Requalificação de 15km da Ecovia do Vez: Vereadores do PS defendem que investimento de 500.000€ impõe repensar soluções para o Futuro.
No passado dia 23 de novembro foi assinado protocolo de colaboração técnica e financeira, no valor de mais de 475 mil euros para promover a recuperação das margens do rio Vez e áreas adjacentes afetadas pelas intempéries.
«Esta intervenção, com um valor estimado de 500 mil euros, vai desenvolver-se ao longo de 15 km e tem como principais objetivos melhorar a segurança, acessibilidade e sustentabilidade da ecovia, através da requalificação dos pavimentos, substituição das passagens hidráulicas degradadas e outras intervenções que garantam uma melhor drenagem e estabilidade do caminho, conforme informação disponibilizada pela comunicação social» – adiantam os vereadores socialistas no Executivo arcuense.
O momento contou com a presença do Secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, do Presidente do Conselho Diretivo da APA, José Carlos da Silva, do Presidente, da Vice-presidente da Câmara Municipal, Emília Cerdeira e o Vereador João Carlos Taveira, «dado se tratar efetivamente de um apoio excecional protagonizado pela Agência Portuguesa do Ambiente» – esclarecem em comunicado.
PUB«Excecional pela sua importância em termos de valor financeiro para os cofres municipais, mas também pela forma e entidade que proporcionou esse encaixe financeiro o que mereceu a presença do Sr. Presidente do Conselho Diretivo da APA. Os vereadores do PS, João Braga Simões e Flávia Afonso, afirmaram que não podiam deixar de endereçar, em nome de todos os arcuenses, os parabéns pela excecionalidade daquele apoio».
Os vereadores referiram que o problema, segundo afirmaram, residia precisamente no facto de «desta vez, terem conseguido quem pagasse a fatura das intempéries. Contudo, estes são apenas 15 km de uma rede de 400 km existentes em Ecovias por todo o Concelho».
O rio Vez, é sobejamente conhecido por apresentar episódios de cheias devido ao seu carácter torrencial, cujo caudal varia de forma muito rápida e intensa, sobretudo após períodos de chuva forte. No caso do rio Vez, este comportamento deve-se principalmente à sua bacia hidrográfica montanhosa, onde a inclinação acentuada dos terrenos faz com que a água da chuva escoe rapidamente para o leito do rio.
Afirmam, ainda, que «quando ocorrem precipitações intensas, típicas da região, a água infiltra-se pouco no solo, muitas vezes já saturado, e é rapidamente conduzida encosta abaixo. Este escoamento rápido aumenta de forma súbita o volume de água no rio, fazendo com que o caudal suba em pouco tempo. Assim, a combinação entre o relevo montanhoso, a precipitação intensa e o escoamento rápido explicam por que razão o rio Vez é particularmente propenso a episódios de cheia». Os vereadores socialistas sustentam que esses episódios «são de uma recorrência elevada, sendo de registar cheias que provocaram eventos significativos em 1990, 2001, 2015 e 2025. Podemos daqui retirar duas coisas – que pelo menos em cada década temos uma cheia com potencial catastrófico significante e que estas cheias são cada vez mais recorrentes e em menor espaço de tempo fruto das alterações climáticas».
PUBOs autarcas acrescentaram que «seria excelente aproveitar a atual disponibilidade técnica e financeira da APA para encontrar soluções alternativas e mais adequadas à força das águas do rio Vez, uma vez que a Ecovia seria ciclicamente sujeita a essas mesmas situações. Se estas verbas apenas servirem para repor o que foi destruído sem se trabalhar tecnicamente em soluções alternativas, será apenas um penso rápido numa hemorragia central».
«Existem alternativas de renaturalização das margens, como por exemplo as que se encontram no trilho “Ladeiras do Coura”, em São Martinho de Coura junto ao Rio Coura, podem ser utilizados como alternativas válidas em alguns troços. Existem caminhos tradicionais, muitos deles cobertos por ecovias de passadiço que podem ser recuperados. A própria forma como os passadiços elevados são construídos pode ser revista de forma a evitar que se desmontem em blocos, tipo legos, como foi o caso na zona das lagoas em que os passadiços foram construídos em módulos em estaleiro, transportados e montados depois no local, o que diminuiu a resposta estrutural dos mesmos perante a forças das águas».
Os vereadores do PS referiram que «percebiam e concordavam, em parte, com a estratégia de desenvolvimento turístico do concelho, centrada na ecovia e nos trilhos pedestres, enquanto forma de potenciar e beneficiar a região através do turismo sustentável, da valorização do património natural e cultural e do estímulo à economia local. Sublinharam, contudo, que nunca se poderia abdicar da boa gestão dos dinheiros públicos, lembrando que bónus como o proporcionado pela APA em 2025 não se repetiria, ao contrário das cheias. Por isso, defenderam que esta oportunidade deveria ser aproveitada para, de forma estruturada, estudada e fundamentada, reajustar a Ecovia, renaturalizar as suas margens e garantir que futuras cheias tivessem menor impacto sobre a mesma».
