Cerveja ou vinho?Por que a cerveja vence… se custa mais ao planeta?
Vivemos rodeados de cerveja, mesmo que nem sempre percebamos. Ela infiltra-se em piadas, camisetas, séries, memes, jogos, shows. Uma publicidade disfarçada, subtil e persistente, transforma um produto industrial em ícone cultural, sem que o questionemos. Enquanto isso, o vinho — ligado à terra, ao clima e a gerações de tradição — é empurrado para o canto, visto como algo elitista ou nostálgico.
Mas, além do marketing, a diferença entre essas duas bebidas é profunda — e climática.
O vinho nasce da uva, cultivada em vinhedos que dependem da chuva, do sol e do trabalho manual. Não pode ser produzido em qualquer lugar, nem a qualquer momento. Exige cuidado com a paisagem, respeito ao tempo e conexão com o território. É uma bebida com identidade agrícola.
PUBA cerveja, por outro lado, é água tratada. O seu ingrediente principal não é a cevada nem o lúpulo, mas a água retirada de represas ou sistemas industriais. A sua produção é rápida, feita em fábricas que podem ser instaladas em qualquer parque industrial, longe de plantações ou estações. Essa neutralidade geográfica torna-a perfeita para o mercado global: barata, fácil de transportar, escalável até o infinito.
Por isso a cerveja vence: não pela qualidade, mas por ser um produto industrial bem projetado e amplamente promovido. Não por cultura, mas por algoritmo.
E ainda há um engano mais subtil: a falsa hidratação. Ela é servida bem gelada, quase congelada, o que confunde o corpo. Refresca por um momento, mas não hidrata. Na verdade, por conter álcool, desidrata. A temperatura faz parte do truque: acalma por instantes, mas pede outra em seguida. Não sacia — estimula o consumo contínuo.
E o impacto ambiental? O custo climático da cerveja é maior que o do vinho, especialmente se considerarmos a energia para resfriamento, o uso de água industrial, os resíduos das embalagens e a enorme logística global envolvida.
PUBJá ao escolher um vinho local, você consome paisagem, agricultura viva, clima, chuva. Apoia uma economia de proximidade, uma cultura que dá sentido ao território.
Em tempos de seca, de perda agrícola e de publicidade alienante… não é irrelevante o que bebemos.
Escolha com consciência.
Não beba apenas o que lhe vendem.
Beba o que tem raízes.












