Pobres passadiços

Se há iniciativa política que devemos louvar e agradecer, sem dúvida, é a construção dos passadiços e ecovias.

Do Norte ao Algarve, pelo Litoral e pelo Interior, existem passadiços que nos oferecem paisagens lindíssimas e possibilidades de acesso a locais anteriormente desconhecidos. Vieram valorizar e facilitar o exercício físico sem prejudicar a natureza. Mais correctamente, afectando minimamente a pegada ecológica.

Além de todas essas vantagens há que acrescentar o aumento do movimento turístico; criando sustentabilidade a algumas regiões mais desprotegidas e ajudando outras a acrescentar algum conforto a quem pretende esquecer a azafama e o stress.

Especialmente as criança, com essas condições, vão sendo educadas e habituadas a conviver e respeitar a natureza.

Até aqui todos fomos felizes, mas agora começam a surgir os problemas da manutenção, assunto permanentemente esquecido por quem tem a obrigação de governar estas coisas.

GOSTA DESTE CONTEÚDO?
Manso Preto

https://dre.pt/pesquisa/-/search/172974/details/maximized?perPage=25&q=Lei+n.%C2%BA%2010%2F97

Já em 1931 existia o Decreto nº 19502 com legislação para estes assuntos, mas foi o Decreto/Lei nº 2110 de 1961 que iniciou verdadeiramente tudo isso sem esquecer a manutenção. Promulga no sumário o regulamento geral das estradas e caminhos municipais. Quem assinou a sua publicação, por estranho que pareça, foi Américo Deus Rodrigues Thomáz, Presidente da República e António de Oliveira Salazar, Primeiro Ministro.

Se aconteceram muitas coisas más (muito más) nessa época, também fizeram algumas boas que devemos registar.

Essa Lei é uma verdadeira lição.

Já salvaguardava:

PUB

– A conservação;

– Reparação;

– Policiamento (fiscalização);

– Cadastro (registo) das estradas municipais;

– Cadastro (registo) dos caminhos e passadiços municipais.

Tudo isto a propósito do abandono de algumas dessas ecovias e passadiços que se encontram com vestígios de vandalismo e verdadeiro desleixo.

Não se compreende! Depois de investirem tantos milhões e terem recebido tão bons resultados desses investimentos públicos, mesmo assim, verificamos situações degradantes.

Fizeram-se coisas tão boas com pomposas inaugurações para pouco depois chegarem a este abandono. Até o comum cidadão que tantos impostos paga, se deve sentir insultado com tal desleixo.

Será que os responsáveis andam mesmo distraídos? A desligarem-se das responsabilidades desta forma!

Bem sabemos que nos encontramos em eleições e temos esperança que as pessoas no momento próprio saibam valorizar o que sobrou de bom e não o que foi feito à última da hora para pescar mais alguns votos.

Devemos lembrar-nos que chegou uma nova forma de estar na vida e na economia.

A sustentabilidade não é possível se continuarmos em desacordo com a natureza. Mais grave ainda é quando a própria economia depende da conservação daquilo que possuímos. Não esqueçam! O nosso grande “Bum” turístico deveu-se naturalmente ao país e às pessoas que temos.

Não foram as multinacionais nem os investimentos internacionais que nos ofereceram este clima e esta capacidade de trabalho que possuímos.

Senhores políticos, não será melhor tentarem governar de forma mais organizada e em função dos cidadãos?

Por favor!

Organizem-se!

  Partilhar este artigo