Tempo de festas e romarias: a tradição veste-se de orgulho

Chega o verão e com ele a prova de que preservar o que é nosso é um ato de amor.

Há sinais que não enganam: chega o verão e começam a erguer-se “bandeirinhas” nas praças, os cartazes coloridos surgem nas esquinas e a conversa volta a girar em torno das festas da terra. Romarias, procissões, música ao vivo e barracas de farturas – como manda a tradição. E, mesmo para quem não vibra com tudo o que isto envolve, é difícil não reconhecer o valor do que ali está.

O que mais aprecio, ano após ano, não é tanto a programação ou o cheiro a bifanas no ar. É o afinco – quase teimoso – com que cada terra organiza a sua festa. O orgulho com que se fala da “nossa romaria, da procissão que é sempre muito bonita”, do esforço para “fazer melhor do que no ano passado”. É o envolvimento de quem tem a vida cheia, mas arranja sempre tempo para se dedicar à comissão de festas, à decoração da igreja, ao ensaio do rancho, à organização de cada quadro festivo.

As festas populares são muito mais do que o seu programa. São reflexo de uma comunidade que se mobiliza, que resiste ao esquecimento e que encontra nestes dias uma forma de manter viva a sua identidade. São momentos em que as raízes falam mais alto do que as modas. Em que se celebra não só o santo padroeiro, mas a capacidade que temos – como povo – de fazer acontecer, mesmo com poucos recursos e muitas exigências.

Cada romaria é uma espécie de cápsula de memória e pertença. E é por isso que importa preservá-las e respeitá-las – mesmo quando somos mais dados à modernidade do que ao folclore. Porque estas festas não se medem pelo número de palcos nem pela qualidade do som, mas pela força com que resistem ao tempo e se mantêm no coração de quem as faz e de quem por elas espera todo o ano.

No fundo, estas celebrações são o espelho de quem somos: resilientes, dedicados, orgulhosos das nossas origens. E é bonito ver que, por entre o barulho do mundo, ainda há quem encontre tempo – e alma – para manter vivas estas tradições. Que nunca nos falte esse esforço.

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Manso Preto

Portanto, este verão, que se ouça as bandas filarmónicas, que se acenda as luzes nas ruas, que se dance nos bailaricos. Que celebremos os nossos lugares e as pessoas que neles vivem. Porque, por mais modernos que sejamos, há festas que não passam de moda – e ainda bem.

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