Passam hoje doze anos (17/06/2013) sobre o falecimento de Nélson Vilarinho, uma figura ímpar da freguesia de Covas, onde viveu e de onde saía para espalhar o seu perfume emanado da sua concertina, da sua voz que contagiava todos. Tinha 91 anos.
Hoje, no YouTube, podemo-lo recordar com saudade este enorme embaixador do folclore e tocador de concertina que tocava em qualquer lugar e com ele levava alegria, novidade e nostalgia.
Ele passou por um tempo em que a concertina não estava na moda, mas sobreviveu e impôs-se como só alguns o conseguem fazer. Correu Mundo.
Foi postumamente homenageado na Quinta do Santoinho, por iniciativa do proprietário Valdemar Cunha, que encomendou uma escultura ao escultor e pintor Mário Rocha, para perpetuar o legado deste grande tocador de concertina.
Músicos como o Augusto Canário, Quim Barreiros e outros cantadores ao desafio associaram-se à homenagem.
Por terras de Candemil tivemos outro brilhante tocador e cantador de concertina e ensaiador de diversos ranchos folclóricos. Falo de Carlos Nejo (04/071924-29/12/2007), assim era popularmente conhecido. Faleceu aos 83 anos.
Com este homem lidei de muito perto com ele e devo dizer que jamais o vi triste. Era a alegria em pessoa.
Entre ele e Vilarinho havia uma amizade própria de quem anda por estes meios.
Aqui chegados, cabe perguntar como é que reagiram as autoridades locais ou municipais, em ambos os casos.
Posso estar a ser injusto mas, pelo que sei, o que houve foi nada ou quase nada…
PUBEm Candemil, passados três anos e já com outra Junta, esta decidiu criar um Festival Anual de Tocadores de Concertina em homenagem ao Carlos Nejo.
E foi desta forma singela, mas abrangente, que se realizou a 30 de Maio de 2010 o primeiro Festival de Tocadores de Concertina Carlos Nejo.
Durante nove anos o dito festival foi consecutivamente realizado, estando o Covid-19 nos motivos que ditaram a sua interrupção.
Afastado o Covid, o festival nunca mais foi realizado, motivos que desconheço mas que me deixa triste.
Urge voltar a realizar os festivais, de tão grata memória e uma evocação à memória de Carlos Nejo que não podemos deixar morrer.
Em comum, estes dois tocadores e cantadores, tinham o facto de não terem sido ricos de dinheiro e bens, ou de títulos, não foram doutores, engenheiros e quejandos, para os quais contam na sociedade política reinante.
Mesmo, passados 51 anos sobre o 25 de Abril que diziam que éramos todos iguais, as nossas elites, ainda têm um certo ranço a quem não tem títulos. Não admira, pois, que surjam engenheiros com cursos concluídos num domingo.
Urge, pois, modificar este conceito desajustado, até parolo e deixar de atribuir medalhas de todo o tipo e outras honrarias (?) a quem, pela sua terra ou concelho, nada fez ou nada deu pro bono que justifique o disparate que, anualmente, vemos pela Câmara Municipal.
Há tantos que os seu Méritos, Honras, ou o que seja, foi exercerem a sua actividade profissional remunerada. Nada mais!
Enquanto, personagens como estas duas, e outras vindas da enorme maioria que é a rés do povo anónimo e que, nas variadíssimas profissões trabalham e labutam e fazem pular a nação, todos os dias, com mãos hábeis e imensa sabedoria, que as metem na massa, continuarem esquecidas por mais feitos que façam, continuarão as injustiças.
(José Venade não segue o actual acordo ortográfico em vigor).





