A Praça da Erva Verde em Vila Praia de Âncora, junto ao Monumento dos Antigos Combatentes foi, mais uma vez, o palco da cerimónia que acolheu a Comemoração do dia 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas e a Homenagem aos Antigos Combatentes do Concelho de Caminha.
As Autoridades Concelhias e Locais, a GNR de Vila Praia de Âncora, Associações de Antigos Combatentes, nomeadamente Comandos e Paraquedistas, e Antigos Combatentes e suas Famílias marcaram presença.
A Cerimónia começou com o hastear solene da Bandeira Nacional pelo Antigo Combatente Licínio Gomes Macedo, ao som do Hino Nacional.
De seguida foi prestada homenagem aos oito Antigos Combatentes falecidos na Guerra do Ultramar, sendo um da Marinha, seis do Exército e um da Força Aérea e nas suas memórias foram homenageados todos os Antigos Combatentes entretanto falecidos.
PUBA homenagem foi cumprida ao som do Toque do Silêncio pelo trompete de Vítor Hugo Franco, acompanhando a viúva do Antigo Combatente falecido Eliseu Camelo, D. Isaltina Lajoso Camelo, que levou a coroa de flores para apôr na base do Monumento, tendo sido acompanhada pelo Presidente da Câmara Municipal de Caminha, Dr. Rui Lages, pelo Presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, Carlos Castro e pelo Antigo Combatente Antero Sampaio. No momento das intervenções usou da palavra o Antigo Combatente Antero Sampaio, em nome da Comissão dos Combatentes do Concelho de Caminha, que relevou o sacrifício e o esforço dos Antigos Combatentes na Guerra do Ultramar, muitas vezes levado até à morte, na defesa da nossa Pátria,
deixando lá a juventude e a própria saúde.
Relembrou e leu o poema “Lá longe onde o sol castiga mais” do cantor e Antigo Combatente Paco Bandeira que retrata a vida do Antigo Combatente na Guerra do Ultramar:
“Quem nunca viu | Quem nunca andou a combater, | Não dá valor, nem faz ideia o que é sofrer | Ter de matar p’ra não morrer. | Saber sofrer sem chorar, | saber chorar e sorrir.
Lá longe, onde o sol, castiga mais, | Não há suspiros nem ais, | Há coragem e valor.
E à noite, com os olhos postos no céu, | rogamos ao nosso Deus | Que nos dê a salvação.
E quando alguém do nosso grupo cai, | ainda é pior, ainda sofremos mais. | Faz-nos sentir, faz-nos pensar. | Talvez da próxima vez, seja eu quem vá tombar.
Lá longe, onde o sol castiga mais, | Não há suspiros nem ais, | Há coragem, e valor.
E à noite, com os olhos postos no céu, | rogamos ao nosso Deus, | que nos dê a salvação.”
Seguidamente usou da palavra o Presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora que relevou a memória dos Antigos Combatentes, nomeadamente aqueles que caíram em defesa da Pátria e que a Pátria abandonou nos teatros das operações, num ato de injustiça que merece urgentemente de ser reparado, tendo referido que ia dar conhecimento da sua intervenção ao Presidente da República e ao Governo.
A terminar, usou da palavra o Presidente da Câmara Municipal de Caminha, Dr. Rui Lages que relativamente aos Antigos Combatentes referiu: “Não posso deixar passar este momento sem dedicar umas palavras, por simples que sejam, com muita gratidão e sentido de reconhecimento, aos nossos Antigos Combatentes. Ao estar aqui, perante todos vós, homens que envergam as suas boinas com honra e devoção, que ostentam as medalhas ao peito com brio e glória, sinto em mim uma enorme sensação de gratidão. Vós que defenderam e honraram a pátria reconheço-vos o espírito de sacrifício, de bravura, de coragem e determinação. A guerra não foi, nem é uma escolha do militar. Um militar está: Pronto. Sempre pronto para servir a sua pátria mãe e defendê-la até à morte. Morte essa que ensombrou muitos de vós, pela perda de camaradas, de amigos, de familiares. Mas, nem tudo foi em vão. E vocês sabem-no bem. Quantas e quantas vezes ao ouvirem o som do nosso Hino Nacional, ou na continência prestada à Bandeira Nacional, lágrimas não foram derramadas? E não foram lágrimas de cobardia ou desespero. Foram lágrimas de Amor, de Saudade, de Valentia, de Bravura. Por isso, há momentos em que afirmar Portugal e as suas raízes é afirmar os valores da liberdade, da democracia, da pátria lusa, que tantos de vocês juraram proteger com o vosso sangue, suor e lágrimas”.
Manuel Amial, Antigo Combatente da Guerra do Ultramar em Moçambique, no Cabo Delgado, entre 1970-72, que orientou a sessão protocolar, agradeceu a presença dos Antigos Combatentes e suas Famílias, das Associações de Antigos Combatentes, nomeadamente Comandos e Paraquedistas, da Comunicação Social e também relevou o apoio da GNR, da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora e da Câmara Municipal de Caminha.
Referiu ainda que a sessão foi um momento muito especial de exaltação da Pátria, de recordação dos camaradas falecidos e reconheceu o elevado contributo dado à Nação pelos Antigos Combatentes, que merece ser devidamente reconhecido Aproveitando o Ano Santo de 2025 que tem a “esperança” como tema central, apelou aos valores da camaradagem, da solidariedade, da paz e da esperança num mundo melhor e mais feliz para todos.
Manuel Amial não esqueceu que este ano se evocam os 445 anos da morte de Luís de Camões, o nosso Poeta Maior, lembrando o seu eterno legado, os Lusíadas e a exaltação da Pátria Portuguesa. Terminou não esquecendo as nossas Comunidades Portuguesas espalhadas pelo Mundo, onde existem Antigos Combatentes Portugueses e o seu elevado contributo pela ligação à nossa língua e à nossa cultura.