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«Prolongamento das obras no Campo de Trasladário agravarão prejuízos para comerciantes, taxistas e residentes»
Os vereadores do Partido Socialista, João Braga Simões e Flávia Afonso, voltaram a chamar a atenção para aquilo que consideram ser um problema que ultrapassa a esfera administrativa, afirmando tratar-se de uma questão com «relevância humana, sensibilidade económica e impacto político inegável». Referiram-se à segunda fase das obras no Campo de Trasladário e às suas consequências no quotidiano dos arcuenses, sublinhando que os efeitos negativos se agravariam com a prorrogação do prazo dos trabalhos, recentemente conhecida.
Os vereadores transmitiram que, nas últimas semanas, particularmente nesta época do ano, os «receios dos comerciantes se intensificaram, já que este é, para muitos, um período essencial para garantir a sustentabilidade dos seus negócios. Alertaram que os acessos condicionados, a evidente diminuição de afluência e a perda de oportunidades de venda estavam já a provocar prejuízos significativos, que a prorrogação da data de conclusão das obras apenas viria ampliar».
Sublinharam que «não era aceitável« que, sempre que se intervém numa zona central da Vila, «fossem os mesmos a suportar os custos sociais e económicos, enquanto consideravam que o Município falhou no planeamento e na mitigação dos impactos negativos». A este cenário, «acrescentaram-se os constrangimentos graves no estacionamento, a redução de lugares disponíveis e a completa deslocalização da praça de táxis, deixando os profissionais sem um local adequado para o embarque e desembarque de passageiros». Com a extensão do prazo das obras, afirmaram que estes prejuízos se tornariam mais prolongados e mais difíceis de suportar.
Os vereadores defenderam que, «num momento como este, era exigível ao Executivo Municipal responsabilidade, capacidade de diálogo e um planeamento rigoroso, apontando como exemplo a situação dos taxistas, que ficaram sem alternativa viável para exercer a sua atividade com normalidade». Acrescentaram, ainda, que «o facto do Presidente da Câmara ter reservado apenas três lugares de estacionamento nas proximidades era manifestamente insuficiente em face do número de táxis que ali operam e que, além disso, esses lugares se encontravam recorrentemente ocupados por veículos de particulares, agravando ainda mais as dificuldades sentidas pelos profissionais». Complementam, ainda, que estes lugares que passaram a ser destinados aos táxis «representavam menos três lugares de estacionamento disponíveis para o comércio local, penalizando também os comerciantes daquela zona. Consideraram que o papel da Câmara deveria ser o de construir soluções e não o de agravar tensões ou incertezas».
Justificam que ainda que «se impunha um plano claro de circulação e de estacionamento alternativo, com comunicação permanente aos comerciantes, taxistas e residentes afetados e medidas imediatas que atenuassem o prejuízo numa época economicamente sensível», frisando que a confiança da população na gestão municipal «só seria possível com o cumprimento rigoroso dos prazos, com informação transparente e atualizada e com a garantia de que os constrangimentos não se prolongariam — algo que, com a prorrogação agora anunciada, deixava de estar assegurado».
Os vereadores referiram também que, «num projeto cujo estudo preliminar custou cerca de 60 mil euros aos cofres municipais, era legítimo esperar que as condições climatéricas típicas desta época tivessem sido antecipadas, evitando que agora se recorresse a justificações baseadas em atrasos que deveriam ter sido previstos e acautelados».
Ressaltaram ainda que, «quando o PS solicita esclarecimentos sobre custos, prazos e execução orçamental, não o faz por lógica de oposição, mas por dever de fiscalização e em representação das preocupações legítimas da população, frisando que essas preocupações lhes chegam diariamente. Estranharam que, apesar dos pedidos insistentes, ainda não tivesse sido apresentada informação rigorosa, completa e documentada sobre a execução financeira do projeto».
Neste contexto, reforçaram que a comunidade tem o direito de saber quanto está realmente a custar esta intervenção e que medidas estão a ser tomadas para proteger o tecido económico local, particularmente agora que a extensão do prazo de obra «representa um aumento direto no prejuízo dos mais afetados».
Reafirmando que o Município «deve ser parte da solução e não parte do problema», o PS conclui que «perante atrasos, impacto acumulado, falta de informação clara e receios legítimos dos comerciantes, taxistas e residentes, continuará a exigir transparência, responsabilidade e respeito por todos os arcuenses».













