Como a morte pode revelar uma das mais lindas e comoventes histórias de Amor!

Há situações só possíveis de compreender quando se tem uma profunda dimensão espiritual, principalmente quando a Ciência ainda não encontrou uma outra resposta!Muitas vezes, por trás de uma simples nota de falecimento, está a revelação de outras circunstâncias que nos tornam pequeninos nas nossas vivências, por extraordinariamente surpreendentes…Falo do casal Malafaia Pinheiro, emigrantes no Canadá!

Helena sofria de uma leucemia em fase terminal e via a sua saúde degradar-se há muito tempo. Para evitar sofrimento desnecessário, escolheu recorrer à morte medicamente assistida. Embora a decisão tenha sido inicialmente difícil de aceitar para o marido, este, confrontado com a sua própria saúde igualmente debilitada, decidiu juntar-se a ela nesta última “viagem”. Nesse dia, dois médicos posicionaram-se lado a lado para administrar este cuidado de fim de vida ao casal, cumprindo a vontade de ambos. Enquanto se elevavam as primeiras notas do Stabat Mater de Pergolesi https://www.youtube.com/watch?v=HUZbq6JZ8ro&list=RDHUZbq6JZ8ro&start_radio=1 eles trocaram um último olhar com as mãos dadas, um instante suspenso para dizerem tudo o que não se exprime por palavras. Embalados pela música, adormeceram pacificamente, unidos na morte como o foram durante toda a vida.

Em poucos instantes, entrelaçados como se fossem um só corpo, partiram para outra dimensão. Onde quer que estejam agora, continuarão certamente a partilhar a ternura de sempre, epílogo de uma magnífica história de amor que abala profundamente quem escreve estas linhas.
Os tristes desenlaces foram-nos agora comunicados por Stephan Pinheiro, filho de Victor Manuel Baptista Malafaia Pinheiro (1937-2025), natural de Viana do Castelo e emigrado no Canadá, que nos deixaram no passado dia 25 de Novembro no Hospital Santa Cabrini, em Montreal, Canadá. Deixam também, com saudade, o neto Olivier Crête Pinheiro.

Profissional de design e professor jubilado da Universidade de Montreal, na Faculdade de Planeamento e Design, teve uma carreira distinta nos domínios do design-arquitectura, planeamento e design industrial.

PUB

Nasceu em junho de 1937, na rua que na época se chamava Rua das Ursulinas (hoje Rua Dom Moisés Alves Pinho), ao pé do Monte de Santa Luzia, na propriedade ancestral da família. Era um lugar de que ele falava com carinho e que guardava como uma das memórias mais antigas, sempre ligadas à cidade e às suas raízes. A sua Esposa nasceu em Vouzela, em janeiro de 1938, e também guardava uma dedicação especial pelas suas origens.

Já na reforma, ele desenvolveu um trabalho de investigação importante que resultou num livro a Genealogia Malafaia-Pinheiro , recuando a linhagem até 1270. Essa pesquisa mostra que, apesar de todos os ramos e nuances da história familiar, os seus antepassados viveram sobretudo no norte de Portugal e nas regiões próximas de Viana do Castelo e Ponte de Lima.

GOSTA DESTE CONTEÚDO?
Manso Preto

«Ainda nesta Primavera, as cinzas dos meus pais serão repatriadas para Viana do Castelo e depositadas no jazigo familiar da família MALAFAIA PINHEIRO, no cemitério da Ordem Terceira de São Francisco. Para ele, para ela e para nós, é importante que possam ‘voltar a casa’ e repousar junto da família, num lugar com verdadeiro significado» – segundo as palavras sentidas do seu filho.

Victor Pinheiro de quem tivemos o privilégio de partilhar a delicadeza da sua Amizade e algumas colaborações publicadas no MINHO DIGITAL, dedicava uma grande ligação e estudo ao património local vianense, sendo de recordar o reaproveitamento – que se propunha elaborar de forma generosa da sua parte – do Forte de Areosa (Viana) e do Forte de Lovelhe (Vila Nova de Cerveira), tendo sensibilizado, em vão, os autarcas das suas áreas.

PUB

Eu particularmente e o MD, apresentamos as suas mais sentidas condolências aos familiares de um Amigo que nos deixa uma profunda saudade.

 

PUB
PUB
  Partilhar este artigo

1 comentário

  1. Ao ler esta notícia, viajei um pouco na minha vida.
    Num caso como este, não se deve viajar demasiado.
    É muito contagiante e passivel de emoção.
    Tocou- me muito.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  Partilhar

PUB
📌 Mais de Viana
PUB

Junte-se a nós todas as semanas