novo) ter?
(José Venade não segue o actual acordo ortográfico em vigor).






