Portugal tem os patrões e empregados menos letrados da Europa

É isso, segundo dados publicados pela EUROSTAT, Portugal pertence à lista dos países que possuem os patrões e os trabalhadores menos letrados da Europa.

Os empregadores portugueses estão no topo da lista dos menos letrados da União Europeia, com 55% quando a média geral é de 16,6%.

Mas os nossos trabalhadores por conta de outrem apenas têm o 9º ano ou pouco mais cerca de 43%, a média europeia ronda os 16% com habilitações tão baixas. Lembramos que com formação secundária ou superior, a média na UE, é de 17%. Não fiquemos muito tristes porque: Malta, Espanha e Itália, neste capítulo, ainda estão pior que nós.

Embora os Senhores políticos tenham alguma dificuldade em aceder ao que a História nos  ensina, ela regista qual a principal estratégia dos cerca de 50 anos de Ditadura em Portugal. Era o cultivo da falta de cultura para que o povo tivesse mais dificuldade em se aperceber da má gestão do país. Dessa forma, dava abertura à inculta entidade patronal para que pudesse usufruir da mão-de-obra barata e gerisse uma massa humana sem capacidade de reivindicação.

Na época, dizia-se por brincadeira que a cultura portuguesa se identificava com 3 efes: (Fátima, futebol e fado).

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Manso Preto

Esta metodologia tem sido aplicada em quase todos os países latinos. Se quisermos observar de forma mais atenta vamos aperceber-nos de que aqui na UE, os interesses estão organizados nesse sentido, embora todos saibamos que isso já não é tão fácil de pôr em prática como anteriormente. A realidade é que as comunicações sociais vão divulgando o que acontece nos países onde a democracia tem mais maturidade.

Existem várias razões que justificam de alguma forma o que está a acontecer no nosso ensino:

– O desrespeito com que alguns Governos têm tratado o ensino e os professores em particular;

– O exemplo dado por alguns políticos falseando as próprias habilitações sem que nada lhes aconteça;

– O estado económico em que ficaram imensas famílias: antes, quando, durante e depois da falência do país;

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– O péssimo exemplo dado por políticos que alegadamente desviam verbas brutais e continuam sem que a justiça consiga cumprir o seu dever;

– O mau exemplo dado por alguns políticos ou seus representantes que antes de ocuparem determinado cargo viviam como qualquer cidadão, do rendimento do seu trabalho, repentinamente depois desse cargo, ficaram milionários sem justificarem convenientemente a origem de todo esse capital.

– Conforme os anos vão passando, as verbas para o ensino e para a investigação vão diminuindo;

– As carreiras de quem trabalha nessa área, deixaram de existir durante largos anos;

– Gastaram-se muitos milhões de euros na destruição e depois na construção de escolas mal estruturadas e com uma manutenção caríssima para a qual não existem verbas disponíveis, etc.

Dizem que não há dinheiro, acreditamos que não, mas ele continua a aparecer para os aumentos da classe política, para os seus acólitos e para os respetivos partidos em quantias de tal forma elevadas que escandalizam os restantes políticos da Europa.

Assim vamo-nos apercebendo daquilo que os outros têm e nós não, e também de algumas das razões porque isso acontece. Mas com alguma facilidade, verificamos que não somos uma cambada de iletrados e de preguiçosos. Como prova, temos os milhões de imigrantes espalhados por todo o Mundo onde são estimados pela qualidade e pelo empenho no seu trabalho.

Temos também imensos artistas, atletas e cientistas que estão a dar cartas em várias áreas mostrando capacidades criativas muito acima da vulgaridade.

Por isso, todas estas exigências que vão acontecendo não têm tanta relação com o cidadão comum mas sim com quem nos governa, embora sejamos nós a pagar a conta.

É que estes governantes ainda estão agarrados ao que de mau existia noutros tempos não aproveitando o que foi feito de bom.

Por exemplo, no que diz respeito ao abandono escolar ou à falta de consideração e respeito por quem os ensina, nesse tempo, os pais eram responsabilizados por tudo o que acontecia dando rapidamente origem à falta de apoio dado pelo Estado a essas famílias. Claro está que possuíam métodos para fazer cumprir na prática, toda essa ordem

Sabemos que nessa época a miséria era bem pior do que agora, mas esta é bem mais evoluída, pelas razões que todos conhecemos.

Enquanto entrou dinheiro da UE, ele foi chegando e desaparecendo a uma velocidade louca. Todos falavam disso, sabíamos que aquela não era uma situação normal, mas ninguém fazia nada. Dizia-se que havíamos de torcer a orelha por aceitarmos tanto dinheiro sem ponderar convenientemente: onde o aplicar, como, porquê e quem era responsável pela justificação da sua aplicação. A UE foi vigiando, mas não o suficiente.

Parece que chegou o momento de fazermos contas com o resto da Europa.

Será que as conseguimos fazer sem sofrer mais do que temos sofrido?

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