Crítica Social

Mais respeito pelos animais do que pelas pessoas?

Uma sociedade que garante dignidade nas jaulas, mas nega liberdade nas casas e na vida digital.

O paradoxo do nosso tempo é preocupante: enquanto a legislação se torna mais rigorosa para garantir o bem-estar dos animais — metros quadrados mínimos, luz, ventilação, condições dignas para um porco ou uma galinha — milhões de pessoas sobrevivem em quartos superlotados em cidades onde os alugueres consomem os seus salários e a dignidade não conta com proteção legal. Uma família inteira em 15 m² é tolerada pela sociedade, mas seria considerada maus-tratos se falássemos de gado.

Este contraste revela um duplo padrão: exigimos dignidade para o animal cativo, mas aceitamos a degradação do ser humano livre. E a incoerência não termina aí: na era digital, as pessoas tornaram-se as novas cobaias de laboratório.

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Cada gesto na rede — um clique, uma compra, uma emoção — é observado, registado e manipulado. As grandes empresas de tecnologia projetam plataformas que nos aprisionam em experimentos de comportamento em escala massiva. Os governos usam esses dados para reforçar seu controle. O poder financeiro obtém lucros colossais. E as elites globais avançam em direção a uma sociedade hiperconectada, mas dócil, onde a “liberdade” é apenas um simulacro.

É-nos exigida sensibilidade para com o bem-estar animal enquanto se normaliza que os cidadãos vivam vigiados, superlotados ou endividados. A pergunta é inevitável: criamos um sistema que cuida mais do animal em sua jaula do que do ser humano em sua própria casa? E até quando vamos aceitar ser cobaias de um experimento global que se disfarça de progresso?

GOSTA DESTE CONTEÚDO?
Manso Preto

A dignidade e a liberdade devem começar por aqueles que sustentam a sociedade: as pessoas.

Se não exigirmos esse direito básico, seremos animais bem-intencionados em leis… e sujeitos passivos em laboratórios invisíveis!

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